quinta-feira, 7 de abril de 2016
O FUTURO NO FÍGADO ESQUADRINHADO
Modelo de fígado babilônico em argila utilizado para
instruir alunos na arte divinatória (1900-1600 a.C.). A prática de consulta do
fígado de animais pelos babilônios com o propósito de prever o futuro é
mencionada em Ez 21,21:
"Com efeito, o rei da Babilônia se deteve na
encruzilhada, no começo dos dois caminhos, a fim de recorrer à sorte. Agitou as
flechas, consultou os terafins e observou o fígado".
A imagem em altíssima resolução aqui.
Mais imagens e informações sobre o artefato no British Museum aqui.
Jones F. Mendonça
segunda-feira, 4 de abril de 2016
EXORCISMO, ORIFÍCIOS E TREPANAÇÃO
Em seus Diálogos, o papa Gregório Magno (século VI) conta a
história de uma freira que ficou possuída após comer uma alface em cujas folhas
se escondia um demônio (Dial. 1.4.8).
Na Antiguidade (e atualmente entre os melanésios) alguns
curandeiros praticavam a trepanação, abrindo orifícios na cabeça do
paciente para que os demônios pudessem sair.
Nesta figura, do século XV, você vê São João Boaventura
exorcizando uma mulher que expele um demônio pela boca (repare nos olhos “virados”
da mulher).
Veja a imagem em seu contexto original na BibliotecaNacional da França (selecione a folha 84r no canto inferior direito).
Jones F. Mendonça
sexta-feira, 1 de abril de 2016
NOLI ME TANGERE
Você saberia dizer
(sem colar!) que cena bíblica é retratada nas obras abaixo? Todas têm o mesmo
título latino: "Noli me tangere".
Os autores das
obras com suas respectivas datas:
-Caracciolo, 1620
-Bronzino, 1561
-Tiziano 1511-12
Jones F. Mendonça
terça-feira, 29 de março de 2016
A FALHA SIRO-AFRICANA [GEOGRAFIA BÍBLICA]
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A imagem mostra o norte da África (destaque para o Egito) e
a costa oriental do Mediterrâneo (Israel/Cisjordânia, Líbano, Síria, Turquia).
Repare na grande fenda (a falha siro-africana, a região mais baixa do planeta) que
vai do sopé do Hermon ao Mar Vermelho, causada pelo encontro entre duas placas
tectônicas, a arábica e a africana.
Do norte para o sul: Monte Hermon, Mar da Galileia, Rio
Jordão, Mar Morto e os Golfo de Áqaba (à direita) e de Suez (à esquerda). Entre
os dois golfos do Mar Vermelho está o deserto do Sinai (o monte Sinai fica mais
ao sul, por isso não aparece na imagem).
Jones F. Mendonça
sexta-feira, 25 de março de 2016
COELHINHOS NUMA MISSA MEDIEVAL
Coelhinhos [da
páscoa?] celebrando uma missa na margem (marginália) de um manuscrito do século XIV. Dê uma boa expiada no manuscrito visitando esta página da British Library.
Jones F. Mendonça
quinta-feira, 24 de março de 2016
JERUSALÉM, POR EDWARD LEAR
ISAÍAS SERRADO AO MEIO
O martírio de
Isaías num manuscrito medieval (Espéculo Humanae Salvationis, fl 24r) tal como
sugere o livro apócrifo da “Ascensão de Isaías” (5,1):
A tradição da
morte do profeta sob o reinado de Manassés parece ter deixado reflexos no livro
de Hebreus: “Foram lapidados, foram serrados e morreram assassinados com golpes
de espada” (11,37).
Jones F. Mendonça
quarta-feira, 23 de março de 2016
PURIM, MÁSCARAS E VINHO
Na celebração judaica do Purim (dia 12 do mês de adar) é comemorada a salvação dos judeus persas das mãos de Hamã, tal como
relatada no livro bíblico de Ester. Além dos trajes curiosos (como na foto acima),
há outros detalhes na festa que chamam a atenção, como esta orientação do
Talmude:
No Purim a pessoa é obrigada a beber (vinho) a ponto de não mais ser capaz de distinguir entre “Maldito seja Hamã” e “abençoado seja Mordecai” (Talmud, Meguilá 7b).
