segunda-feira, 19 de abril de 2010

FLÁVIO JOSEFO, TRAIDOR OU HERÓI?

SEWARD, Desmond. O traidor de Jerusalém: Josefo, Massada e a queda da Judéia. Cambridge, MA: Da Capo Press, 2009.

O historiador judeu Flávio Josefo foi herói ou traidor na grande revolta contra Roma intitulada “A Guerra Judaica” (66-70 d.C.)?  

O autor de um livro lançado no ano passado argumenta que Josefo, longe de ser um traidor, fez o melhor que pôde para salvar a Judéia da catástrofe inevitável. Ele concorda com São Jerônimo, que colocou Josefo em pé de igualdade com o grande historiador romano Tito Lívio. Apesar de reconhecer que Josefo era vaidoso e sem escrúpulos, Seward o admira por sua inabalável crença no destino da sua fé e de sua nação. Para Seward não há como negar que ele foi um oportunista, no entanto ele procurou defender, à sua maneira, os melhores interesses do seu povo.

Mais informações: Biblical Archaeology  Review


quinta-feira, 15 de abril de 2010

QUAL A ORIGEM DA DEVOÇÃO CATÓLICA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS?

Segundo Arnaldo Schüler:

“Devoção promovida pela monja salesiana fr. Marquerite Marie Alacoque (1647-1690). Afirmou que Jesus lhe revelou o seu coração cheio de amor ardente pelos seres humanos, ordenando-lhe o estabelecimento da Hora Santa, comunhão na primeira sexta-feira do mês e Festa da Sagrado Coração, a ser observada na sexta-feira após a oitava de Corpus Christi. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração em 1899. Marguerite Marie foi canonizada por Bento XV, no dia 13 de maio de 1920”[1].
 Jennifer Emick [2] diz que o bispo de Marselha, Monsenhor de Belsunce, consagrou sua diocese ao Sagrado Coração, na tentativa de poupar a região de uma praga. Marselha escapou da praga, e o símbolo, um coração com uma cruz no topo entrelaçado com espinhos e chamas, passou a ser associado a atos de caridade e piedade. O símbolo acabou sendo usado como amuleto contra doenças.

Nota:
[1] SCHÜLER, Arnaldo. Dicionário enciclopédico de teologia. Canoas: Ed. ULBRA, 2002, p.410.

[2] Emick, Jennifer. Sacred Heart of Jesus (Sacré-Coeur), p. 2196, 15abr2010, http://symboldictionary.net

QUAL A ORIGEM E O SIGNIFICADO DA CRUZ CELTA?

Por Jones Mendonça

A origem da cruz
celta[1] não é clara, mas ela era conhecida por ser um símbolo do deus sol gaulês Taranis, comparado ao Júpiter dos romanos[2]. Segundo Thomas Rausch, foi originalmente um símbolo indo-europeu de fertilidade [3].

Após a conversão dos celtas ao Cristianismo, a cruz celta tornou-se um emblema da Igreja Cristã Celta[4]. Uma lenda irlandesa diz que a cruz foi introduzida na Irlanda por São Columbano (ou São Columba), um monge missionário do século VI, conhecido como “o apóstolo da Escócia”. A cruz celta também é conhecida como transversal de Columbano ou roda de Taranis. Após o estabelecimento de um mosteiro na ilha de Iona (Escócia), também passou a ser chamada de cruz Iônica.

Notas e referências bibliográficas:

[1] Segundo Bob Curran, o termo celta vem de keltoi, e significaria secreto ou escondido. CANTARINO, Geraldo. Uma ilha chamada Brasil: o paraíso irlandês no passado brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2004, p. 113,114. Uma discussão mais detalhada do significado do termo “celta” pode ser lida na seguinte obra: CARRASCO, Juan Bautista. Geografia general de España. Madrid: Gaspar y Roig Editores, 1861, p. 54,55.

[2] MUSQUERA, Xavier. La espada y la cruz: tras las huellas de los Templários em Espana. Madrid: Ediciones Nowtilus, p. 119; PELEGRIN, Santos Lopes. Vocabulário de la fabula. Ignácio Boix, 1845, p. 192.

