terça-feira, 23 de junho de 2020

SOBRE A IDADE MÉDIA

Meu primeiro contato com algum tipo de rejeição ao termo “Idade das Trevas” usado para qualificar a Idade Média foi em uma obra sobre a história da arte (“Idade Média”, aliás, já carrega dimensão pejorativa). O livro destacava a beleza, a singularidade e a sofisticação da arquitetura medieval. Encontrei o mesmo tipo de crítica num livreto sobre a filosofia medieval. As autoras, católicas, insistiam em destacar aspectos positivos desse período tão controverso que durou cerca de mil anos. Fui forçado a rever meus conceitos. A abandonar alguns rótulos.

Recentemente tive contato com a obra do medievalista francês Alain de Libera. Na introdução de sua “filosofia Medieval” (Jorge Zahar, 1990) o autor rejeita duas teses muito difundidas: 1) Toda a filosofia medieval é, no fundo, apenas teologia (Bertrand Russell); 2) A “filosofia medieval” é mero resultado do casamento entre o aristotelismo e as doutrinas judaico-cristãs (Martin Heidegger). Bem, acho que já foi suficientemente destronada a ideia de que a “Idade Média” foi um período essencialmente obscurantista. Mas vamos com calma.

Tenho encontrado aqui e ali, sobretudo no ambiente reformado, pastores fazendo declarações de amor ao medievo. Revelam grande saudade do tempo em que a teologia era a rainha das ciências. Cavando fundo, como bem fazia Nietzsche, filósofo da suspeita, não é difícil descobrir a razão desse anunciado amor: é que sendo a teologia a rainha, serão eles os reis...


Jones F. Mendonça


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