Jones F. Mendonça
sábado, 19 de março de 2016
OS MANUSCRITOS BÍBLICOS E AS GUERRAS NO ORIENTE MÉDIO
Aquisição volumosa
e repentina de manuscritos bíblicos desconhecidos dos estudiosos e do público
em geral levanta suspeita de que Museu da Bíblia privado dos EUA, a ser
inaugurado em 2017, tenha em seu acervo documentos e artefatos contrabandeados
do Oriente Médio. A denúncia vem de Joel Baden, professor de Bíblia hebraica na
Yale Divinity School. No texto, ele destaca que:
A maioria dos colecionadores particulares mantém os detalhes de suas compras em sigilo. A prática existe em parte para proteger os vendedores que podem ter razões pessoais para esconder suas identidades, como a dificuldade financeira. Mas isso também protege o vendedor inescrupuloso.
Leia mais aqui.
Jones F. Mendonça
sexta-feira, 18 de março de 2016
JERUSALÉM, AL QUDS
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Consegui este
ângulo da cúpula da Rocha em alta resolução num jornal árabe (alquds = nome
persa para a cidade de Jerusalém).
Em destaque a
Cúpula da Rocha, templo muçulmano construído no final do século VII nas ruínas
do famoso templo de Herodes.
Ao fundo, no Monte
das Oliveiras, uma belíssima igreja ortodoxa russa com cúpulas igualmente
douradas. À sua direita (vista do observador) um cemitério judaico.
Jones F. Mendonça
domingo, 13 de março de 2016
SOBRE COISAS INÚTEIS, VÃS E SEM SENTIDO
“Vaidade das
vaidades, tudo é vaidade”, diz Qohelet (ou “o pregador”, em Ecl 1,2). Vaidade
aí é hevel = sopro, fumaça, névoa, como em Jó 7,16: “minha vida é um sopro (hevel), ou como em Zc 10,2 “os adivinhos oferecem consolações vãs (hevel)”.
Uma vez que a
palavra “vaidade” (=natureza daquilo que é vão, inútil) tem, nos dias de hoje, sentido
bastante restrito, geralmente designando alguém que se preocupa demais com sua
própria aparência, a tradução clássica “vaidade das vaidades, tudo é vaidade”
acaba não reproduzindo bem o sentido do texto hebraico.
Quem lê o livro
com atenção percebe a tônica do seu discurso: “não há nada de novo debaixo do
sol” (Ecl 1,9), logo, “tudo, inclusive o que parece novo, inédito, é hevel,
névoa”. “Muita sabedoria, muito desgosto” (1,18), por isso “tudo, inclusive a
sabedoria, é hevel, neblina”. “Quem ama o dinheiro nunca está farto” (5,10),
daí a declaração “tudo, inclusive a riqueza, é apenas fumaça”.
O livro teria tom
pessimista e negativo se aconselhasse a abolição da vida, a supressão do prazer
ou o desprezo pelo mundo sensível, mas na verdade consiste numa “exaltação da
alegria” (8,15; ver ainda 52,24 e 5,18). Embora a vida pareça suspensa sobre o
vazio – diria Qohelet - viva-a com todas as tuas forças.
Jones F. Mendonça
quarta-feira, 9 de março de 2016
O REI DAVI COMO EM GAME OF THRONES
Novo seriado produzido pela ABC (“Reis e profetas”) promete
contar a história da ascensão do rei Davi ao trono no estilo “Game of Thrones”.
O especialista convidado para dar suporte histórico é ninguém menos que Reza
Aslan, autor do Best-seller “Zelota, a vida e a época de Jesus de Nazaré”.
Leia no The Times of Israel:
Jones F. Mendonça
terça-feira, 8 de março de 2016
OS CABELOS DE MADALENA
Curiosa representação medieval e renascentista de Maria
Madalena vestida com seus próprios cabelos. A imagem à esquerda, do final do século XV,
ilustra um manuscrito destinado à Rainha Bona da Casa de Sforza, segunda esposa
de Sigismundo, o Velho. A imagem à direita é obra de Antonio del Pollaiolo, também do
século XV.
Jones F. Mendonça
sábado, 5 de março de 2016
BÍBLIA HEBRAICA PARA KINDLE
“O Kindle não
reconhece caracteres hebraicos”, é o que eu ouvia aqui e ali. Fiz algumas
buscas no Google e encontrei esta versão gratuita da Bíblia hebraica com sinais massoréticos e um
índice pra lá de interativo. Embora o texto seja exibido no modo retrato (não é possível, por exemplo, buscar o significado das palavras num dicionário) o e-Book conta com um dicionário hebraico no final. Os interessados devem descarregar o arquivo aqui.
Jones F. Mendonça
terça-feira, 1 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
COMBATE MORTAL EM “A VIDA DOS SANTOS”
Você arriscaria
uma interpretação para esta imagem?
