Um
verbo muito comum utilizado no AT para sugerir que um homem teve relações
sexuais com uma mulher é “Yadá” (conhecer): Adão “conhece” Eva (Gn 4,1); Caim “conhece”
sua mulher (4,17); os homens de Sodoma querem “conhecer” os mensageiros divinos
hospedados na casa de Ló (19,5), etc.
Mas
yadá não significa “conhecer profundamente” como insistem muitos comentaristas
bíblicos. Yadá é simplesmente "conhecer", tal como em Is 1,3: "o boi conhece o seu dono". Nos casos citados no parágrafo anterior, Yadá é utilizado como metáfora. Aliás, há uma outra, pouco
conhecida.
Nesta
semana, traduzindo o livro bíblico de Rute, encontrei por acaso uma expressão tão
comum quanto yadá para se referir ao encontro ardente entre homem e mulher: “vayyabo
eleyha” (algo como “veio até ela”). Em Rt 4,13 Boaz toma Rute como
esposa, “vai até ela” e ela engravida.
A
expressão reaparece com o mesmo sentido em Gn 29,23 (Lia e Jacó), 30,3-4 (Bila
e Jacó), 38,2 (Judá e Sué), 38,18 (Tamar e Judá), Jz 16,1 (uma prostituta e
Sansão) e 2Sm 12,24 (Bat-shebá e Davi). Em Jz 13,6, a mãe de Sansão diz que um homem de Elohim "veio até mim". O texto estaria sugerindo algo mais que um encontro?
Em
alguns casos o verbo aparece associado a nomes próprios femininos (e não a um
pronome). Dois exemplos: Abraão “vai até” Hagar (Gn 16,4) e Jacó “vai até”
Raquel (29,30). Hagar engravida após o “encontro”. Raquel não engravida porque
é estéril.
A
única ocorrência do verbo “ir” indicando o movimento de um homem em direção a
uma mulher fora do contexto sexual ocorre em Jz 4,22: Baraque “vai até Jael”
(uma mulher guerreira), para que ela lhe mostre o corpo de Sísera morto com uma
estaca na fronte.
Então
que fique claro: no AT, quando um homem “vai até” uma mulher, provavelmente planeja
algo além de um encontro casual.
Jones
F. Mendonça