Yossef, um judeu do século
III a.C., desconfia que sua esposa não é virgem. Orientado por seus pais ele leva
o caso aos anciãos da cidade. Ele sabe que se a acusação for tomada como falsa será açoitado, multado em cem ciclos de prata e proibido de repudiar sua mulher (Dt 22,19). Mas se a acusação for confirmada o que acontece é o seguinte:
Se, porém, esta acusação for confirmada, não se achando na moça os sinais da virgindade, 21 levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão até que morra; porque fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai. Assim exterminarás o mal do meio de ti (Dt 22,20-21).
E pensar que muitas mulheres
foram salvas do apedrejamento graças a indivíduos como Fílon de Alexandria (†50 d.C.), um dos pioneiros na alegorização das
Escrituras. Acontece que numa leitura alegórica “apedrejar” pode significar
simplesmente “fazer um furo no coração petrificado pelo pecado com o toque do
shofar”. Na exegese judaica medieval, além do sentido simples ou literal (peshat), o texto podia ter até três sentidos (remez, drash e sod). Em suma, a "interpretação criativa" é um péssimo método de interpretação, mas pelo
menos pode salvar vidas.
Jones F. Mendonça
Jones, o que você quer dizer com "péssimo método de interpretação"? Você está comparando a interpretação criativa com o quê exatamente?
ResponderExcluirObrigado pela atenção
Daison
Com a exegese judaica (midráshica). Com a exegese cristã medieval (alegórica). Com a exegese estruturalista do século XX. Com qualquer tipo de leitura que faça o texto dizer algo diferente do que o autor do texto pretendia.
ResponderExcluirNão conheço a exegese estruturalista, mas as outras duas acho, realmente, muito lindas. Mesmo quando aparecem alguns absurdos.
ResponderExcluirObrigado pela explicação!