segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VERDADES SOBRE UM CONFLITO


Para quem deseja conhecer uma obra sensata a respeito do conflito árabe-israelense na Palestina vale dar uma olhada no livro “Israel, Palestina: Verdades sobre um Conflito”, de Alain Gresh:

Pela minha parte, não pertenço a nenhum “partido de Deus”, contento-me, como o “bastardo Goetz”, personagem central da peça “O Diabo e o Bom Deus”, de Jean-Paul Sartre, de pertencer ao dos homens, ou antes, ao dos seres humanos. Não reconheço qualquer hierarquia, tal como não classifico em nenhuma escala ascendente ou descendente as comunidades religiosas ou nacionais. Mesmo que compreenda que, por razões ou familiares, ou religiosas, frequentemente culturais, nos poderemos sentir mais próximos deste ou daquele povo... Na condição de não o idealizar, na condição de não absolver os crimes cometidos em seu nome [1].
[1] GRESH, Alain. Israel, Palestina: Verdades sobre um Conflito. Tradução de Lígia Calapez Gomes. Campo das Letras, 2002, p.8

JUDEUS RELIGIOSOS GANHAM FORÇA NO EXÉRCITO DE ISRAEL

O Exército israelense está mudando. As unidades de combate que um dia se orgulharam de ser seculares estão agora povoadas por opiniões de que as guerras de Israel são guerras de Deus.

Rabinos estão se tornando cada vez mais poderosos nas forças armadas, e cadetes religiosos são treinados para se tornar parte da elite militar. Durante as operações em Gaza, no início do ano, rabinos entregaram centenas de panfletos para soldados. Alguns desses panfletos retratavam civis palestinos, não só militantes, como inimigos.

Outros chamavam os soldados israelenses de filhos da luz e os palestinos de filhos das trevas. O Exército israelense tenta se distanciar desse tipo de mensagem, mas os panfletos (veja a figura) vêm com selo oficial.

Códigos morais
Muitos cadetes religiosos vivem em assentamentos na Cisjordânia ocupada. Se as negociações de paz na região avançarem, Israel um dia terá que retirar a maioria dos colonos dessa região. Se isso acontecer, há dúvidas sobre se os soldados religiosos respeitarão as ordens de seus comandantes, indo contra suas crenças.

Mas líderes militares discordam dessa visão.
O general Eli Shermeister, coordenador de educação do Exército israelense, diz que o código moral do Exército é claro e que a organização exige que os soldados se comportem de acordo com essas regras. Ninguém, segundo ele, pode criar outro código moral e apenas os comandantes controlam seus soldados.

O dia-a-dia dos soldados israelenses consiste principalmente de patrulhar áreas civis em Gaza, na Cisjordânia e também em Jerusalém Oriental.

Qualquer influencia sobre as atitudes dos militares é de extrema importância. A forma como encaram os palestinos que vivem nessas áreas, e quem influencia essas visões, pode determinar o uso que fazem de seu poder e de suas armas.


Fonte: BBC Brasil

ARMAS DE GUERRA ROMANAS

No ano 70 D.C. Jerusalém foi destruída pelos romanos, liderados pelo general Tito. Nessa ocasião muitos judeus foram crucificados forçando os sobreviventes a partirem para uma diáspora. O muro das lamentações que vemos hoje é o que restou dessa destruição. Veja abaixo algumas armas de guerra utilizadas pelos romanos.








Crédito das imagens:
CONNOLLY, Peter. Las legiones romanas. Madrid: Espasa Calpe, 1981, pp. 63, 66.

COMUNIDADE, SEMPRE UM BOM LUGAR PARA VIVER E CONVIVER

a comunidade é um lugar 'cálido', um lugar confortável e aconchegante. É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado. Lá fora, na rua, toda sorte de perigo está à espreita; temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção com quem falamos e a quem nos fala, estar de prontidão a cada minuto. Aqui, na comunidade, podemos relaxar — estamos seguros, não há perigos ocultos em cantos escuros (com certeza, dificilmente um 'canto' aqui é 'escuro')" [1].

[1] BAUMAN, Zygmunt. Comunidade - a busca por segurança no mundo atual. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed., 2003, pp. 7 e 8.