[3] RAUSCH, Thomas. Catolicismo na aurora do terceiro milênio. São Paulo: Loyola, 2000, p. 109.

[4] GASPAR, Eneida Duarte. O caminho da cruz: origens, significados, usos espirituais e religiosos de 133 diferentes cruzes. Rio de Janeiro: Pallas, 2001, p.52.

TODAS AS SEITAS GNÓSTICAS ERAM DUALISTAS?

A grande maioria dos livros enfatiza que o gnosticismo era uma seita que tinha como característica principal o dualismo. Segundo Elaine Pagels não é bem isso o que mostram os documentos antigos:

“Clemente de Alexandria [...] relata que havia uma ‘gnosis monádica’; e as descobertas de Nag Hammadi também revelam que o gnosticismo valentiano – a forma mais influente e sofisticada de ensinamento gnóstico e a que mais ameaçava a igreja – diferia bastante do dualismo”[1].

Elaine Pagels é professora de religião na Universidade de Princeton e Ph.D. da Universidade de Harvard.


Imagem:
Capa do livro "As origens de Satanás", de Elaine Pagels.

Nota:
[1] PAGELS, Elaine. Os evangelhos gnósticos. Tradução de Maria Motta. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006, p.33.

terça-feira, 13 de abril de 2010

LIVRO: A IGREJA UNIVERSAL E SEUS DEMÔNIOS


O livro traz informações para  o entendimento de um fenômeno novo no campo religioso brasileiro: a expansão pentecostal. Um de seus pontos altos é a dramática descrição etnográfica do ritual de exorcismo, acompanhado e vivido por todos os presentes no culto.
A obra, com prefácio de Alba Zaluar, faz parte da coleção “Antropologia Hoje”, dirigida por José Guilherme Magnani e resultado de parceria da Terceiro Nome com o NAU - Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Livro considerado bom pela avaliação do Guia da Folha de S.Paulo.


Caso queira conhecer uma obra que aborde o tema "possessão demoníaca" sob a ótica da psiquiatria, clique aqui.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

EXÉRCITO DE ISRAEL QUER EXPULSAR PALESTINOS DA CISJORDÂNIA

O jornal israelense Haaretz (A terra) divulgou hoje que uma nova ordem militar entrará em vigor nesta semana, permitindo que o exército deporte dezenas de milhares de palestinos da Cisjordânia.  Segundo o jornal, a ordem tem a assinatura do major-general Gadi Shamni, comandante da Forças Armadas de Israel na Judéia e em Samaria. 

O Haaretz classificou essa medida como “um grave e perigoso movimento, sem precedentes durante a ocupação israelense”.

O chefe da OLP (Organização para a libertação da Palestina), Saeb Erekat, emitiu uma declaração oficial condenando a medida. Em sua opinião essas ordens geram um Estado de apartheid e transformam os palestinos em criminosos em suas próprias casas. 

Na manhã de hoje uma sirene soou em Israel, lembrando o triste episódio do holocausto, onde milhares de judeus foram vítimas de preconceito, violência e humilhação.

Penso que Israel deve se lembrar do holocausto não como uma agressão contra os judeus, mas contra a vida humana. É preciso refletir se o que tem sido feito com os palestinos hoje é muito diferente do que foi feito com os judeus sob o governo nazista.

Efatá!

MAÇONARIA: AS LOJAS DO GRANDE ORIENTE SÃO AUTORIZADAS A ACEITAR MULHERES

O órgão judicial do Grande Oriente de França rompeu, nesta quinta-feira 8 de abril, com uma tradição de séculos, que proibia a iniciação de mulheres. A decisão de aceitar as mulheres veio após anos de debate.

Fonte: Le monde

CAPA DE REVISTA IRRITOU OS CATÓLICOS NA ALEMANHA


Capa da revista satírica alemã “Titanic”. Abaixo da imagem se lê: “a igreja de hoje”. O editor da revista, Leo Fischer, ironizou as inúmeras críticas que recebeu:

“Esta capa? Ela só mostra um padre rezando diante de Cristo. Estou satisfeito por ver que temos muitos cristãos entre os nossos leitores”.


