terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A IGREJA, O IMPÉRIO E OS JUDEUS

Nesta pintura, de Camilo Procaccini (séc. XVI), Ambrósio, bispo de Milão, impõe-se diante do imperador Teodósio I, após ter ordenado um massacre na cidade de Tessalônica em 390.

A atrito ocorreu poucos anos após Teodósio ter assinado um Édito tornando o cristianismo a religião oficial do império. O imperador cedeu às pressões da igreja, vestiu-se com saco de penitência e foi perdoado.

O fato dos judeus não terem a mínima intenção de abandonar a sua fé e seguir a religião oficial do império causou descontentamento em muitos cristãos. No final de 388 cristãos fanáticos atearam fogo numa sinagoga na cidade de Calínico, na Mesopotâmia.

Teodósio instruiu os líderes cristãos a reconstruírem a sinagoga e a punir os incendiários. Ambrósio não gostou e saiu-se com essa: 
Não é adequado que pessoas sejam punidas com tanta severidade pela queima de um edifício, e muito menos pela queima de uma sinagoga, uma casa de incredulidade, uma casa de impiedade, um receptáculo de loucura, que até Deus tem condenado (Epístola 40,14).
A postura de Ambrósio marca tanto o início do antijudaísmo eclesiástico como da intromissão da igreja nos assuntos pertencentes à esfera política, julgando as ações dos poderes públicos.



Jones F. Mendonça