A GUERRA E OS SEUS HERDEIROS





















Hanuka Tomer e seu irmão gêmeo idêntico Asaf fazem trabalhos magníficos com o pincel. Ambos nasceram em Israel. A guerra é um tema recorrente no trabalhos dos dois irmãos. Este é de Asaf.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O EVANGELHO DO CRISTO CÓSMICO

BOFF, Leonardo. O evangelho do Cristo cósmico. Rio de Janeiro: Record, 2008, 192 pp.

O título do livro soa estranho para os que não possuem o costume de se aventurar por teologias menos ortodoxas. Alguns o julgarão como sendo um livro sobre esoterismo, Nova Era ou outras correntes místicas que estão tão na moda, mas não se trata disso.


Boff busca nas epístolas paulinas, na patrística, na escolástica e em pensadores modernos as bases para a construção de seu pensamento. Dentre todos estes, sua maior ênfase está no pensador místico católico Teilhard de Chardin. Quem nunca teve contato com seus escritos certamente terá dificuldade em compreender termos como “noosfera”, “teosfera”, “crístico”, “pancristismo”, etc. Uma solução possível para esse problema seria a inclusão de um glossário no final da obra.


O problema da unidade do Todo, tema central do livro, é uma questão relevante e que merece atenção dos teólogos modernos. Desde os gregos havia a idéia de que o átomo não se podia dividir. Mais tarde descobriu-se que ele é formado por partículas ainda menores, tais como prótons, elétrons e nêutrons. Novas pesquisas revelaram que há ainda as chamadas “partículas sub-atômicas”, que ora se comportam como matéria, ora como energia, mostrando que tudo o que existe no universo é pura energia condensada (E=MC²). Os místicos, já mesmo antes destas descobertas, entenderam que essa “energia” que tudo permeia é o Espírito Divino, ou como sustenta Teilhard de Chardin, o “Cristo no coração da matéria”.


Essa descoberta também nos fez pensar que somos todos constituídos dos mesmos elementos. O solo lunar, os meteoros que “caem” na terra, e até mesmo as estrelas são feitos de “poeira cósmica”. Quando morremos viramos pó e esse pó volta à terra, podendo mais tarde se transformar em um pé de alface, um jambeiro ou quem sabe em um belo ipê amarelo. “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, já dizia Lavoisier.O que é já foi, o que será também já foi”, já dizia o enfadado Coelet (Ec 3.15). Boff procura mostrar que esse ciclo é dinâmico e progressivo. Por meio dele o cosmos caminha numa evolução contínua, que culmina com a parusia, momento em que Deus se reintegrará ao cosmos pondo fim a essa evolução. Tal concepção é estranha no nosso meio evangélico, já que sofremos uma forte influência da escatologia joanina, que concebe o universo sendo assolado por catástrofes cósmicas no fim dos tempos. Já escatologia paulina fala da consumação de todas as coisas em Deus, quando Ele for tudo em todos. Não há referências à destruição, mas à restauração e plenitude (pleroma). Afinal, qual deles descreve o melhor modelo?


É preciso admitir que a cristologia cósmica é bastante sedutora, principalmente após a queda do paradigma mecanicista newtoniano. O próprio Einstein, um dos responsáveis pela queda desse modelo certa vez disse que: “Afirmo com todo o rigor que a religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa. [...] O espírito científico, armado fortemente com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica”. (Como vejo o mundo, pp. 22-23).


Afinal quem tinha razão, Paulo ou João? Dê a sua opinião...

TILHARD DE CHARDIN E SUA CRISTOLOGIA CÓSMICA II

Mircea Eliade, um dos mais influentes e importantes filósofos da religião assim se refere a Teilhard de Chardin:
“Num artigo na revista Psyché, Teilhard confessou uma vez não poder acreditar num fim catastrófico do mundo, nem agora nem daqui a bilhões de anos; ele não podia nem mesmo acreditar na segunda lei da termodinâmica. Para ele, o universo era real, vivo, significativo, criativo, sagrado — e, se não eterno no sentido filosófico, pelo menos de duração infinita” [1].
Nota:
[1] ELIADE, Mircea. Ocultismo, bruxaria e correntes culturais; ensaios em religiões comparadas. Tradução de Noeme da Piedade Lima Kingl. Belo Horizonte: Interlivros, 1979, p.18.

