quarta-feira, 11 de novembro de 2015

MUSONIUS RUFUS E PAULO DE TARSO: CASAMENTO E HOMOSSEXUALIDADE NO PENSAMENTO ESTOICO

Leio atentamente textos a respeito do pensamento de Musonius Rufus (o filósofo nada escreveu. Seu pensamento foi preservado por seus discípulos), filósofo estoico romano do primeiro século que ensinou em Roma por volta de 80. São particularmente interessantes suas observações a respeito da relação entre pessoas do mesmo sexo, da finalidade e modelo ideal de casamento, temas igualmente abordados por Paulo de Tarso em suas epístolas. Em relação ao adultério e a relação sexual entre homens ele disse o seguinte: 
Todas as relações sexuais que envolvem adultério são ilegais. Igualmente intoleráveis são as de homens com homens, porque é uma coisa monstruosa e contrária à natureza (A indulgência sexual, discurso XII).
A passagem (especialmente o “contrário à natureza”) lembra Paulo aos romanos: 
Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; igualmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejo uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens (Rm 1,26-27).
Rufus também escreveu sobre a importância de uma vida pautada na doação mútua:   
“O marido e a mulher [...] devem estar juntos no propósito de fazer uma vida em comum [...], além disso, [...] nada [deve ser considerado] peculiar ou privado para um ou outro, nem mesmo seus próprios corpos” (A indulgência sexual, discurso XII).
Mais uma vez são nítidos os pontos de contato com a epístola aos romanos: 
“com amor fraterno, tendo carinho uns para com os outros, cada um considerando o outro como mais digno de estima” (Rm 12,10).
Leia os ensinamentos de Musonius Rufus  aqui e aqui



Jones F. Mendonça