quinta-feira, 24 de maio de 2018

ECLESIASTES: COMIDA, BEBIDA, ALEGRIA E PAIXÃO

O místico medieval Thomas de Kempis tomou a primeira frase do livro de Eclesiastes “vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (1,2) como um convite ao desprezo a todas as coisas terrenas. Ocorre que em diversas passagens o livro exalta o “comer” o “beber”, o “alegrar-se”, o “desfrutar a vida com a mulher amada” como dom divino (2,24; 3,12-13.22; 5,18-20; 8,15; 9,7-10; 11,7-10). Como sair dessa “sinuca de bico”?

Bem, Kempis talvez tenha seguido a solução alegórica apresentada pelos antigos rabinos: “todas as referências a comer e beber neste livro representam a Torá e as boas obras” (Qoh.Rab. 2:24; cf. o Targum [Tg. Eccl 2:24]). E assim o “comer” deveria ser entendido como o “comer da Torá” e o “beber” como o “beber das boas obras”.

Só sendo muito tonto para cair nessa conversa...



Jones F. Mendonça