QUAL O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO “AGNUS DEI”?

Quem responde é Georg Schwikart:


“Cordeiro de Deus. Assim Jesus de Nazaré é chamado no Novo Testamento (Jo 1,29). - 1. No culto eucarístico há o canto ou recitação do ‘Cordeiro de Deus’, durante o qual parte-se a Hóstia para simbolizar a morte de Jesus. - 2. Peça que contém cera benzida pelo Papa. - Do latim = Cordeiro de Deus”[1].

[1] SCHWIKART, Georg. Dicionário ilustrado das religiões. Tradução de Pe. Clóvis Bovo. Aparecida, SP: Santuário, 2000, p.9.

Crédito da imagem:

Zurbarán, Francisco de
Agnus Dei
Óleo sobre tela, 38 x 62 cm
Museo del Prado, Madrid

O CRISTIANISMO E AS PRIMEIRAS HERESIAS

Aula II (lição anterior: O Cristianismo primitivo)

1. Introdução

O cristianismo defrontou-se com um mundo onde predominava a cultura greco-romana. O politeísmo, as religiões de mistério, as inúmeras correntes filosóficas, o culto ao imperador, tudo isso tornava a propagação do cristianismo algo bastante complicado. Era comum os pagãos confundirem o cristianismo com o judaísmo, sendo visto como uma religião composta por infiéis à tradição judaica. Ao repudiarem tanto a tradição greco-romana como a tradição judaica, os cristãos colocavam-se à margem da sociedade. Para Luciano de Samosata (125 – 192 d.C), por exemplo, os cristãos eram pessoas convencidas de que “viverão eternamente [...] e, desde que abjuraram os deuses da Grécia, adoram um sofista crucificado”. Apesar de mal compreendida por judeus e pagãos, a fé cristã conseguiu transpor os obstáculos. Mas essa não foi uma tarefa fácil.


2. O cristianismo e a influência pagã

Na religião romana não havia a idéia de um Deus único, criador e que desejava se relacionar com os seres humanos. O povo cultuava os mortos, que depois de sepultados eram “alimentados” com vinho ou comida: “a bebida penetrou na terra, meu pai a recebeu” (Ésquilo, Coéforas, 162), dizia uma mulher do primeiro século. Uma vez sepultado, o homem nada tinha a esperar, nem recompensas nem punição. Os mortos eram considerados criaturas sagradas e venerados como deuses.


Já entre os sábios gregos havia a crença em Deus, mas era um Deus indiferente em relação a vida do homem na terra. Não era um deus que respondia as orações ou que se compadecia com o sofrimento do ser humano. O culto doméstico romano e as correntes filosóficas que eram populares na época não eram capazes de satisfazer a obsessiva busca pela solução do problema da morte. Havia um forte anseio por um Deus que se pudesse amar, que protegesse nesse mundo e ao mesmo tempo garantisse a salvação eterna.


É nesse terreno fértil que surge o cristianismo. Jesus prega um Deus próximo, que deseja se relacionar com o homem e que promete vida eterna aos que o buscam. Se entre os judeus o cristianismo não foi bem aceito, já que esperavam um messias político, entre os pagãos ele foi mal compreendido. Fronton (século II d.C) mestre de dois imperadores, acusava os cristãos de imolarem e devorarem crianças nas cerimônias de iniciação, de adorarem a cabeça de um burro e praticarem incestos após os banquetes. O texto de Jo 6:53 onde Jesus diz “se não comerdes a carne do filho do homem [...] não tereis vida em vós mesmos”, foi interpretado literalmente, por isso a idéia de que comiam a carne de crianças. O costume dos cônjuges tratarem-se como “irmãs” e “irmãos” fez surgir o boato de que praticavam incestos. A igreja nascente começava a sentir a necessidade de homens instruídos que defendessem a fé cristã frente às críticas dos filósofos e do paganismo.


