quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O MOVIMENTO DE JESUS E AS MULHERES

A Sta Maria Madalena, de Simon
Vouet (1523-27), está mais para a
Sulamita de Cantares. 
Tito Lívio, na Roma do primeiro século, fez um discurso no Foro Romano repreendendo as mulheres que se dirigiam aos maridos de outras. Em sua opinião as perguntas deveriam ser feitas me casa, aos seus próprios maridos (TAMEZ, 2004, p. 99). No cristianismo não foi diferente. Paulo, como Tito Lívio, recomendou que elas ficassem caladas nas ekklesias (1 Co 14,34-35). Perguntas só em casa, porque "é vergonhoso que falem na congregação". 

Mas em algumas comunidades primitivas as mulheres foram ganhando espaço. Em alguns textos apócrifos isso fica evidente, como nos "Atos de Paulo e Tecla" e no "Evangelho de Maria Madalena". Neste segundo documento Pedro, irmão de Jesus, demonstra ciúme de Maria Madalena, "a mulher que Jesus mais amou". No final do livro Levi repreende Pedro dizendo: "se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la?". 

A divulgação de uma papiro escrito em copta, datado inicialmente para o quarto século, tem apimentado a discussão a respeito do papel das mulheres nas comunidades cristãs primitivas. Num trecho do fragmento vem escrito: "Jesus lhes disse: a minha mulher...". 

Caso seja autêntico, o documento apenas expressa o que determinada comunidade cristã acreditava (ou queria fazer os outros acreditarem) e não uma verdade histórica. Aliás, o mesmo se pode dizer dos Evangelhos canônicos. Jesus teve uma mulher? Impossível responder. 

Se você é um daqueles sujeitos desconfiados, que gosta de buscar informações na fonte e não em jornais sensacionalistas, leia o trabalho acadêmico que deu origem a toda essa discussão.   A autora é Karen L. King. 

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Jones F. Mendonça