sexta-feira, 29 de junho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

TUDO FLUI

Num dia é brasa viva, noutro é cinza.
Num dia é lava fumegante, noutro é rocha fria.
Num dia é paixão, noutro, indiferença, repulsa, ódio.
Num dia é coração que pulsa, noutro é pó.
Como bem disse Qohelet, a vida é um sopro.

Num dia é pó, noutro, coração que pulsa.
Num dia é ódio, repulsa, indiferença, noutro, paixão.
Num dia é rocha fria, noutro, lava fumegante.
Num dia é cinza, noutro, brasa viva.
Com bem disse Qohelet, a vida é um ciclo. 

Jones F. Mendonça

terça-feira, 26 de junho de 2012

A PALESTINA [MAPA]

O rio Jordão nasce aos pés do Monte Hermon e desce serpenteando até desaguar no Mar da Galileia. O lago que tem nome de mar transborda e suas águas descem pelo vale do Jordão (a região mais profunda do planeta) até que encontram o Mar Salgado, cujo teor de salinização é cerca de seis vezes mais intensa que a dos oceanos. Gaza, fundada pelos filisteus  no século XII a.C.,  está ali, às margens do Mediterrâneo. Ao norte está o Monte Carmelo, tradicional cenário do confronto entre o Elias e os profetas de Baal. Seguindo em direção ao nordeste encontramos Cafarnaum, cidade onde passou a residir Jesus após sua fuga de Nazaré. Jerusalém, fundada por Davi e Samaria, fundada por Omri, entreolham-se, cheias de ressentimento, na região central da Palestina.

Se você tem dificuldade em situar geograficamente os locais citados acima, observe o mapa abaixo: 
Mapa da Palestina, por Jones F. Mendonça

"DESMONTANDO" O TEXTO HEBRAICO

O primeiro contato com o hebraico é sempre traumático: texto escrito da direita para a esquerda, consoantes muito semelhantes, sinais vocálicos que mais parecem respingos de tinta, etc. Com o objetivo de facilitar o aprendizado dos meus alunos, tenho desenvolvido um material que visa concentrar em poucas páginas o conteúdo apresentado em sala de aula. Abaixo mais um exemplo do meu esforço em tornar as aulas de hebraico mais agradáveis e produtivas:

Hebraico - tabela de tradução 1

sexta-feira, 22 de junho de 2012

LINKIN PARK - POINTS OF AUTHORITY

O mundo se dissolvendo sob um avião sem destino certo. Trágico, alguém dirá. Mas se ao fundo toca "Points of Authority", do Linkin Park, o acontecimento se transforma numa baita aventura. 


quinta-feira, 21 de junho de 2012

WILLIAM CRAIG E RICHARD DAWKINS: QUEM É O MAIS CHATO?


O primeiro é cristão, o segundo, ateu. Ambos são apologistas: Craig esforça-se em mostrar que é possível crer em Deus usando a razão (ele usa inclusive fórmulas matemáticas!).   Dawkins empenha-se em anunciar que “Deus é um delírio”. Dois chatos. Craig é metódico, sistemático e lógico (na verdade seu castelo lógico é construído sobre a areia). Dawkins é debochado, preconceituoso e tão desonesto quanto Craig.

Faço um trabalho sobre filosofia da religião e preciso ler um pouco do que os dois escrevem. Teria sido melhor escrever sobre o vento, a poeira ou faíscas cintilando numa noite escura.


Jones F. Mendonça.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

ARTE NO GOOGLE ART PROJECT


Mais uma opção para quem gosta de apreciar obras de arte produzidas pelos grandes mestres da pintura é o Googleartproject. Além de belas telas o site também contém preciosidades como o rolo de Isaías encontrado em Qumran (1QIsa)

Divulgue!


