terça-feira, 13 de maio de 2014

NÃO HÁ DRAGÕES ALÉM DO HORIZONTE

Fala-se aqui e ali do aumento da imoralidade. Trata-se de uma tese sem fundamento. Quem vasculha os alfarrábios da história sabe que a pedofilia e a relação homoafetiva já eram aceitas na antiga sociedade grega. Não se dão conta de que há uns poucos anos meninas de 14 anos eram casadas contra a sua vontade no Brasil com homens bem mais velhos (o Decreto nº. 181/1890 fixou a idade mínima de 14 anos para as mulheres). Era uma espécie de prostituição infantil aceita pelo Estado e pela sociedade em geral. O que mudou mais não foram os atos, mas os olhos de quem vê (o sensacionalismo de Datena e o moralismo de Malafaia ajudam a embaçar os olhos).

Caso lessem com atenção os livros de história veriam que as guerras do passado matavam muito mais, que os reis da antiguidade degolavam seus filhos com medo de traição, que em terras ditas “civilizadas” as crianças eram tratadas como animais de estimação, que os atletas gregos competiam nus, que se um indivíduo professasse a religião “errada” era lançado aos leões ou tinha seus bens confiscados. Dessem uma olha dos arquivos televisivos da década de 80 veriam que as roupas daquela época mostravam muito mais o corpo do que hoje (quem se lembra do short Suzi?). O erro dos moralistas precipitados: analisar a história do mundo a partir de um tempo particular. Olham para o umbigo pensando que estão contemplando o universo. Um remédio para os olhos e para o cérebro: desligar a TV.  



Jones F. Mendonça