terça-feira, 9 de novembro de 2021

PROTESTANTISMO E IDEOLOGIA LIBERAL

1. Ao contrário do que aconteceu na Europa, no Brasil o catolicismo dominou soberano por três séculos, praticamente sem qualquer tipo de disputa pelo espaço religioso com o protestantismo. Assim que chegaram no país, no século XIX, os protestantes passaram a ser vistos como ameaça por “novas ideias e falsos princípios”, sobretudo pela burguesia rural, interessada na manutenção do status quo. Os protestantes eram, de maneira geral, liberais sob a perspectiva política e econômica.

2. Enquanto a burguesia latifundiária rural defendia a velha ideologia feudal ibérica, os protestantes chegavam trazendo consigo, além da religião, a nova ideologia liberal anglo-saxônica. Imaginavam, inspirados na filosofia do destino manifesto, que eram representantes do progresso econômico, político e cultural. Na prática os missionários protestantes atuavam – conscientes ou não – como agentes do imperialismo estadunidense.

3. As portas para as religiões de matriz protestante se abriram em 1810, por meio do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação celebrado entre a Coroa Portuguesa e a Inglaterra. Embora fosse um tratado comercial, o documento assegurava aos ingleses residentes no Brasil, a “perfeita liberdade de Consciência, e licença para assistirem, e celebrarem o Serviço Divino em honra do Todo Poderoso Deos” (art. XII).

4. Os locais de culto, no entanto, precisavam ter a arquitetura “semelhante às casas de habitação” e, um detalhe importante: não podiam ter sinos para anunciar as atividades religiosas. Você pode acessar e ler o documento  escrito no bom português do século XIX e digitalizado pela equipe da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin  clicando aqui.

 

 Jones F. Mendonça

 

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