Sim, parece um
sacerdote fazendo o sinal de “paz e amor” a um lutador do game Mortal Kombat
cuspindo uma besta de três cabeças. Será?
É claro que não. A
imagem retrata o exorcismo de Leão IX. Repare no báculo e na mitra papal. O
sujeito de verde está possuído por um demônio (que dá as caras saindo pela
boca) e o papa faz o sinal do Pantocrator, símbolo da onipotência divina, a fim
de repreendê-lo. O que parecem sinais indicando a trajetória do possuído é na
verdade uma costura feita para emendar a folha rasgada do manuscrito.
A imagem ilustra a
página 191r do manuscrito “Vida dos santos”, produzido no século XII. Você
poderá folhear suas belas páginas ilustradas aqui:
Jones F. Mendonça
sábado, 27 de fevereiro de 2016
JERUSALÉM, O IMPERADOR E A LOJA DE DOCES PALESTINA
Em 130, após
visitar Jerusalém com seu amante Antinoo, o imperador Adriano decidiu transforá-la numa clássica cidade romana, erradicando deliberadamente seu caráter
judaico. Em 132-135 os
judeus se revoltaram sob a liderança de Bar Kokhba, que acabou morto pelas
tropas lideradas por Júlio Severo.
Resquício dos
edifícios de Adriano podem ser vistos, por exemplo, na loja de doces Zalatimo,
que incorpora os restos da porta do Templo de Júpiter e a entrada do fórum
principal. Eis uma foto do local:
Você pode visitar
o site oficial da tradicional loja de doces Zalatimo aqui.
Veja algumas fotos
do interior da loja aqui.
Jones F. Mendonça
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
O TERMO “PALESTINA” EM “HISTÓRIAS” DE HERÓDOTO E "ANTIGUIDADES" DE JOSEFO
Para quem acredita
nessa história de que o termo “Palestina” é invenção do imperador romano
Adriano, em 135 d.C., vale consultar Heródoto: Esta parte da Síria, com toda a região que se estende até as fronteiras do Egito, chama-se Palestina (Histórias, VII, 89).
Heródoto, para
quem não sabe, viveu no século V a.C.
O que Adriano fez
foi mudar o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina (=cidade de Aelius, ou
seja, cidade de Adriano). O nome não colou. Ainda bem, Jerusalém soa bem
melhor.
Até mesmo Josefo (37-100 d.C.), um judeu fariseu, não hesitou em usar a designação mais comum para a região:
“Abraão, agora removido de Gerar da Palestina, levando Sara junto com ele...” (Antiguidades,I, 12).
Pessoalmente uso o termo Palestina (ou Siro-Palestina) para designar a costa oriental do Mediterrâneo. Há quem não goste do termo porque parece legitimar a relação dos palestinos (árabes que passaram a ocupar a região após a diáspora judaica) com a terra, como se desde Heródoto eles estivesse lá. Ora, isso não faz qualquer sentido, afinal os palestinos são chamados assim por causa do antigo nome da região e não o contrário.
Jones F. Mendonça
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
UR DOS SUMÉRIOS, UR DOS CALDEUS
1) Ruínas, às margens do Eufrates, Iraque;
2) Ilustração (por Balage Balogh) representando a cidade tal como era com base em suas ruínas. Destaque para o Zigurate, dedicado ao deus Nin-Gal e Nannar (deus e deusa associados à lua).
2) Ilustração (por Balage Balogh) representando a cidade tal como era com base em suas ruínas. Destaque para o Zigurate, dedicado ao deus Nin-Gal e Nannar (deus e deusa associados à lua).
Jones F. Mendonça
domingo, 14 de fevereiro de 2016
O FÉRTIL CRESCENTE [GEOGRAFIA BÍBLICA]
Com a ajuda do
fantástico Google Earth Pro, do editor de vídeo Format Factory e da música de
Ensemble Peregrina, finalmente consegui concluir o vídeo para a aula de terça.
Ufa!
Jones F. Mendonça
sábado, 13 de fevereiro de 2016
AMOR PICANTE EM "ROMAN DE LA ROSE"
O poema francês medieval
Roman de la Rose, um sonho alegórico sobre o amor escrito no século XIII, está
dividido em duas partes: 1) amor cortês (por Guilherme de Lorris) e 2) amor
mundano (por Jean de Meun).
A segunda parte, polêmica
por sua misoginia e sensualidade, contém imagens como essa:
É ou não picante?
Jones F. Mendonça
CRISTO FARMACÊUTICO NO GALLICA
Uma ilustração
muito curiosa: Cristo como farmacêutico prescrevendo uma receita para Adão e
Eva. Enquanto Cristo esbanja simpatia, o casal esbanja vergonha.
