quarta-feira, 8 de abril de 2015

MISOGINIA NO CRISTIANISMO PRIMITIVO

Basta dar uma rápida olhada nos textos escritos pelos primeiros cristãos para perceber como era forte a visão da mulher como “isca de Satanás” e “portão do diabo”. Cipriano (bispo do séc. III), por exemplo, dizia que os demônios ensinaram as mulheres 
a pintar os olhos espalhando uma substância negra ao seu redor, e a tingir as bochechas com um enganoso vermelho, e a mudar o cabelo com cores falsas, e a expulsar toda a verdade do rosto e da cabeça com o ataque de sua corrupção (Do vestuário das virgens, 14).
A investida anticosmética de Cipriano tem como argumento principal o seguinte: uma vez que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, não devemos nos atrever a mudar o que Deus fez. Tratar-se-ia, portanto, de uma “agressão à obra divina e uma prevaricação da verdade”.

E pensar que em pleno século XXI o argumento que contrapõe o “natural” (divino)  ao “antinatural” (diabólico) ainda faz sucesso.

Leia o texto completo “Do vestuário das virgens”, de Cipriano, aqui (em inglês).



Jones F. Mendonça