3. Os primeiros apologistas

Diante de todos esses mal entendidos, a comunidade cristã percebeu ser necessário discutir questões envolvendo a sua fé e a cultura pagã. Os primeiros cristãos, por exemplo, se negavam a participar de cerimônias civis, nas quais se ofereciam sacrifícios e juramentos aos deuses. Também não serviam ao exército, porque podiam se ver obrigados a matar alguém ou oferecer sacrifícios a César (havia na época o culto ao imperador). Essa postura gerou vários problemas, levando os pagãos a se referirem constantemente aos cristãos como pessoas anti-sociais e ignorantes. Por não reconhecerem os deuses do Estado, nem o culto do imperador, foram considerados como ímpios e até mesmo ateus (Just., Apol. 1,6, 13; Mart. S. Polyc. 9). A necessidade de um posicionamento claro e bem definido em relação à postura que o fiel deveria ter frente aos mais diversos questionamentos se acentuava a cada dia. Para piorar, havia ainda a ameaça das várias doutrinas vindas do oriente e dos judaizantes, que insistiam na observância da lei mosaica. Surgiam assim os primeiros apologistas, homens instruídos e determinados a defender a fé cristã. Justino Mártir (100-165), Irineu (140-200), Clemente de Alexandria (160-215), Tertuliano (160-220), Orígenes (185-254), Jerônimo (345-419) e Agostinho de Hipona (354-430) tiveram uma postura decisiva no combate a essas correntes. Veja abaixo duas dessas ameaças:


a) Gnosticismo (do gr. gnostikos – “aquele que conhece”) –Religião extremamente sincrética (absorvia doutrinas de outras religiões). Para os gnósticos o mundo material fora criado por um deus mau, chamado Demiurgo. Conseqüentemente não poderiam admitir que Jesus tivesse um corpo físico, já que seria incompatível uma divindade habitar um corpo feito de matéria. Eles também enfatizavam que o corpo é a prisão da alma, sendo toda a matéria criada essencialmente . Havia nos primeiros séculos mais cristãos gnósticos do que se pode pensar.


b) Maniqueísmo – Doutrina de origem persa fundada por Mani (216-276). Mani enfatizava a luta incessante entre o bem e o mal. Todo o universo teria princípios igualmente eternos: a luz e as trevas, que se combateriam incessantemente. Adão e Eva seriam filhos de dois demônios Asqualun e Namrael. Ainda assim, os primeiros humanos carregariam dentro de si uma porção da luz divina. O maniqueísmo pregava a abstinência sexual aos que desejassem ser verdadeiros crentes, já que viam na procriação uma maneira de prolongar o cativeiro da luz.


Tanto o gnosticismo como o maniqueísmo pregavam o dualismo, ou seja, a oposição entre duas realidades distintas: o espírito e a matéria. A Bíblia nunca situou o pecado na matéria, seja no corpo humano, nos animais ou nos minerais. A criação é boa. A oposição existente na Bíblia é entre a carne (gr. sars), que representa a inclinação humana para o mal e o espírito, que é o canal de ligação entre o homem e Deus. É possível ver resquícios dessas duas doutrinas em alguns segmentos do cristianismo atual, quando notamos, por exemplo, um rigor exagerado com o corpo, como se nele estivesse presente a semente do mal.


No século IV os problemas que os cristãos enfrentavam com a perseguição iriam acabar, já que o cristianismo passou a ser protegido pelo Estado. Mas a união entre Estado e religião traria novos problemas. Esse será o tema da próxima lição.

ARQUEÓLOGOS ISRAELENSES DESCOBREM FORTIFICAÇÃO DE 3.700 ANOS

JERUSALÉM - Escavações arqueológicas em Jerusalém encontraram uma muralha de 3.700 anos que é o exemplo mais antigo de antigas fortificações já encontrado na cidade, informaram funcionários israelenses nesta quarta-feira, 2.

Acredita-se que muralha de 7,9 metros de altura seja parte de uma passagem protegida construída pelos cananeus a partir de uma fortaleza no topo de um monte até uma nascente próxima, que era a única fonte de água da cidade e era vulnerável a saqueadores.

Trata-se da primeira descoberta de uma grande construção feita antes dos tempos de Herodes, o governador que estava por trás de numerosos projetos monumentais da cidade 2 mil anos atrás. Além disso, mostra que a Jerusalém de meados da Idade do Bronze tinha uma população capaz de realizar projetos de construção complexos, disse Ronny Reich, diretor de escavações e professor de arqueologia da Universidade de Haifa.

