quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O JESUS E O DAVI HISTÓRICO

Gerd Theissen, no prefácio de “O Jesus histórico: uma manual” (que acabo de adquirir):
A ciência não diz “foi assim”, mas “poderia ter sido assim com base nas fontes”. [...] A ciência nunca diz “é assim”, mas “assim se nos apresentam as coisas no estado atual das pesquisas” – e isto significa: “no estado de nossos acertos e erros”. [...] A ciência não diz “este é o nosso resultado”, mas “este é o nosso resultado com base em determinados métodos” (THEISSEN, 2002, p. 13,14). 
Com o Antigo Testamento não é diferente. Durante muito tempo os arqueólogos duvidaram da existência de Davi. Não questionavam a existência do personagem israelita simplesmente porque queriam implicar com os religiosos, mas porque a declaração de sua historicidade não estava fundamentada em evidências. Quando em 1993/94 a estela de Tel Dan foi descoberta no norte de Israel (lia-se nela: “byt Dvd” = casa de Davi), restaram poucas dúvidas de que um indivíduo israelita chamado Davi de fato existiu e foi importante o suficiente para fundar uma “casa de Davi”.

Mas a estela não diz que ele foi um rei que governou todo o Israel como uma monarquia unificada (até o momento as evidências apontam em outra direção). Nem que matou Golias ou que teve atritos com um filho chamado Absalão ou que participou de uma série de outras aventuras narradas na Bíblia. A ciência porá em cheque todas essas narrativas. Fará isso não porque deseja implicar com os religiosos, mas porque “assim se nos apresentam as coisas no estado atual das pesquisas” – e isto significa: “no estado de nossos acertos e erros”.

Amanhã, quem sabe, novas descobertas poderão mudar completamente o que sabemos sobre o Antigo Israel no período do Bronze recente. Tais descobertas poderão depor a favor da historicidade de determinadas narrativas bíblicas. Mas também poderão depor contra, afinal, como nos diz Theissen: “nosso resultado [é baseado] em determinados métodos”. Se as evidências, examinadas sob determinados métodos, apontam para o sul, não há porque seguir para o norte. A menos que se coloque a ciência sob o cabresto da fé. Neste caso não poderá ser chamada de ciência.  Será mero instrumento do dogma.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIMENSÃO ESCATOLÓGICA DE ISAÍAS 24-27

De todos os livros classificados como proféticos, quatro merecem uma atenção especial uma vez que são considerados os primeiros profetas escritores: Isaias, Amós, Oseias e Miqueias.  Os quatro exerceram sua atividade no século VIII a.C., um período marcado pela prosperidade no reino do Norte governado por Jeroboão II. É forte a ênfase desses profetas nos problemas sociais provocados pela concentração da riqueza nas mãos da classe dirigente.

Mas na leitura e interpretação desses livros devem ser levados em conta os acréscimos e interpolações feitas em épocas tardias. O livro de Isaías, por exemplo, tem sido dividido em três partes, elaboradas, no mínimo, por três autores: Proto-isaías (pré-exílico, Is 1-39), Dêutero-Isaías (exílio, Isa 40-55) e Trito-Isaías (pós-exílico, Is 56-66). Há várias pistas que depõem a favor dessa distinção, mas quero me concentrar nos acréscimos e interpolações tomando como referência os vestígios da presença de um pensamento escatológico mais evoluído em textos erroneamente atribuídos ao Proto-Isaías. O trecho em questão: Is 24-27 (chamado de "'apocalipse' de Isaías"). Ainda que estejam inseridos no bloco atribuído ao Proto-Isaías, tais capítulos se enquadram muito melhor no período pós-exílico.

A descrição de uma ruína cósmica em Is 24 (“castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra”, cf. 24,21), o uso de símbolos mitológicos (“com sua espada severa... castigará o Leviatã”, cf. 27,1), o universalismo (“o Senhor dos exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete”, cf. 25,6), a crença na ressurreição (“os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão”, cf. 26,19) e o forte desejo por um futuro radicalmente diferente, expresso na esperança de que Deus fará “desaparecer a morte para sempre” (25,7) e que vai “enxugar as lágrimas em todos os rostos” (25,8), refletem o desespero diante da decadência da comunidade pós-exílica.