Jones F. Mendonça


sexta-feira, 15 de junho de 2012

O PASTOR, A SERPENTE E O PSIQUIATRA

BALDUNG GRIEN, Hans
Eva, a serpente e a morte
1510-12
Em 1948 o psiquiatra Willian Sargant foi convidado a passar um ano como professor visitante de psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade Duke, na Carolina do Norte, localizada no conhecido “Cinturão Bíblico”. Muitíssimo interessado nos chamados “cultos de possessão”, Sargant ficou bastante entusiasmado ao ler nos jornais locais relatos de pessoas manipulando cobras venenosas em cultos revivalistas. Após fazer contato com um pastor da região, o psiquiatra partiu para a igreja com sua esposa, sua máquina fotográfica e seu gravador. Suas experiências e impressões foram registradas no capítulo 20, “Revivals nos EUA”, do livro “A possessão da mente: uma fisiologia da possessão, do misticismo e da cura pela fé” (Imago, 243 páginas.). Eis um pequeno trecho (p. 224):
O tabernáculo Zion em Durham era um salão pequeno. O pregador ocupava um espaço quadrado diante de uma plataforma para onde os participantes exaltados afluíam no decorrer da reunião. Entre eles e a plataforma permanecia um coro, cantando e batendo palmas ritmicamente. O pastor Bunn e seus crentes temiam manusear essas cobras venenosas antes de notarem certos sinais que constituíam a prova de que o Espírito Santo descera na reunião e possuíra a congregação, e assim protegendo-os do mal. Os sinais eram dados por algumas das pessoas presentes apresentando os assim chamados “exercícios do Espírito”. Na realidade esses exercícios eram agitações e tremores histéricos do corpo e dos membros,ocorrendo habitualmente pouco depois do início da música do harmônico e do acordeão, e só então é que não havia perigo em abrir a caixa, tirar dali as cobras e passá-las de mão em mão. Assim que as cobras surgiam a excitação do grupo aumentava enormemente, e de maneira óbvia o pastor conseguia controlar a excitação reduzindo ou acelerando o compasso das palmas. Se desejava pregar, fazia então com que a congregação passasse temporariamente por um silêncio respeitoso.
Nas demais páginas, Sargant estabelece ligação entre o manuseio de serpentes, sexo, paralelos do fenômeno com cultos africanos, conversão religiosa, suicídio, loucura, hipnose, transe, êxtase e possessão. Apesar do seu ceticismo, o psiquiatra confessa: “minha esposa observou-me que eu parecia estar tão hipnotizado e em transe quanto os manuseadores de cobras que eu fotografava”. 

A notícia, veiculada pela mídia, da morte do pastor pentecostal Mark Wolford, no dia 27/05/12, após manusear uma cascavel durante um culto (inspirando-se em Mc 16,18), é apenas um dentre muitos casos.  E pensar que tudo começou com Eva, a primeira que ousou desafiar o bicho mais astuto da terra!


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 11 de junho de 2012

(QUASE) TODOS CONTRA RICARDO DE GONDIM


O juízo final, Jacob 
van Campen
A maioria dos Blogs evangélicos não fala de outra coisa: Gondim é um herege. Tudo porque o pastor resolveu defender publicamente: 1) que Deus não conhece as ações futuras das suas criaturas (uma opção voluntária do próprio Deus, com a finalidade de dar ao homem e a mulher verdadeira liberdade); 2) que a volta de Cristo (parousia) não será nas nuvens (tal descrição estaria condicionada a uma visão de mundo pré-científica, tal como defendia Rudolf Bultmann); e 3) que os não-cristãos também podem alcançar a salvação. Atenho-me hoje a declaração número um.

Os artifícios empregados por teólogos para resolver o conflito entre soberania divina e liberdade humana são muito criativos, mas todos falhos do ponto de vista lógico (nem discuto aqui versículos bíblicos, uma vez que entram em conflito entre si e, como consequência, são manipulados de acordo com as crenças de cada um). Calvino, por exemplo, dizia que até o pecado de Adão e Eva foi pré-ordenado por Deus. Ainda assim insistia em dizer que não pode ser imputada ao Criador a responsabilidade pelo pecado. Ora, faça-me o favor!

Para Armínio Deus não determina as ações humanas, mas as conhece de antemão. Fica a pergunta: se Ele (ou Ela) as conhece de antemão, já não temos um determinismo? Se a história de cada indivíduo foi escrita antes da “fundação do mundo” haverá alguém capaz de escapar dessa história escrita a ferro e a fogo? Personagens de um livro só fazem o que o autor escreveu (e se o autor da história humana não é Deus, quem é?).  

Gondim também não apresenta uma solução satisfatória para o problema. Ao dizer que Deus, num determinado momento (cronológico ou lógico, tanto faz), decidiu abrir mão de sua soberania, acaba por admitir que “antes” dessa decisão Deus era soberano e onisciente, e que, portanto, pré-determinou as ações humanas tal como defendia Calvino. O “abrir mão de sua soberania” seria mero “esquecimento” daquilo que já foi desejado e efetuado. Para ser coerente Gondim precisaria ser mais radical e defender que a soberania não é um atributo divino.

Todas as soluções apresentadas não passam de tentativas de entender o funcionamento de Deus. Tolas racionalizações humanas.  Meros discursos sobre o divino. A teologia de Gondim não é nova e nem melhor do que a de ninguém. E por que ainda fico com o pastor da Betesda? Por seu protesto, por sua coragem em desafiar o sistema, por seu lado humano. Gondim não é hipócrita, o que, em tempos modernos, já é uma grande virtude.


