sexta-feira, 15 de abril de 2016

MOISÉS COM CHIFRES NO TEXTO E NA ARTE

“A morte de Moisés”, por Alexandre Cabane (1850), como retratando em Ex 34,29. Repare que Moisés aparece com cornos, com chifres de luz.

Ex 34,29, traduzido de forma literal, diz: “E Moisés não sabia que ‘tinha chifres’ [hebraico = qaran] a pele de seu rosto” (umoshé lo-yada ki karan or panav). Jerônimo traduziu o texto para o latim assim: “cornuta esset facies sua”. Isso explica o Moisés chifrudo retratado pelos artistas renascentistas.

Mas será que Moisés foi realmente retratado com chifres no texto bíblico? No hebraico qeren – substantivo da mesma raiz verbal qaran (QRN) - é empregado com sentido “poder”, “força”, como em 1Sm 2,1: “o meu chifre [=qeren] se exalta em meu Deus”, ou seja, “meu poder se exalta em meu Deus”. Ou ainda no Sl 132,17: “em Ali farei brotar um chifre [=qeren; força, descendência] para Davi.

Infelizmente a forma verbal “qaran” só aparece em Ex 34, dificultando a tradução. Há quem pense que a imagem dos chifres evoque raios de luz. Talvez indique de seu rosto saia poder. Uma última hipótese, mais polêmica, sugere que Moisés realmente é retratado no texto com chifres, tal como Baal, por exemplo. Será?

Curioso é que em 34,33 Moisés cobre o rosto com um “masveh”, termo traduzido por “véu”, sugerindo que a ideia era impedir que o brilho de seu rosto ofuscasse os “filhos de Israel”. Ocorre que a palavra também só aparece neste capítulo. O objeto seria mesmo um véu? Por que Moisés precisava esconder o rosto? O que ele escondia? Chifres? Raios de luz?

Você tem um palpite?



Jones F. Mendonça