Além de todos esses elementos, tipicamente presentes em textos pós-exílicos, outro indício bem forte da composição tardia do texto é Is 27,12:
Naquele dia o Senhor padejará o seu trigo desde as correntes do Rio [Eufrates], até o ribeiro do Egito e vocês, israelitas, serão ajuntados um a um”.
O texto supõe uma diáspora dos israelitas, referência a parte do povo que se fixou principalmente na Mesopotâmia e no Egito após a queda de Jerusalém nas mãos de Nabucodonosor em 587 a.C. A datação do texto, portanto, deve ser situada, no mínimo, para o período o exílio (587-537).

Há dois textos que merecem uma investigação melhor. O primeiro, particularmente curioso, aparece em 24,21:
Naquele dia Yahweh visitará o exército do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. E serão ajuntados como presos numa cova, e serão encerrados num cárcere; e serão punidos depois de muitos dias”.
Há quem pense que “exército do alto” (tzeba hamarom) seja uma referência aos “falsos deuses”, mas nessa época o henotismo já havia sido superado pelo monoteísmo. Talvez seja apenas um elemento mitológico tomado das nações vizinhas, como em Is 14. O texto pode ter sido utilizado como matriz para o desenvolvimento da crença nos “anjos caídos”, cuja história é contada em detalhes no livro apócrifo de 1Enoque (II séc. a.C.) e repetida em livros canônicos como Judas (6,7) e Apocalipse (12,7-9).  

O segundo texto é o que fala da ressurreição dos mortos (26,19).
Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó; porque o teu orvalho é orvalho de luz, e sobre a terra das sombras fá-lo-ás cair.
É possível que a referência aí seja ao crescimento numérico do povo de Israel, abalado pela dramática experiência do exílio. “Ressuscitar” (qutz), nesse sentido, seria uma metáfora poética, como na visão de Ez 37. Mas se levarmos em conta os textos do Trito-Isaías, sua ênfase na renovação radical do mundo (65,17), e a longevidade restituída aos israelitas, tal como experimentada pelos antigos patriarcas (“quem morrer aos cem anos ainda será jovem” e “terá vida longa como as árvores”, cf. 65,20-22), parece-me mais provável pensar, considerando ainda a presença de tantos elementos de uma teologia tardia, na hipótese de que se trata mesmo de uma referência à ressurreição dos mortos tal como aparecem nos livros de Daniel (12,1-3) e I Enoque (51). Caso seja esta a interpretação correta, será preciso deslocar a redação do texto para o II século a.C. Neste caso Is 24-27 constituiria uma obra à parte do Proto-Isaías, Dêutero-Isaías e Trito-Isaías.  


Jones F. Mendonça


domingo, 23 de fevereiro de 2014

PI, O TIGRE E O TROVÃO

O personagem Pi, do filme, encantava-se com forças caóticas e cegas da natureza. Inicialmente enamorou-se por um tigre. Depois por uma tempestade no umbigo do mar. Mas tigres são perigosos, devoram dóceis cervos, mostrou-lhe seu pai. Tempestades destroem barcos e ceifam entes queridos, ensinou-lhe a vida.

O homem primitivo também se encantava com as forças da natureza. Personificou-as. Deu-lhes nome. Achou poder controlá-las com ritos, oferendas e invocações específicas. Pensava poder domesticar impulsos selvagens e irracionais.

Influenciados por uma nova doutrina, certos povos passaram a situar essas forças personificadas num outro mundo, num ambiente supra-terreno. Identificaram o belo com o bom. O “outro mundo” foi concebido como lugar ideal. Desejaram o nada. E assim nasceu o asceta. E assim nasceram as religiões da moral.


Jones F. Mendonça


VERSUS AVESTA

Para uns: polícia “do mal” versus manifestantes “do bem”. Para outros: heróis fardados versus turba de bandidos em desordenada exibição.

Rasas simplificações. Retórica perversa que ilude incautos. Lógica medíocre semeada e cultivada no universo digital. Discursos hiperbólicos num mundo bi-polarizado.

Curtir, compartilhar, incitar, enganar, atacar, mentir, dissimular. Cizânias sem fim.  Prédica rota num mundo em constante convulsão.

Brasil seccionado, transmutado, transversalizado pelo fluxo contínuo de ideologias que se revezam no vale do Amargedom.

Triste legado de Maniqueu!