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 8 de junho de 2012

FILOSOFIA NAS LÍNGUAS ORIGINAIS (PARMÊNIDES, PLATÃO, EPICURO, SÊNECA, AGOSTINHO, NIETZSCHE...)

Há alguns anos, lendo o "Fédon" e "O Banquete", de Platão, fiquei curioso quanto as palavras gregas dos textos originais traduzidas por alma, amor, etc.  Dia desses, o André, meu aluno, sentiu-se atormentado pela mesma questão ao ler "A República". 

Eis alguns endereços úteis onde é possível encontrar textos filosóficos nas línguas originais, desde Platão a Nietzsche (é quase uma heresia pô-los lado a lado): 



Experimente ler o Fédon, de Platão, em grego (faça a opção "texto original" ou "inglês" em "hide Display Preferences", no canto inferior direito) ou "O Banquete" (com notas explicativas) aqui e aqui.

Talvez você queira ler "A República" com comentários no Google Livros (visualização completa). Faça isso clicando aqui.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A PALESTINA NO PRIMEIRO PERÍODO DO FERRO: 1180-900 a.C. [MAPA]

Certa vez baixei alguns desses programas que confeccionam mapas.  Os softwares são complicados e o resultado final é um trabalho com poucos atrativos visuais. Desde então tenho me aperfeiçoado em produzir mapas no Word. Sim, é isso mesmo, no Word. Uma das minhas maiores dificuldades foi encontrar uma maneira de pôr em evidência determinadas áreas, sem que isso comprometesse a imagem de fundo. Abaixo o resultado final de minhas experiências:


MARIO LIVERANI: PARA ALÉM DA BÍBLIA, PARTE II [APONTAMENTOS]


Continuação (leia o post anterior clicando aqui).

Depois de discorrer no quarto tópico sobre o domínio egípcio, Liverani passa a falar sobre a “a ideologia egípcia” (pp. 38-42). Ele destaca que os reis locais da Palestina se dirigiam ao Faraó como “Sol de todas as eras” e como “deuses” (no plural, à semelhança do hebraico elohim). Como demonstração de reverência prostravam-se “sete e sete vezes” (ou seja, sete vezes de bruços e sete vezes de costas) diante do soberano egípcio e declaravam-se “terreno do seu caminhar” e “escabelo sob seus pés” (Liverani comenta sobre as figuras que ornamentam a sandália de Tutankamon, por isso inseri uma foto sua, que não aparece no livro). Alguns textos produzidos por reis cananeus e citados por Liverani falam por si só: 
Ouvi as palavras do rei meu Senhor e meu Sol, e eis que protejo Megido, cidade do rei meu Senhor dia e noite: de noite eu protejo os campos com os carros, de noite protejo as muralhas do rei meu Senhor. Mas eis que é forte a hostilidade dos inimigos (habiru) no lugar (LA 88, de Megido).

Tudo o que sai da boca do rei meu Senhor, eu observo isso dia e noite  (LA 12, de Ascalon).
 Outro exemplo que põe em evidência a absoluta submissão dos reis cananeus em relação ao Faraó é um breve juramento de fidelidade: “jamais nos rebelaremos contra Sua Magestade”. O juramento se concretizava no pagamento de um tributo anual, hospedagem de mensageiros e caravanas egípcias e no fornecimento de princesas para o harém real acompanhadas de um rico dote.

Um último ponto destacado por Liverani quanto às relações entre os reis cananeus e o Faraó é a indiferença deste último frente aos pedidos de ajuda dos reis locais para combater seus inimigos. Os reis cananeus estavam habituados a um sistema de relações políticas baseado na reciprocidade, que não tinha correspondência na ideologia egípcia. Liverani apresenta mais textos produzidos por reis cananeus: 
Vê: Turbasu foi morto na porta de Sile, e o rei ficou calado/inerte! (LA 41, de Jerusalém).

Saiba o rei meu Senhor que se salvou Biblos, serva do rei, mas é muito forte a hostilidade dos inimigos (Habiru) cntra mim. Não fique calado/inerte o meu Senhor em relação a Sumura, que não passe tudo da parte dos inimigos (habiru)! (LA 132, de Biblos).
Por fim, Liverani conclui: “o único interesse do faraó estava em manter sob controle o sistema, pois sabia muito bem que o eventual usurpador de um trono local haveria de lhe ser tão fiel quanto o rei expulso e que, portanto, não valia a pena ser defendido”. Para os reis cananeus Faraó era um “deus distante”, de incerta confiança.