Pessoalmente acho que a revista exagerou na sátira. 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

FOTO DA SEMANA


Procissão durante a Semana Santa em Puente Genil, perto de Córdoba, sul da Espanha, 1 de abril de 2010. Centenas de homens vestidos como personagens do Antigo e Novo Testamentos carregando esculturas.

Fonte: Boston.com

JUDEUS JÁ ESTÃO CONSTRUINDO O TEMLO DE SALOMÃO?

Certa vez, enquanto cursava teologia, ouvi de um professor que grupos de judeus ortodoxos planejam há algum tempo a reconstrução do Templo de Jerusalém. Segundo ele esses grupos estão trabalhando na confecção dos utensílios do templo a fim de possibilitar a sua imediata reconstrução após a remoção do templo islâmico. Como ele nunca citou as fontes dessa informação pensei comigo: será isso verdade?

Mas não é que o meu caríssimo professor tinha razão? Abaixo dois sites que promovem a reedificação do templo (e, portanto, a remoção do templo islâmico localizado no monte Moriá).

INSTITUTO DO TEMPLO
“O objetivo é ver Israel reconstruir o Templo Sagrado (grifo nosso) no Monte Moriá, em Jerusalém, de acordo com os mandamentos bíblicos”.

Para acessar o site do Instituto do Templo, clique aqui. 

MONTE DO TEMPLO & MOVIMENTO FIÉIS À TERRA DE ISRAEL
“O objetivo do Monte do Templo & Movimento fiéis à Terra de Israel é a construção do Terceiro Templo (grifo nosso) no Monte do Templo em Jerusalém, em nossa vida de acordo com a Palavra de Deus e todos os profetas hebreus e da libertação do Monte do Templo da ocupação árabe (islâmica) para que ele possa ser consagrado ao nome de Deus”.

A imagem acima, um Candelabro do terceiro Templo, já está pronto e à mostra no Instituto do Templo.


Para acessar o site do Monte do Templo & Movimento fiéis à Terra de Israel, clique aqui.

domingo, 4 de abril de 2010

O QUE É E QUANDO SURGIU O FUNDAMENTALISMO CRISTÃO?

Por Jones Mendonça

“Originariamente era a designação dos protestantes norte-americanos, que queriam entender ao pé da letra cada versículo da Bíblia. O movimento fundamentalista surgiu por volta de 1875. Aos conhecimentos científicos sobre a criação do mundo contrapunha a narrativa bíblica. Hoje em dia são tidas como fundamentalistas todas as correntes religiosas que se apóiam no sentido literal da Escritura Sagrada, e não desenvolvem sua doutrina em consonância com o mundo moderno e as descobertas científicas. - Do latim “fundamentum” = alicerce, base, fundamento”[1].
 Um pouco de história

Para entender o surgimento do fundamentalismo é necessário conhecer as transformações ocorridas na sociedade européia a partir do Renascimento. O Renascimento foi a redescoberta e revalorização da cultura grega clássica, que provocou transformações em diversos setores da sociedade européia a partir do final do século XIII. Todo o conhecimento científico, antes sob a tutela da Igreja Católica, começava a ser questionado por intelectuais de renome. As grandes navegações, a descoberta de que a terra não é o centro do universo e o contato com a literatura dos grandes filósofos da antiguidade, que começava a chegar nas línguas originais, despertava no homem uma verdadeira obsessão pelo saber. Se na Idade Média Deus era o centro, a partir do renascimento o homem passava a ter lugar de destaque.

No século XVIII, pensadores como Espinosa e Voltaire começaram a questionar muitos dos dogmas de fé do cristianismo. Na Inglaterra o deísmo  ganhava a cada dia novos adeptos entre os intelectuais, enfatizando a não interferência de Deus no mundo. A revelação bíblica estava sendo posta em cheque. Deus ia dando lugar à razão.

No século XIX e XX, pensadores como Feuerbach, Nietzsche, Calr Marx e Freud deram continuidade a essa crítica à religião. Muitos teólogos protestantes influenciados por filósofos racionalistas, colocaram a razão como lente necessária para a interpretação dos textos bíblicos. Narrativas como o dilúvio, a abertura do Mar Vermelho por Moisés e os milagres e ressurreição de Jesus passaram a ser consideradas lendas imaginadas pelo povo judeu e cristão. Apesar do exagero de alguns, a pesquisa e reflexão feita por esses teólogos deu grandes contribuições para a compreensão nas narrativas bíblicas.

