terça-feira, 31 de março de 2015

FOGO, FEIJÃO E EXEGESE

Ela escreve: 
“Délcio, coloque o feijão no fogo.
Maria”.
O pequeno bilhete é fixado na geladeira. Passam-se mil anos e é achado nas ruínas de uma construção. Surgem interpretações diferentes:

A exegese fundamentalista: “é para por a semente de feijão no calor de uma chama. Feijão talvez seja uma espécie de milho que estoura quando aquecido”.

A exegese alegórica: “o feijão representa nossas imperfeições; o fogo, a chama de nossa auto-avaliação”.

A exegese tipo PARDES: “o texto possui quatro sentidos: 1) a semente de feijão deve ser colocada na chama (peshat); 2) toda a 'semente' dos animais deve ser cozida antes de ser consumida (remez); 3) A semente, para brotar, precisa do calor, ou seja, do cuidado humano, o que nos ensina que devemos amar nossos filhos (Drash); 4) A soma das consoantes das palavras 'feijão' e 'semente', em hebraico, resulta em nove, que é o número dos leprosos que não agradeceram a Jesus pela cura (Sod)".

A exegese confessional: “Embora num primeiro momento o texto pareça ter sido escrito por uma mulher, é mais provável que tenha vindo pelas mãos de um homem, afinal, mulheres não devem dar ordens aos homens (Cl 3,18). Não é impossível o uso do nome 'Maria' para homens no início do século XXI”.

Pode parecer inacreditável, mas há pessoas muito bem instruídas que interpretam a Bíblia com tais métodos.


Jones F. Mendonça