Continua aqui

Jones F. Mendonça

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A MORAL PROTESTANTE E A DIVERSÃO

O tempo passa e o conceito de “carnalidade” vai se transformando. O jornal presbiteriano “O Puritano” (10/08/1956) publicou a seguinte questão (Cf. ALVES, Rubem. Religião e repressão, p. 211):
É lícito a crentes dançar e levar seus filhos a bailes familiares ou de formaturas?
Resposta: A dança moderna, ou seja, os bailes em geral, profanos e mundanos, ou familiares, ou de clubes, ou de “gafieiras”, ou de formaturas, não cabem dentro de Filipenses 4,8-9 e 1 Coríntios 10,31. Devem ser evitados definitivamente pelos crentes.
O mais curioso é que nem um dos dois textos fala sobre dança! 

O jogo e a diversão também passaram pelo crivo dos legisladores presbiterianos:
A profanação do Dia do Senhor pode ser feita por meio de jogos e diversões que, apesar de inocentes noutros dias, são incompatíveis como repouso e santidade do Dia do Senhor. AG-1930-033.
Calvino fez escola...


Jones F. Mendonça 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MESTRES DA ILUSÃO: ESCHER, DALI, GONSALVES E OUTROS

Hoje o Numinosum completa três anos de vida. Nada melhor do que comemorar com arte. Recomendo aos leitores uma expiada na obra "Masters of Deception: Escher, Dali & the artists of optical illusion", parcialmente disponível no Google Books. Um conselho: vá até a página 18 e se deslumbre com as telas de Rob Gonsalves. A influência de René Magritte, M. C. Escher e Chis van Allsburg é nítida. Au revoir!



domingo, 27 de maio de 2012

O FUNÂMBULO E O FIO DA VIDA


Eis que vejo um funâmbulo. Diante dele uma corda estendida sobre o abismo sem fim. Ao alto o céu azul. Embaixo trevas profundas. O funâmbulo hesita. Seus joelhos se dobram. Seu coração retumba. Seus poros exalam suor.

Inesperadamente o funâmbulo reage. Enquanto respira bem fundo seu corpo se ergue. Seus passos, ainda hesitantes, seguem em direção ao vale sombrio. O céu, o abismo, o fio da vida, a solidão, o vazio. O funâmbulo olha para o abismo. O abismo retribui. Com o olhar fixo no horizonte, ele vai...

Jones F. Mendonça

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A ARQUEOLOGIA E A HISTÓRIA DE ISRAEL

Nenhum país no mundo chama tanta atenção da mídia quando algo é desenterrado em seu território quanto Israel. A descoberta de um caco de cerâmica, uma estela ou até mesmo  um caroço de azeitona queimado ou um osso de porco podem abalar ou reforçar a fé de judeus e cristãos espalhados pelo mundo. 

Visando reunir num só lugar o máximo de informações possíveis sobre o assunto, acabei produzindo o texto abaixo, disponível para download pelo Scribd. Busquei ser o mais imparcial possível. Eis o texto: 
A ARQUEOLOGIA E A HISTÓRIA DE ISRAEL

quarta-feira, 23 de maio de 2012

SELO DE ARGILA COM O NOME DE BELÉM ENCONTRADO EM JERUSALÉM

Notícia veiculada hoje no Haaretz (23/05/12): 
Um pedaço de argila foi encontrado durante escavações arqueológicas na Cidade de David, em Jerusalém, com o nome da cidade de Belém escrito em hebraico antigo. O pedaço de argila remonta ao período do Primeiro Templo (1006 - 586 aC), tornando-se a primeira evidência tangível da existência da cidade de Belém em tempos antigos.
 Apesar da existência de Belém nunca ter sido questionada, a descoberta tem o seu valor.


Jones F. Mendonça

domingo, 20 de maio de 2012

PROLEGÔMENOS À HISTÓRIA DE ISRAEL, DE JULIUS WELLHAUSEN, NO PROJETO GUTTEMBERG

Muito citado em livros sobre teologia do Antigo Testamento, "Prolegômenos à História de Israel", escrito em 1883 por Julius Wellhausen, mudou profundamente a maneira como se lê o Antigo Testamento. Na obra, o professor de línguas orientais na Universidade de Marburg defendeu a tese de que  "a história de Moisés não é o ponto de partida para a história do Antigo Israel, mas para a história do judaísmo". 

Apresento aos leitores duas maneiras de consultar a obra:

1) Leia em inglês (obra completa) no Google Livros (exibida com permissão da Forgotten Books). Faça isso clicando aqui.
  