No final do século XIX muitos imigrantes chegavam da Europa com essas novas idéias, gerando incertezas e abalando a fé de muitos cristãos. A teoria da evolução, proposta por Darwin, provocou um rebuliço entre os crentes, pois parecia contradizer a história da criação do Gênesis. Ficou famoso o embate entre o fundamentalista Willian J. Bryan e um professor de biologia chamado John T. Scopes, que insistia em ensinar a teoria da evolução nas escolas, mesmo proibida por lei no Tennessee. Scopes foi levado ao tribunal e apesar de ter sido condenado em 1925, acabou vencendo o debate, já que seu próprio opositor quase nada sabia a respeito da teoria que tanto atacava.

Essas idéias deram origem ao “liberalismo”, um movimento que tentava compatibilizar a fé cristã com as novas descobertas científicas. O termo “liberalismo” é muitas vezes utilizado como sinônimo de “modernismo” pelos fundamentalistas. Muitos protestantes norte-americanos opuseram-se ao modernismo, pois o consideravam uma ameaça aos fundamentos básicos da fé cristã.

Em 1846 foi organizada a Aliança Evangélica, com o propósito de unir todos os que pensavam ser o modernismo uma ameaça à fé cristã. Em 1895, em uma reunião junto às cataratas do Niágara foram anunciados os cinco fundamentos básicos da fé. São eles:

Ø  A infalibilidade das Escrituras;
Ø  A divindade do Jesus Cristo;
Ø  Seu nascimento virginal;
Ø  Seu sacrifício expiatório na cruz em substituição pelos pecados humanos, e
Ø  Sua ressurreição física e logo retorno.

Os cinco pontos defendidos pela reunião em Niágara eram bem básicos e visavam estabelecer pontos fundamentais da fé cristã, mas com o tempo, o movimento foi ganhando mais adeptos e adquirindo um caráter bem mais radical.

O fundamentalismo ganha corpo
Após ouvir uma pregação de Amzi Clarence Dixon, pastor da igreja Moody de Chicago, Lyman Stewart, presidente da Union Oil Company, o procurou para uma conversa. Assim como o pastor Dixon, Stewart andava muito preocupado com o crescimento do modernismo nas igrejas americanas.

Poucos poderiam imaginar que o contrato entre um milionário do ramo do petróleo e um sacerdote protestante fosse tão poderoso. Com o dinheiro de Stewart e a influência de Dixon, foi fundada a editora Tes-timony Publishing Company. Expositores bíblicos de destaque foram procurados para escrever artigos para uma série de livros de 125 páginas. Ao todo foram publicados doze livretos; cinco editados por Dixon, outros cinco por Louis Meyer e os dois últimos por R. A. Torrey. Entre 1910 e 1915 foram publicados cerca de três milhões de exemplares. A coleção recebeu o nome de “The fundamentals”. Em 1919 foi criada a World's Christian Fundamentals Association para apoiar a luta conservadora contra as posições liberais dentro das igrejas protestantes. Mas o termo fundamentalista só seria empregado amplamente um ano depois. Segundo A. Kenneth Curtis “o termo ‘fundamentalista’ foi cunhado em 1920 por Curtis Lee Laws, editor batista, quando se referiu aos batistas conservadores que se apegavam aos ‘fundamentos’ da fé”[2]. Na sua opinião o movimento foi “social e teológico, alarmista e evangelístico, triunfalista e desesperador”[3].

O ponto mais problemático definido pela Aliança Evangélica foi a infalibilidade das Escrituras. Alguns achavam que essa infalibilidade dizia respeito à mensagem como um todo. Esse grupo admitia pequenas incorreções nos manuscritos disponíveis, provocados, por exemplo, por erro dos copistas. Também entendia que a Bíblia não é um tratado científico, admitindo, por exemplo, que quando o autor do livro de Josué diz que “o sol parou”, descreve o evento sob uma concepção de mundo que se tinha na época, não devendo, portanto, ser interpretado literalmente.