No Printerest diz
que foi produzida em 1537 e que está disponível na Biblioteca Nacional da
França (BNF). Visitei o Gallica (site da BNF) em busca de maiores informações e
encontrei o seguinte:
Título: Chants royaux sur la Conception, couronnés au puy de Rouen
de 1519 à 1528;
Data de emissão: 1501-1600
Tipo: manuscrito
Idioma: francês
Formato: Velino, miniaturas
Caso queira
visitar dar uma boa expiada no manuscrito, clique aqui (a imagem aparece no
folio 82v).
Jones F. Mendonça
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
O MURO DAS LAMENTAÇÕES E A SEGREGAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO
Numa decisão
considerada histórica, o governo de Israel aprovou projeto que viabiliza a
oração conjunta entre homens e mulheres no Muro das Lamentações.
Atualmente as
orações são realizadas em seções separadas por uma espécie de cerca (48m
reservados aos homens e 17m às mulheres). A ideia é criar uma terceira seção
mista (81m), controlada por uma comissão composta por judeus reformistas.
A novidade desagradou
grupos de judeus ultra-ortodoxos como os membros do partido Shas (dizem que a
medida “prejudica a tradição”). Com uma justificativa diferente, mas
igualmente contra a criação de um terceiro pavimento, aparece Eilat Mazar,
respeitada arqueóloga israelense.
De acordo com
Mazar, as obras para a criação do novo espaço poderiam ser desastrosas, uma vez
que serão realizadas na última área remanescente onde os sinais da destruição
do Segundo Templo, há pouco menos de 2.000 anos, podem ser testemunhados.
Para Anshel Pfeffer, do jornal israelense Haaretz, a decisão de criar um terceiro espaço
representa uma derrota para os progressistas e não uma vitória. Para ele, a
aceitação de uma zona de oração isolada revela a “submissão do governo à
hegemonia fundamentalista”.
Jones F. Mendonça
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
MACABEUS, ESPORTES E PREPÚCIOS
Há, no livro
deuterocanônico de 1 Macabeus (1,14-15), uma passagem muito curiosa:
Construíram [alguns judeus helenistas], então, em Jerusalém, uma praça de esportes, segundo os costumes das nações, restabeleceram seus prepúcios e renegaram a aliança sagrada.
Como assim “restabeleceram
seus prepúcios”?
Expiando, no Google
Livros, algumas páginas de “Amor e sexo na Grécia Antiga”, de Reinholdo Aloysio
Ullmann (EDIPUCRS, 2007, p. 70), deparo-me com isto:
A infibulação, contrariamente à castração, era muito comum na Grécia. Puxava-se o prepúcio sobre a extremidade do pénis e era amarrado com uma corda. Qual a finalidade? Evitar que, nos exercícios de ginástica e congêneres, aparecesse a glande. Tal tipo de infibulação só podia ser ocasional e não permanente.
“Renegar a aliança
sagrada”, para os tradicionalistas macabeus, seria algo parecido com a
infibulação?
Jones F. Mendonça
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
HOLOCAUSTOS
Um povo que foi subjugado tantas vezes (Egito, Assíria,
Babilônia, Pérsia...). Que lutou em tantas ocasiões por sua liberdade
(Macabeus, Zelotes, Bar Kokhba). Que foi perseguido por suas crenças e por suas
tradições na Europa cristã e nas terras sob domínio islâmico. Um povo que que
foi moído pelas lâminas do nazismo...
Agora coloniza terras palestinas na Cisjordânia.
Jones F. Mendonça
O VATICANO E A EVANGELIZAÇÃO DOS JUDEUS
Boa parte da imprensa (UOL, Reuters, Exame, G1) noticiou que
o Vaticano produziu um documento orientando os católicos “a não tentarem
converter judeus”. Não é bem assim:
A Igreja, portanto, deve entender o evangelismo aos judeus, que acreditam no único Deus, de uma maneira diferente daquela direcionada àqueles que pertencem a outras religiões ou que tenham outras filosofias de vida.
Na verdade o documento não proíbe a evangelização, apenas
orienta que isso "deve ser feito de uma maneira diferente". Sobre a
salvação dos judeus "sem uma confissão explícita de Cristo", o
documento diz que é "mistério insondável do Divino".
O texto guarda uma boa dose de ambiguidade. Leia-o na
íntegra no site do Vaticano (em italiano):
Jones F. Mendonça
domingo, 24 de janeiro de 2016
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