terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O REI DO GRANDE MONTE DE TERRA

Quando eu era moleque, numa rua sem asfalto constantemente reparada por um trator que cobria os buracos feitos pela chuva, havia uma brincadeira que consistia na disputa pelo rei do monte de terra. Vencia quem conseguisse permanecer por mais tempo no pico do monte. Éramos ainda crianças, mas o poder... é, o poder, já nos seduzia.

Cresci e notei que na escola, entre os alunos, havia disputas pelo poder. Entre professores não era diferente. E na igreja a história se repetia. Facções agitavam-se pelos corredores articulando meios de aumentar sua influência. Havia o grupo do pastor, o grupo da oposição, o grupo pró-renovação, os liberais, o grupo dos conservadores, o seminarista que queria assumir a direção, o diácono quizumbeiro, o cara que aspirava ser o tesoureiro e por aí vai...

Fevereiro de 2013. Noticia-se a renúncia de Bento XVI aos quatro ventos. Há quem queira ver no episódio um sinal dos tempos: Raio que ilumina o céu do Vaticano e atinge a Capela Sistina. Meteoro que rasga e incendeia o céu da Rússia. Bobagens que são “curtidas” e “descurtidas” no universo facebookiano.

Para uns, é Deus, rabiscando em tortas linhas o destino da humanidade. Para outros é Satã, astuto querubim rebelde que não mede esforços para ocupar o trono divino e reger o grande coral da criação com cetro de aço (sim, porque o de ferro, segundo São João no livro da Revelação, está reservado ao messias).

O que vejo? Ah, eis o que vejo: defronte ao Aventino e o Capitólio, o Quirinal e o Viminal, uma dantesca disputa pelo rei do grande monte de terra. Os “purpurados”, ricamente adornados, a lançar vigorosamente suas pernas em direção ao cume da grande e magnífica cúpula da Basílica de São Pedro.

Estarei enganado? Meus olhos foram embaçados pelo relógio?


Às 23:05h. 

Jones F. Mendonça