Um outro grupo, mais apegado a uma interpretação literal, achava que a infalibilidade estava na letra: “se a Bíblia diz que o sol parou”, diziam os fundamentalistas mais radicais, “é porque parou mesmo”, não importando o que diz a ciência moderna. Para esse segundo grupo, a Bíblia tal como se pode ler na atualidade corresponde exatamente aos escritos originais redigidos pelos escritores bíblicos. Para justificar as várias versões existentes, esse grupo definiu a versão King James (também conhecida como “Rei Tiago”), baseada numa tradução de Erasmo de Roterdan no século XVI, como única versão fiel aos escritos originais. Recentemente um grupo de fundamentalistas planejou queimar Bíblias não baseadas nessa versão [4].

Uma outra característica forte do fundamentalismo é o milenarismo. Os fundamentalistas recusavam as concepções liberais, que viam o mundo com otimismo, já que consideravam que o homem governado pela razão levaria a civilização ao progresso e a paz. Para os fundamentalistas a civilização não ia melhorar pelos esforços humanos. Isso só ocorreria com a volta triunfante de Cristo, inaugurando um reino de mil anos na terra. Poderíamos dizer que os liberais humanistas tinham uma visão otimista em relação ao ser humano. Os fundamentalistas, ao contrário, tinham uma visão bem pessimista do homem.

Uma palavra final
A linha que divide fundamentalistas e liberais não é tão nítida como parece. Dois famosos teólogos protestantes, Karl Barth e Rudolf Bultmann, por exemplo, apesar de se posicionarem contra a teologia liberal, são citados até hoje como liberais por muitos fundamentalistas.

Em minha opinião é doentio o fundamentalismo que insiste no chamado criacionismo da terra jovem, que afirma dentre outras coisas que o mundo foi criado em seis dias de 24 horas.  Como conseqüência o mundo teria cerca de seis mil anos. Por outro lado não dá pra imaginar alguém que se confessa cristão e nega a inspiração da Bíblia.

Horácio, poeta latino do primeiro século antes de Cristo, dizia que “Est modus in rebus”[5] (Em tudo deve haver um meio termo). Sei que isso nem sempre é fácil, mas eu acho que por meio do diálogo a igreja só tem a ganhar.

Notas:
[1] SCHWIKART, Georg. Dicionário ilustrado das religiões, 2001, p. 47.
[2] CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes na história no cristianismo, do incêncio de Roma ao crescimento da igreja na China, 1976, p. 176.
[3] Ibid, p. 177.
[4] Conforme publicado no site Notícias Cristãs: < http://news.noticiascristas.com/2009/10/igreja-baptista-planeia-queimar-livros.html>. Acesso em 17out2009.
[5] Horácio, Sátiras, 1,1,106.

Bibliografia:
BALMER, Haldall Herbert. Encyclopedia of evangelicalism. Louisville, Kentuky: Jonh Knox Press, 2002.

CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes na história no cristianismo, do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China. Tradução de Emirson Justino. São Paulo: Editora Vida, 1976.

DREHER, Martin N. Para entender o fundamentalismo. São Leopoldo, RS: Unisinos, 2002.

GONZALES, Justo. Historia del Cristianismo: Desde la era de la reforma hasta la era inconclusa - Tomo 2. Miami: Unilit, 1994.

KEPEL, Gilles. Jihad: expansão e declínio do islamismo. Tradução de Laís Andrade. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2003.

KEULMAN, Kenneth. Critical moments in religious history. Macon, Georgia: Mercer Univercity Press, 1993.

SCHWIKART, Georg. Dicionário ilustrado das religiões. Tradução de Clóvis Bovo. Aparecida, SP: Editora Santuário, 2001.

sábado, 3 de abril de 2010

GOOGLE LIVROS AGORA EM 3D

Quem gosta de dar uma expiadinha num livro antes de comprá-lo pode fazer isso sem ter que se deslocar até uma livraria. Basta usar o  "google livros". As obras estão disponíveis em três categorias de visualização: 

-Visualização completa (algumas disponíveis para baixar em PDF)
-Visualização parcial
-Visualização de trechos.