As muralhas são do século 17 antes de Cristo, quando Jerusalém era um pequeno e fortificado enclave controlado pelos cananeus, um dos povos que segundo a Bíblia viveu na Terra Santa antes da conquista hebraica. O bíblico rei Davi teria reinado sete séculos mais tarde.

Um pequeno pedaço da muralha havia sido descoberto em 1909, mas os escavadores chegaram a uma parte que mede 240 metros. Reich acredita que há ainda mais a ser escavado, mas disse que contenções de orçamento, relacionados à crise financeira global, encerraram a escavação, pelo menos por enquanto.

“A muralha é enorme e sobreviveu 3.700 anos, o que, mesmo para nós, é um longo tempo”, disse Reich. É incrível que uma fortificação deste tipo não tenha se desmanchado por projetos de construção posteriores, disse ele.

Pesquisas arqueológicas no local conhecido como Cidade de Davi, do lado de fora dos muros da cidade velha, está no centro da luta pelo controle da cidade.

O sítio arqueológico, um dos mais ricos num país cheio de relíquias antigas, está localizado no meio de uma bairro palestino em Jerusalém Oriental.

As escavações da Cidade de Davi são financiadas pela Elad, uma organização de assentamentos judaicos que também compra residências palestinas e leva famílias judaicas para o bairro.

Palestinos e israelenses dizem que a arqueologia está sendo usada como ferramenta política para cimentar o controle judaico sobre partes de Jerusalém que os palestinos querem como a capital de seu futuro Estado.

Israel tomou a área árabe de Jerusalém na guerra de 1967 e rapidamente anexou Jerusalém Oriental e declarou toda a cidade como sua capital.

Fonte: Estadao.com.br

ACHADO FRAGMENTO INÉDITO DO CODEX SINAITICUS

Um fragmento do Codex Sinaiticus, considerado a Bíblia mais antiga do mundo, foi encontrado por acaso na biblioteca de um monastério egípcio. O achado foi feito por Nikolas Sarris, um estudante grego de 30 anos que está fazendo um doutorado em conservação na Grã-Bretanha e que participou do projeto de digitalização do Manuscrito Aleph, como também é conhecido o Codex.

Sarris inspecionava fotografias de uma série de encadernações compiladas no século XVIII por dois monges do monastério de Saint Catherine, no Monte Sinai, quando se deparou com partes do Livro datadas de aproximadamente 350 d.C. “Foi um momento muito emocionante”, lembra o acadêmico, segundo o jornal Independent. “Embora não seja minha área de especialidade, eu ajudei no projeto online, de forma que o Codex ficou fortemente impresso na minha memória”.

O estudante conta que começou a analisar as letras e colunas e rapidamente percebeu que se tratava de um fragmento do Aleph. Ele então mandou um e-mail para o padre Justin, bibliotecário do monastério, e sugeriu que desse uma olhada mais atenta na encadernação, o que confirmou as suspeitas. Acredita-se que o trecho encontrado, com apenas um quarto visível, pertence a Josué, Capítulo 1, Versículo 10.

Ao longo dos séculos, os monges do monastério de Saint Catherine reutilizaram com frequência pergaminhos antigos, sobretudo devido a dificuldade de obter novos na região. Isso faz com que a descoberta de Sarris seja ainda mais significativa, pois, segundo ele, há ainda 18 outras encadernações compiladas pelos mesmos dois monges que reaproveitaram partes do Codex. “Não sabemos se iremos encontrar mais do Codex nesses livros, mas, definitivamente, valerá a pena procurar”.

Fonte: Veja.com

Quer ler mais sobre o Codex Sinaiticus neste Blog? Clique aqui.

sábado, 29 de agosto de 2009

A POLICIAL E O TERAPEUTA*

Por Jones Mendonça


Numa sala de consultório estão apenas um homem e uma mulher. Ele, um terapeuta. Ela, uma policial com sérios problemas ligados à área sexual. O consultório é agradável, com poltronas macias e aconchegantes. Quadros coloridos e um tapete felpudo dão um ar de informalidade. A policial, cheia de expectativa, imagina que o terapeuta terá ótimas respostas para o seu problema. Periodicamente ela vai ao consultório e lhe relata seus segredos mais profundos e íntimos. O terapeuta, muito atento, ouve com paciência todas as suas queixas e inquietações. O tempo passa e algo muito natural acontece. A paciente imagina que o terapeuta é o homem da sua vida. Ele é simpático, a ouve com paciência e ainda lhe transmite tranqüilidade e segurança. Os entendidos no assunto dizem que tal fenômeno tem nome, chama-se “transferência”.