2) Leia em português no Projeto Guttemberg, em HTML, com tradução do Google. Faça isso  clicando aqui


Jones F. Mendonça

UMA IMAGEM, DUAS VERSÕES: COLONOS ARMADOS ATIRAM EM PALESTINOS

Foto: Haaretz
Colonos israelenses e palestinos entraram em confronto ontem (24/mai) numa área entre Yitzhar e a aldeia de al-Qibliya. Num vídeo enviado à imprensa colonos aparecem atirando (com fuzis!) em palestinos enquanto soldados do IDF ficam de braços cruzados. A notícia saiu no Haaretz e no J Post. Assista aos vídeos, leia as matérias e tire suas próprias conclusões:

Assista aqui (câmera 1) e aqui (câmera 2). 

Jones F. Mendonça

sábado, 19 de maio de 2012

A TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO NA WEB


Eis o que se pode achar (em espanhol, porque em português, quase nada há de bom) para download na WEB (esnips, 4shared, calaméo, scribd, etc.) sobre teologia do Antigo Testamento: 
BRUEGGEMANN, Walter. Teologia del Antiguo Testamento - um juicio a Yahvé. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2007. 
DURNESS, William. Temas de la teologia del Antiguo Testamento. Miami, Fl.: Editorial Vida, 1989.
EICHRODT, Walter. Teologia del Antiguo Testamento II. Madrid: Ediciones Cristandad, 1975.
RAD, Gerhard Von. Estudios sobre el Antiguo Testamento. Salamanca: Sígueme, 1976.
RAD, Gerhard Von. Teologia del Antiguo Testamento, vol I. Salamanca: Sígueme, 1976.
RAD, Gerhard Von. Teologia del Antiguo Testamento, vol II. Salamanca: Sígueme, 1976.
VERKINDÈRE, Gerard. La justicia en el Antiguo Testamento. Estella: Editorial Verbo Divino, 2001.
DRANE, John. Introdución al Antiguo Testamento. Barcelona: Editorial Clie, 2004.
NOTH, Martin. El mundo del Antiguo Testamento. Madrid: Ediciones Cristandad, 1976.
SICRE, Jose Luis Sicre. Introducción al Antiguo Testamento. Estella: Editorial Verbo Divino, 2000.
VV, AA. Historia, narrativa, apocalíptica. Estella: Editorial Verbo Divino, 2000.
Jones F. Mendonça

ÓSTRACO DE QEIYAFA: A MAIS ANTIGA INSCRIÇÃO EM HEBRAICO?

Um dos argumentos utilizados por Garfinkel para sustentar que a fortaleza de Qeiyafa foi habitada por israelitas é uma inscrição num caco de cerâmica, datada para o século X, supostamente redigida em hebraico. Num artigo publicado na ASOR (14/05/12), Christopher Rollston apresenta seis razões para discordar desse posicionamento. 

Leia o artigo já traduzido pelo Google aqui
Em inglês, aqui

Para conhecer uma defesa de que a inscrição foi feita em hebraico (e que se refere a Saul!), clique aqui


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 18 de maio de 2012

GOG E MAGOG COMO ANTÍTESE DA CRIAÇÃO EM EZEQUIEL 38-39

Com download gratuito para países com baixa renda per capita (como o Brasil), o livro: "The Disarmament of God: Ezekiel 38-39 in Its Mythic Context" pode ser baixado aqui (site da SBL, em inglês). Abaixo a descrição completa do livro: 
Fitzpatrick, Paul E., SM, The Disarmament of God: Ezekiel 38-39 in Its Mythic Context. Catholic Biblical Quarterly Monograph Series, 37. Washington, The Catholic Biblical Association of America, 2004.
O autor defende que os capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel contém um substrato mítico. Considerações sobre o significado de Gog e Magog na página 82. 

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 16 de maio de 2012

TUM BALALAIKA, O MELHOR DO JUDAÍSMO ESTÁ AQUI

Uma antiga canção de amor em iídiche. Uma banda russa-israelense pra lá de pesada. O resultado: um som capaz de unir judeus e palestinos após um debate sobre os territórios ocupados (é brincadeira, claro!). Ah, só para explicar o título da música: Tum = ruído; balalaica = instrumento musical de cordas de origem russa. 


Ouça outra versão da música, mais melódica, aqui


Jones F. Mendonça

ISRAEL AOS OLHOS DO MUNDO

Uma pesquisa realizada pela BBC colocou Israel numa posição negativa próxima ao Irã e a Coreia do Norte. O amor ou ódio por Israel teve as seguintes motivações (conf. J Post 17/05/12):
As pessoas que viram Israel negativamente em todo o mundo citam a política externa do Estado judeu como o principal fator de influência em sua percepção, enquanto aqueles que vêem Israel positivamente citam a cultura e as tradições judaicas.
Achei bem interessantes as opiniões dos leitores do jornal (os mesmos que na semana passada aprovavam, numa enquete, a destruição da casa da família de palestinos condenados pela justiça). Não deixe de lê-las. Para alguns, não gostar da política de Israel é ser anti-semita. Pode?