A partir do dia 01 de abril (não é pegadinha) alguns livros passaram a estar disponíveis em 3D. 

Clicando aqui  você pode visualizar a Teologia Sistemática de Paul Tillich.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

QUEM SÃO OS ILLUMINATI (ou Iluminati)?


Depois do sucesso dos livros de Dan Brown grupos de cristãos fundamentalistas têm produzido muito material (DVD, livros, internet) acusando os Illuminati (uma suposta organização secreta super-poderosa) de manipular a mídia a seu favor visando a dominação mundial. Já ouvi pessoas dizendo que não vão vacinar os seus filhos conta a H1N1 por acharem que essa campanha é na verdade um grande plano de extermínio (alguns falam em 80% da população mundial!!!). Mas será que existe mesmo uma sociedade secreta chamada Illuminati? Bem, em casos como esse é melhor consultar um dicionário especializado no assunto. Com a palavra o grande estudioso de tradições filosóficas “ocultas”, Nevill Drury:
“Termo usado pelos ocultistas, a partir do século XV, para designar adeptos iniciados que tivessem recebido introvisões místicas ou ‘iluminações’ de uma fonte transcendental. A Ordem dos Illuminati foi fundada em 1776 pelo professor bávaro de direito canônico Adam Weishaupt, mas não tinha propriamente um caráter esotérico e seus ‘segredos’ baseavam-se, em grande medida, nas obras de Voltaire e nos enciclopedistas franceses. Weishaupt e outro entusiasta, o Barão Adolph Knigge, posteriormente adaptaram os ensinamentos da Ordem com a intenção de se infiltrar na Franco-maçonaria. Um decreto instituído na Bavária em 1784 extinguiu todas as sociedades secretas – inclusive a Franco-maçonaria – e a ordem entrou em decadência. Contudo, ela passou por uma refervescência, por volta da virada do século, graças aos ocultistas Leopold Engel e Theodor Reuss. Em tempos mais recentes,     a idéia de uma fraternidade secreta de adeptos ou illuminati se popularizou com o escritor de romances ocultistas Robert Anton Wilson e com o guru da Nova Era Stuart Wilde”[1].
Ao que parece existiu mesmo uma sociedade secreta de cunho ocultista com o nome de Illuminati. Mas daí a dizer que possuem planos malévolos para a humanidade é outra coisa bem diferente. Carpe diem!


Nota:

[1] DRURY, Nevill. Dicionário de Magia e Esoterismo. São Paulo: Pensamento, 2002, p. 179. 

segunda-feira, 29 de março de 2010

CARTAZES DE GRUPO ORTODOXO JUDAICO AUMENTAM TENSÃO EM JERUSALÉM

Uma campanha patrocinada pelo movimento “Nossa Terra de Israel”, liderada pelo Rabino Shalom Dov VOLPO e o ativista Baruch Marzel tem causado polêmica. O grupo promoveu a distribuição de cartazes contendo a frase “para construir o Templo rapidamente em nossos dias.  A imagem do templo reconstruído estampada nos cartazes supõe a destruição da Mesquita Al Aqsa e do Domo da Rocha, já que elas não aparecem na imagem do novo templo. Esses locais são considerados sagrados pelos muçulmanos.

Falando ao
The Jerusalem Post, no domingo, Marzel disse que não foi um erro a ausência dos santuários islâmicos na imagem do cartaz. 

“Estamos representando a verdade, na frente de todos, e dizer em voz alta o que cada judeu acredita”, Marzel disse ainda que “O Terceiro Templo precisa ser construído de imediato no Monte do Templo e a mesquita não deveria estar lá”. 

Com relação à campanha, VOLPO disse que Israel está tomando fôlego para a vinda do Messias e a reconstrução do templo. 

“Os árabes e o presidente Obama sabem que o Templo será construído no Monte do Templo”, disse ele. “Em vez de as instalações provisórias que estão lá hoje”. 

