quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DE TERRORISTAS E SACERDOTES

Arte: Carlos Latuff
Ouço aqui e ali que “aquele pessoal do Oriente Médio”, “os árabes”, ou “os muçulmanos”, são todos loucos. A crítica reflete um preconceito, está claro. Mas ainda que o alvo seja apenas os terroristas ou os baderneiros que atacaram a embaixada dos EUA na Líbia ou no Iêmem, discordo do adjetivo “loucos”. Não são loucos, são ressentidos manipulados. O instrumento de manipulação: a religião. O manipulador: o sacerdote.

A violência pode ter diversas motivações: ganância, desejo pelo poder, loucura,   ressentimento. Em algumas situações o sofrimento de um indivíduo ou de uma coletividade é o resultado de sua própria incompetência, de um desastre natural ou de uma série de fatores que lhes são desconhecidos. Mas é preciso achar um culpado. Acontece assim: um líder, fraco, porém dotado de grande poder de persuasão, "identifica" o responsável pelas mazelas do povo, o “Grande Satã”. Então ele percebe que a religião, com suas penas e bem-aventuranças, poderá ser o combustível da “revolução”. Eis o resultado: uma massa de terroristas. O que os move não é propriamente a religião, mas o ressentimento. 

O mecanismo descrito acima não é uma invenção dos “árabes”, ou dos “muçulmanos”. É coisa antiga, muito antiga. Hoje funciona bem no Oriente Médio. Amanhã, quem saberá. O mundo dá muitas voltas.


Jones F. Mendonça