Jones F. Mendonça

terça-feira, 15 de maio de 2012

NASCEU EM ISRAEL, TEM MÃE JUDIA, MAS LHE FOI NEGADA A CIDADANIA

Uzi Ornã nasceu em Israel e é filho de mãe judia. Após  retornar para Israel em 1948 declarou-se "sem religião". Agora ele quer ter sua cidadania israelense reconhecida, mas...
O Haifa District Court na terça-feira rejeitou um recurso apresentado pelo professor Uzi Ornã, que procurou forçar o Ministério do Interior de Israel a reconhecer sua cidadania baseada no fato de que ele nasceu em Israel, e não que é judeu.

Ornã, um lingüista e membro da Academia da Língua Hebraica, que também é o fundador da Liga contra a coerção religiosa em Israel, pediu ao Ministério do Interior em 2010 para reconhecê-lo como um israelense, não em razão de ser judeu, mas porque ele nasceu em Israel.
Continue lendo no Haaretz (15-05-12).  

Um pouco mais sobre a Lei do retorno aqui


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 11 de maio de 2012

LEITOR MARTVIEW: UMA IDEIA PRA LÁ DE LEGAL [E É GRÁTIS!]

Fuçando na internet achei um programa chamado Martview. Trata-se de um leitor de livros/revistas com um design muito elegante capaz de reconhecer arquivos em PDF, GIF, JPG, PNG, ZIP, cbr, e cbz. Quando você instala e abre o programa, acredite, milhares de revistas escritas nos mais variados idiomas são colocadas à disposição para download. Eis alguns temas: animais, arquitetura, arte, fotografia, mangá, casa & jardim, música, ciência, viagens, etc.  


Para baixar as revistas é muito simples. Com o programa aberto leve o cursor para a parte superior da tela e vai aparecer uma guia com vários ícones, dentre eles "download E-books". Clique no ícone e um mundo de opões vai se abrir. Ah, você pode filtrar os livros/revistas por idioma. 

Você desejou isso? Clique aqui


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O RENASCIMENTO DA HIPÓTESE DOCUMENTAL DE WELLHAUSEN NO THE BIBLE AND INTERPRETATION

O The Bible and Interpretation publicou um artigo intitulado: “The Re-emergence of source criticism: the neo-documentary hypothesis”, escrito por Joel S. Baden, professor assistente do Antigo Testamento na Yale Divinity School. Fala-se numa hipótese neo-documentária (David Wright). Na chamada para o artigo vem escrito:
A Hipótese Documental, praticamente abandonada como método de estudo para o Pentateuco nos últimos 40 anos, está passando por um ressurgimento significativo, embora de uma forma nova e com argumentos mais precisos. Mais uma vez ela se apresenta como uma teoria significativa para a formação do Pentateuco.
Comentam o artigo figuras como Niels Peter Lemche e Philip Davies.

O texto em inglês aqui.
Com tradução do Google aqui.
Uma sinopse do livro de Baden aqui

Jones F. Mendonça

terça-feira, 8 de maio de 2012

PRIMEIRAS EVIDÊNCIAS DE CULTO EM JUDÁ SÃO DESENTERRADAS [?]

Altar de cerâmica encontrado em
Queiyafa (foto: Universidade he-
braica de Jerusalém). 
Conforme divulgado aqui, Yosef Garfinkel anunciou hoje a descoberta de objetos desenterrados em Khirbet Qeiyafa, uma cidade fortificada datada para o século X, situada no vale de Elah, a 30 km de Jerusalém.  Discordando de críticos como o arqueólogo israelense Israel Finkelstein, Garfinkel sustenta que a fortificação foi habitada por israelitas. A ausência de ossos de porco, de imagens humanas ou de animais e a presença de construções típicas da realeza  seriam evidências de que o sítio foi ocupado por indivíduos que já praticavam o monoteísmo, viviam sob o governo de um rei e seguiam preceitos da lei mosaica. 

Será?