A opinião do Numinosum:

A imprensa fala muito do “radicalismo islâmico” e pouco do “radicalismo judaico”. Outro erro é falar apenas em “terrorismo islâmico”. Vale lembrar que o primeiro grupo terrorista surgido na Palestina era judaico, o IRGUN (Organização Militar do Povo). Nem mesmo um livro que faz apologia ao governo de Israel pode negar esse fato:

“Antes do estabelecimento do Estado de Israel, grupos dissidentes – não sobre controle da Agência Judaica (o governo pré-Israel) ou da Hagganah (o exército oficial pré-Israel) – bombardearam o quartel-general do governo colonial britânico, localizado numa ala do Hotel King David, matando 91 pessoas”[1].

Em relação ao trecho: “não sobre controle da Agência Judaica [...] ou da Hagganah”, é claro que um livro pró-Israel vai negar que esse grupo terrorista agia com o consentimento da liderança judaica oficial. Isso não é muito diferente do que faz a atual liderança palestina.

Resumindo, não há nenhum mocinho nessa história.

Ótimas referências aos atos de terrorismo cometidos por grupos sionistas podem ser lidos na seguinte obra:

TERRA, J. M. A questão da Palestina. São Paulo: Loyola, 2003.

A notícia completa tratando sobre essa polêmica campanha pode ser lida aqui e aqui.

Nota:

[1] DERSHOWITZ, Alan. Em defesa de Israel. 2004, p.189.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A HALACHÁ E OS OSSOS HUMANOS

Depois da controversa decisão do governo Israelense de transferir o pronto-socorro Barzilai no Ashkelon Medical Center por causa de túmulos antigos encontrados no local, o diretor do Ministério da Saúde, Dr Eitan Hai-Am, pediu demissão do cargo. A descoberta dos ossos causou um intenso mal estar, já que na religião judaica os ossos humanos possuem um profundo valor religioso.

Para o Dr. Jeffrey Woolf, perito na lei judaica na Universidade Bar-Ilan, a Halachá (corpo de decisões legais presentes no Talmude) não contém nenhuma proibição ao transporte dos ossos para outro local. Mas o impasse parece não ter uma solução muito fácil, já que a questão envolvendo os ossos não é apenas religiosa, mas também política. Quem sai perdendo é a população.

Mais informações no The Jerusalém Post.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ESTUDIOSA AFIRMA: O GETSÊMANE NÃO ERA UM JARDIM, MAS UMA CAVERNA

O Evangelho de Marcos descreve Jesus e os discípulos indo para o Monte das Oliveiras após a última ceia. Eles atravessam o vale de Cedron e param para orar num local chamado Getsêmane (Mc 14,32), que significa “prensa do óleo”. Joan E. Taylor, pesquisadora na área de história e arqueologia da religião no Mediterrâneo Oriental durante os períodos helenístico e romano, destaca que nem Marcos e nem Mateus se referem ao local como sendo um jardim, mas apenas como propriedade ou simplesmente lugar. Mas João 18,1 fala que Jesus entrou em uma área cultivada (kepos), talvez um jardim. Acontece que o texto de João parece indicar que Jesus saiu (ep' auton) de dentro que algo que ficava no jardim após a chegada de um grupo de pessoas que queriam prendê-lo. A palavra “sair” não pode estar se referindo ao recinto do jardim, já que sua prisão ocorreu neste local. Mas afinal, Jesus saiu de onde?

Para Joan E. Taylor Jesus saiu de uma caverna que ficava dentro de um local cultivado no Monte das Oliveiras. As evidências para essa teoria estariam no fato dos discípulos terem dormido no local (um recinto coberto seria mais adequado), no costume de se construir prensas de azeite em cavernas e nos relatos de peregrinos cristãos dos primeiros séculos, que relataram a presença de presas de óleo subterrâneas localizadas no Monte das Oliveiras.


Dentre os livros publicados pela autora estão:



Christians and the Holy Places: The Myth of Jewish Christian Origins (Oxford: Clarendon, 1993).(Irene Levi-Sala Prize winner, 1995) 


The Immerser: John the Baptist within Second Temple Judaism (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1997; also published as John the Baptist: A Historical Study (London: SPCK, 1997).

O artigo completo (em inglês) pode ser lido aqui.