No caso em questão o problema tornou-se ainda mais agudo, já que o terapeuta também se sentiu atraído pela paciente. Isso o incomodou bastante, a ponto de pedir conselhos a uma médica de sua confiança. Ela lhe lembrou que a ética médica não permite esse tipo de relacionamento. Existem normas, regras a serem seguidas, dizia ela. Ele ficou inconsolado e até pensou em deixar a profissão. O desejo pela paciente o consumia e um dilema passou a perturbá-lo dia e noite. De um lado os homens-encarregados-de-criar-as-normas, que lhe diziam: “Enquanto estiver no consultório você é apenas um terapeuta. Aprenda a se comportar como tal!”. Do outro lado seu coração que gritava: “tal qual um turbilhão é o amor, não há garras que o possam conter”. De um lado a norma. Do outro a poesia. Temos aí um sujeito tripartido. Ele é homem, imoral (já que tem forte tendência a romper com a moralidade vigente) e terapeuta.


Alguns amigos da paciente, que aprenderam direitinho as normas criadas pelos homens-encarregados-de-criar-as-normas, lhe dizem: “será que você não está confundindo o profissional-do-consultório com o homem-do-consultório?”. A mulher-policial-paciente fica muito confusa e já não sabe muito bem o que sente e tampouco quem é. Como se não bastassem seus problemas de ordem sexual. Temos aí uma cidadã tripartida. Ela é mulher, moralista (já que tem forte tendência a não romper com a moralidade vigente) e paciente.


Já desde Aristóteles o homem adquiriu a mania de compartimentar as coisas. Os seres vivos, por exemplo, foram divididos em mamíferos, anfíbios, répteis, etc. Até as folhas das árvores os homens tiveram o cuidado de catalogar: crenadas, cordiformes, sinuadas, e outros tantos nomes complicados. Com Descartes o problema se acentuou. De um lado a mente e do outro o corpo. A queda do paradigma mecanicista newtoniano fez com que as coisas começassem a mudar. Percebemos que o universo não é como uma máquina. Não podemos simplesmente desmontá-lo e catalogar suas peças. Essa é uma tarefa impossível. O prêmio Nobel da Física e um dos fundadores da mecânica quântica Werner Karl Heisenberg assim se expressou em relação a essa nova concepção do universo: “O mundo apresenta-se, pois, como um complicado tecido de eventos, no qual conexões de diferentes espécies se alternam, se sobrepõem ou se combinam, e desse modo determinam a contextura do todo[1].


Muitas vezes pensamos que existe uma moralidade absoluta, como se houvesse em algum lugar, num cofre distante, um modelo ideal de moralidade. Esse modelo ficaria lá trancado e sempre que precisássemos de uma certeza, o abriríamos e todas as respostas nos seriam dadas. Mas na verdade a história nos mostra que esse padrão normativo é criado pelos homens-encarregados-de-criar-as-normas. É um ofício importante, afinal o que seria de nós sem as regras? Até para construir este texto preciso de regras: regras ortográficas, de sintaxe, de concordância, etc. Não fazendo uso delas eu certamente não me faria compreender. Na sociedade elas funcionam como um freio. Na sua ausência correríamos o risco de produzir um mundo caótico. Mas será que essas normas devem ser seguidas de forma cega e irreflexiva? Na verdade, fazendo isso tornamos as coisas mais fáceis, pois lançamos sobre as regas o jugo de uma responsabilidade que é nossa. Assim fica mais fácil conviver com os resultados das nossas decisões. Por outro lado, a reflexão demanda responsabilidade. Romper com a norma padrão tem um preço e são poucos os que têm coragem de arcar com as conseqüências.


Voltemos ao caso do homem-bandido-terapeuta e da mulher-policial-paciente. A mulher tripartida quer carinho, quer ordem e quer cura para os seus problemas emocionais. O terapeuta tripartido quer uma mulher, uma aventura bandida e uma paciente curada. Todas essas divisões tornam o problema muito complexo. Como analisá-lo sob a ótica de uma regra cega, incapaz de lidar com sistemas complexos?