Leia  relatório completo no Israel Ministry of Foreign Affairs

A opinião do arqueólogo Aren Maeir (faz escavações na cidade filisteia de Gath) aqui

Considerações sobre a ausência de ossos de porco em escavações na Palestina aqui

Matéria sobre Qeiyafa publicada no Haaretz em maio do ano passado aqui

Leia algumas críticas ao comunicado de imprensa aqui

Jones F. Mendonça

segunda-feira, 7 de maio de 2012

PROFANAÇÕES, DE GIORGIO AGAMBEN [LIVRO]

Foi-me recomendado por e-mail pelo Cláudio, amigo que não vejo há alguns anos,  a obra "Profanações", do filósofo italiano Giorgio Agamben. Encontrei uma antiga entrevista concedida pelo filósofo a Gianluca Sacco, publicada no calvinismo.com: "Da teologia politica à teologia econômica". Repasso a sugestão do Cláudio aos leitores do Numinosum. 


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 4 de maio de 2012

YOSEF GARFINKEL ANUNCIARÁ DESCOBERTA ARQUEOLÓGICA NO DIA 8

Fiquei sabendo pelo Paleojudaica que o arqueólogo Yosef Garfinkel (faz escavações em Kuttamuwa, no vale de Elah, veja aqui, aqui, aqui e aqui), anunciará no dia 08 de maio uma descoberta arqueológica que poderá dar contribuições para a história, para a arqueologia e para os estudos bíblicos. 

Como Garfinkel é maximalista, é de se esperar que as tais descobertas sejam apresentadas como prova para historicidade de algum evento narrado na Bíblia no contexto do século X a.C. (período davídico-salomônico).  Segundo Garfinkel foi no vale de Elah que Davi enfrentou o gigante Golias. Estou curioso...



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O AUMENTO DOS MILITARES NO GOOGLE

A defasagem salarial dos militares deixou sua marca no site de busca mais famoso do planeta. Quando se digitam no Google as três letrinhas "a-u-m" é isto o que acontece:


Jones F. Mendonça

terça-feira, 1 de maio de 2012

TRADUZINDO LIVROS ESTRANGEIROS DO GOOGLE LIVROS

Uso frequentemente o Google livros em minhas pesquisas, mas a carência de obras com informações atualizadas em português é um problema que acaba limitando meu trabalho. Leio bem o espanhol, tenho me dedicado ao inglês nas horas vagas, mas quanto ao alemão e o francês sou completamente cego. Saber que o Google livros disponibiliza uma ampla variedade de obras em outros idiomas é uma experiência angustiante para mim. 

Ontem, inconformado, saí em busca de uma solução e descobri um site que promete transformar imagem em texto. Pensei com os meus botões se ele não seria capaz de converter a página de um livro disponível no Google livros (no formato imagem) em texto editável. Fiz uma experiência com o a seguinte obra: 


O trecho em francês (copiado como imagem com a tecla "print screen"): 


Com a imagem já salva no meu micro, abri o site "Free OCR", escolhi o idioma (francês) e carreguei a imagem salva clicando em "send file" (carregar arquivo). Pronto! Depois só tive o trabalho de traduzir o trecho para o português com o tradutor do Google. O resultado é o que você vê abaixo (fiz algumas pequenas correções entre colchetes): 
3,2. Mulheres na teologia deuteronomista

Para  meu conhecimento [ou: "Pelo que sei"], não existem estudos sistemáticos sobre o papel atribuído as mulheres e a representação das mulheres na teologia Deuteronômio [deuteronomista]. O que as leis do Deuteronômio [dizem] sobre as mulheres? Existe uma representação feminina ideal ou típico[a] [do] deuteronomista [em relação] à personagem feminina? Podemos tentar reunir alguns elementos para responder a esta pergunta.
É, dá um pouco de trabalho, mas você se acostuma. No exemplo acima traduzi apenas um trecho do livro, mas você pode usar o Free OCR para digitalizar uma página inteira. Viva o Google!


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A FORMAÇÃO DO PENTATEUCO: ESCRITO BÁSICO, FONTES, CÍRCULOS NARRATIVOS.

Desde que o deísta inglês Thomas Hobbes (Leviatã), o protestante francês Isaac de la Peyrène (Pré-adamitas), e o judeu Baruch Spinoza (Tractatus theologico politicus), puseram em dúvida a autoria de Moisés na maior parte do Pentateuco, inúmeras hipóteses foram formuladas com o objetivo de apresentar uma solução que explicasse de forma convincente a formação do Pentateuco. Os três modelos básicos a seguir representam uma síntese de tudo o que foi dito até hoje:
  • A hipótese do escrito básico (ou da redação continuada): o Pentateuco formou-se a partir de um documento básico único, contendo a narrativa que vai da Criação até a morte de Moisés. Tal documento teria sido ampliado diversas vezes pela inclusão de textos parciais escritos ou transmitidos oralmente ou por emendas atualizadoras e interpretadoras.
  • A hipótese das fontes (ou modelo das camadas): o Pentateuco formou-se a partir de diversos documentos fonte, originalmente independentes (épocas e lugares distintos). Na sua formulação clássica: fonte Javista (J), Eloísta (E), Deuteronomista (D) e Sacerdotal (P). Catástrofes regionais, tais como o desaparecimento do reino do Norte e o exílio babilônico teriam impulsionado a “costura” dessas fontes, deixando pistas bem visíveis, tais como duplicações e tensões entre narrativas.
  • A hipótese dos círculos narrativos (ou modelo dos blocos):  Durante séculos círculos narrativos (Criação e dilúvio, Abraão, Jacó, Êxodo, Sinai, etc.) tiveram sua própria história de crescimento. Diferentemente do que propõe a hipótese do escrito básico, essas narrativas tiveram sua própria história de crescimento. Na época do exílio esses círculos narrativos foram unidos formando um nexo narrativo abrangente “da Criação à morte de Moisés”. Mais tarde esse texto teria recebido uma ou mais redação(ões) posterior(es).
Tais hipóteses foram retrabalhadas recentemente por alguns pesquisadores, tais como M. Rose e J. van Seters (escrito básico); L. Ruppert e P. Weimar (hipótese das fontes) e Rolf Rendtorff e E. Blum (círculos narrativos). Além dessas três linhas de pesquisa houve a tentativa de combinar o modelo dos círculos narrativos com o modelo de fontes, conforme apresentado por W. H. Schmidt. Fiz um pequeno resumo deste modelo para os meus alunos após consultar dois autores: Erich Zenger (Introdução ao Antigo Testamento) e Franz Josef Standebach (Israel e seu Deus). Abaixo o resultado:

Jones F. Mendonça

PENTATEUCO

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A QUATERNIDADE EM PAUL TILLICH E CARL JUNG

O despir-se de Cristo (detalhe) - 1501
Francesco di Giorgio Martini
Dia desses numa conversa com um aluno, o Eduardo, surgiu o tema da ampliação da trindade pela incorporação de Maria. O fenômeno, vivenciado na prática por inúmeros católicos ao redor do mundo, tem recebido apoio de muitos padres (sem falar do apoio popular) para que ganhe o estatus de dogma. Eduardo estava escandalizado. Expliquei-lhe que a quaternidade é um tema caro a Carl Jung. O psicólogo suíço percebeu que a tetractys surge espontaneamente nos sonhos de seus pacientes como expressão do divino (entenda-se por "divino", uma imagem arquetípica). 

Jung chega a defender que a quaternidade como símbolo da divindade remonta à era pré-histórica, como as "rodas solares paleolíticas (?) da Rodésia". Resumindo: o dogma diz "três". O inconsciente insiste: "quatro". Resíduos arcaicos dos nossos ancestrais. 

Outro que discute a quaternidade é Paul Tillich. Pedi para que o Eduardo desse um pulinho na biblioteca e consultasse a teologia sistemática do teólogo alemão. Na letra "C" do capítulo 4 da parte IV vem o título: "reabrindo o problema trinitário". Eis o que ele diz:
Referências ao poder mágico do número três não são suficientes, pois outros números, por exemplo, o número quatro, ultrapassam o três na escala mágica [...]. O poder simbólico da imagem da virgem Maria desde o século 5 até os nossos dias impõe uma pergunta ao protestantismo, que afastou radicalmente este símbolo [a quaternidade] na luta da Reforma contra todos os mediadores humanos entre Deus e o ser humano. Neste expurgo, praticamente eliminou-se o elemento feminino na expressão simbólica de nossa preocupação última. O espírito do judaísmo, com seu simbolismo exclusivamente masculino, prevaleceu na Reforma. Sem dúvida, este foi um dos motivos para o grande sucesso da Contra-Reforma frente à originalmente vitoriosa Reforma. No próprio protestantismo, isto fez com que surgissem, no pietismo, imagens de Jesus bastante efeminadas; este fato também motivou muitas conversões às igreja grega e romana, e igualmente explica a atração do misticismo oriental sobre muitos humanistas protestantes. 
A trindade, a quaternidade e tantos outros símbolos emergem do inconsciente de forma involuntária. Muitos deles se tornam dogma não pela arbitrariedade de uma autoridade eclesiástica, mas pelo clamor dos fiéis. Nas palavras de Jung: "essa insistência, no fundo, é a ânsia do arquétipo em se tornar concreto". Como no catolicismo dogmas são irrevogáveis (cf. DS 2145), Maria permanecerá como co-redentora, num trono que apenas tangencia o círculo da trindade. Entre os protestantes a quaternidade buscará novas expressões. Será uma aparição velada, travestida, mas ela há de ressurgir. 

Jones F. Mendonça