No final do episódio vemos que a mulher pesou na balança seus valores e entendeu que a ordem estabelecida era mais importante. Ela armou uma cilada e denunciou o terapeuta logo após ter sido assediada por ele. Os dois foram presos. Ele pelos moralistas. Ela, por sua própria moralidade.


*Esse texto é uma análise do episódio “Roma Isenta” do seriado “Picket Fences” transmitido pela CBS americana na década de 90. A construção do texto teve como finalidade cumprir as exigências da disciplina “Ética Cristã” do Seminário Teológico Batista Carioca.

Nota:

[1] Garber (1978) in CAPRA, Fritjof. Ponto de Mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente, 1982, p. 75.

A TEORIA DA EVOLUÇÃO E O GÊNESIS

Por Jones Mendonça

1. Introdução
Toda criança quando atinge certa idade pergunta aos pais o porquê dos chineses do outro lado do mundo não caírem por estarem “de cabeça para baixo”. Os pais mais pacientes e preocupados com a educação dos filhos não hesitam em explicar que quanto maior a massa de um corpo, maior seu poder de atração gravitacIonal. Seres humanos têm uma massa infinitamente menor que a terra, por isso são atraídos por ela. Os nove planetas do nosso sistema solar, por exemplo, são atraídos pelo sol. A gravidade que o sol exerce sobre eles é o que mantém nosso sistema estável. A gravidade explica o porquê dos chineses não “caírem” já que estão do outro lado da terra. A idéia de um “lado de cima” e de um “lado de baixo” acaba sendo mera força de expressão.

Crianças muito curiosas geralmente não ficam satisfeitas com essa resposta e começam a nos bombardear com novas perguntas: Por que a gravidade existe? De onde vieram os planetas? É Deus o criador de tudo? Quem criou Deus? Crianças, pequenos metafísicos...

A ciência investiga o universo com as lentes da razão, e não podia deixar de ser diferente. Os avanços das pesquisas científicas são notáveis, muitas vezes nos causando assombro, como, por exemplo, quando a humanidade viu pela TV a chegada do homem à lua. Mas o campo de investigação da ciência tem limites, já que ela trabalha com elementos palpáveis, mensuráveis e que podem ser analisados empiricamente. A antiga pergunta: “O que ou quem deu origem ao universo?” permanece aberta ao debate. Quando Sue Lawley, numa entrevista à BBC de Londres, perguntou ao físico teórico Stephen Hawking se havia descartado Deus como sendo um dos responsáveis possíveis pela criação do universo, respondeu:

Tudo o que meu trabalho mostra é que não precisamos dizer que o modo como o universo começou foi um capricho de pessoal de Deus. Mas continuamos diante da questão: por que o universo se deu ao trabalho de existir? Se você preferir, pode definir Deus como sendo a resposta para essa questão[1].

Gosto da honestidade de Hawking. Ele parece conhecer muito bem os limites da ciência.

2. O eterno embate entre ciência e religião
A relação entre religião e ciência sempre caminhou de maneira conflituosa. Ora se abraçavam (como na escolástica), ora se agrediam (como no iluminismo). Hoje a coisa não está muito diferente. Brigas entre criacionistas e evolucionistas, por exemplo, são muitas vezes destacadas na mídia. Criacionistas mais radicais afirmam categoricamente que a terra não tem mais que seis mil anos, que houve um dilúvio universal, que Eva foi literalmente feita da costela de Adão, etc. Evolucionistas mais radicas, como Richard Dawkins, buscam provar que “Deus é um delírio[2] dos religiosos. A evolução, para ele, pressupõe a negação de Deus. Vemos aí que o extremismo possui dois lados.

Mas será que existe antagonismo entre evolução e criação? Sabemos hoje que todos os elementos químicos possuem uma origem comum. No início só havia o hidrogênio, o elemento mais abundante no universo. A partir dele todos aqueles elementos que na adolescência nossos professores insistiam que tínhamos que decorar foram surgindo. Isso aconteceu porque o colapso gravitacional que ocorreu quando o universo era ainda um bebê provocou a fusão do hidrogênio. Esse processo de formação de elementos químicos ocorreu nas estrelas e chama-se nucleossíntese. A nucleossíntese é, portanto, “a evolução no tempo e no espaço da composição química do cosmo”[3]. Poderíamos dizer então que somos todos feitos de poeira cósmica.

3. Filhos das estrelas ou filhos de Deus?
Infelizmente no protestantismo o dualismo se enraizou de tal forma que muitos cristãos só conseguem ver o mundo em duas cores: preto ou branco. Para estes, o cinza simplesmente não existe. Será que não dá pra estabelecer um diálogo entre a teoria da evolução e a concepção cristã de um Deus que cria o universo? Quando falo em diálogo não estou propondo uma explicação da criação a partir da teoria da evolução, mas simplesmente estar aberto ao que a ciência tem a dizer a respeito das novas descobertas científicas. A teoria da evolução afirma, por exemplo, que homens e animais possuem origem comum (e não que o homem veio do macaco). Isso tem sido refutado por muitos cristãos, mas será que a própria Bíblia não afirma isso? Vejamos:

“E disse Deus: Produza a terra seres viventes (nefesh hayah = alma ou ser vivente) segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo as suas espécies. E assim foi” (Gn 1,24).

“E formou o Senhor Deus o homem do da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente (nefesh hayah = alma ou ser vivente)” (Gn 2,7).

Ainda que João Ferreira de Almeida evite traduzir nefesh hayah por alma vivente ou ser vivente em ambos os textos, as palavras hebraicas são as mesmas. Como se vê, tanto o homem como os animais possuem uma origem comum: a terra e ambos foram animados (do latim ânima, que possui alma ou ânimo) por Deus. Homens, animais e plantas, todos filhos da terra; todos feitos de poeira cósmica; todos filhos do hidrogênio. Mas e o hidrogênio, quem o fez? Voltamos à pergunta inicial.

4. Conclusão
A cosmogonia (narrativa a respeito da origem do cosmos) e a antropogonia (narrativa a respeito da origem do homem) do livro de Gênesis não é um tratado científico, mas um relato que contém ensinamentos teológicos a respeito de Deus e sua relação com o mundo criado. A história é belíssima se lida como poesia, mas torna-se descabida caso se busque nela elementos históricos e/ou científicos. O fato de a considerarmos poesia não quer dizer que não deva ser levada a sério ou que seja mera invenção humana, mas simplesmente que a linguagem nela empregada não é a mesma que utilizamos no mundo moderno.

À ciência cabe responder que transformações ocorreram na terra para que produzisse seres vivos. À metafísica e a religião cabem responder porque o universo existe e que sentido isso possui para nós. Acho importante que cada um saiba respeitar os limites do outro.


Bibliografia:
HAWKING, Stephen. Buracos negros, universos bebês e outros ensaios. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

Notas:
[1] HAWKING, Stephen. Buracos negros, universos bebês e outros ensaios, 1995, p. 135.
[2] Dawkins é autor de um livro intitulado “Deus, um delírio”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. No livro o autor procura demonstrar a que a crença em Deus é pura tolice.
[3] MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de astronomia e astronáutica, 1987, p. 574.

Crédito da imagem:

MASPERO, G. History of Egypt, Chaldea, Syria, Babylonia, and Assyria – vol III, (part A). Edited by A. H. Sayce. London the Grolier Society Publishers.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O QUE ERA A TONSURA?

Quem explica é o Frei Dagoberto Romag:


Desde o século IV, tornou-se costume entre o clero cortar os cabelos. No século V, a tonsura foi introduzida como sinal distintivo. No oriente usava-se a tonsura Pauli [todo o cabelo era cortado], no ocidente a tonsura Petri [só o topo da cabeça era raspado]. Esta chamava-se também ‘corona Christi’ [coroa de Cristo]. Na igreja iro-escocesa foi introduzida uma terceira forma, ‘tonsura S. Joannis ou ‘tonsura S. Jacobi [apenas um crescente de cabelo da fronte da cabeça era cortado]. Desde o século XVI, a tonsura dos clérigos seculares foi reduzida a um pequeno círculo”[1].


Nota:

[1] ROMAG, Dagoberto. Compêndio da História da Igreja - v.1. Rio de Janeiro: Vozes, 1949, p. 275.

Imagem: tonsura romana