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O QUINTO LIVRO DE CALVINO

João Calvino escreveu suas Institutas em quatro volumes. A obra expõe com detalhes a doutrina elaborada pelo reformador francês que se instalou inicialmente em Basileia, na Suíça, fugindo das perseguições que ocorriam na França. O teólogo de Noyon diz no livro I (XVII, 13) que a ira divina não deve ser identificada como a ira experimentada pelos meros mortais. Trata-se de um antropomorfismo. Quando o texto afirma que Deus se arrependeu, ou ficou irritado, ou se entristeceu – explica o reformador - o leitor deve ter em mente que essa é apenas leitura feita sob a perspectiva humana. Se Deus é imutável, impassível e atemporal logo não pode ter sentimentos semelhantes aos dos humanos, conclui o reformador.

Faltou-lhe antropomorfizar o amor divino e todo o discurso que a teologia vem apresentando sobre Deus. Três séculos depois e me aparece Feuerbach...



Jones F. Mendonça

O QUADRO NÚ


O sujeito vai a Galleria degli Uffizi, Florença, Itália. Depara-se com “A anunciação” (1472-1474), de Da Vinci. Nela aparecem, numa imobilidade solene, Maria e o anjo Gabriel. A obra retrata, numa perspectiva renascentista, o anúncio do nascimento de Jesus à Virgem, escolhida para gerar o Salvador (cf. Lc 1,26). Um belo quadro.

O tal sujeito é um sujeito de fé. Crê no dogma do nascimento virginal, na Maria como virgem não injuriada em sua virgindade e mãe de Deus, Theotokos, Dei genitrix, Mater Christi, simultaneamente mãe de Deus e de Jesus, aquela que “ora pro nobis” como versa a ladainha. Vem-lhe à memória o texto de Is 7,14, citado por Mateus (1,23), que o interpretou como profecia messiânica. A fé aquece-lhe a alma. Com os olhos rúbidos ele se recolhe emocionado num canto. Minutos depois deixa a sala.

Atrás do sujeito de fé vem um estudante de arte. Atem-se ao fundo da tela. Percebe que atrás da Virgem e do anjo há uma paisagem tipicamente toscana, com características ciprestes e montanhas rochosas. Mais ao fundo nota uma pequena cidade lacustre do norte da Itália. Depois foca sua atenção nos gestos, na mesa de mármore na frente da Virgem, nas vestes e nas asas do anjo, realisticamente inspiradas nas asas de um pássaro. O estudante sabe que apesar de tradicionalmente atribuída a Da Vinci, exames minuciosos tem demonstrado que a tela provavelmente recebeu pinceladas de outros artistas (Ghirlandaio? Verrocchio?). Com a alma embevecida ele se vai.

Quando examino as páginas da Bíblia observo como o segundo sujeito. Atenho-me aos detalhes, aos anacronismos, às diferentes camadas do texto, sobrepostas como se fossem obra de um único artista. Vejo Isaías em mil tons, os retoques feitos em Jó, as marcas dos muitos pincéis que compuseram o Pentateuco, as intervenções tardias feitas em Oseias. É o que vejo. Não me deixo cegar pela devoção. Ainda assim, extasio-me.


Jones F. Mendonça


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ARQUEOLOGIA BÍBLICA E CIÊNCIA

O trabalho do arqueólogo ou historiador que se debruça sobre a região da Siro-Palestina e não vê como históricos determinados eventos relatados no Antigo Testamento geralmente é visto como ateu ou anti-sionista, dadas as implicações negativas de suas teorias para a credibilidade da fé judaico-cristã e na reivindicação de Israel pelo território por ele atualmente ocupado. Dois exemplos de profissionais que atuam nessa área de pesquisa e negam, por exemplo, a historicidade do Êxodo e da ocupação de Canaã pela força das armas sob a liderança de Josué tal como apresentada no relato bíblico são Israel Finkelstein (arqueólogo) e Mario Liverani (historiador).

Ainda que a Bíblia descreva a saída dos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó do Egito, sua peregrinação pelo deserto e a tomada violenta das cidades cananeias como Jericó, Ai e Hazor, qualquer historiador comprometido com a ciência e seus métodos se esforçaria para demonstrar se tais eventos de fato ocorreram ou não passam de lendas religiosas elaboradas por sacerdotes e líderes regionais.  Muita gente acha que esse trabalho crítico é feito apenas em relação ao relato bíblico, constituindo uma espécie de perseguição com o propósito de destruir a fé de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas isso não é verdade. Para citar um exemplo, posso apresentar o trabalho crítico feito pelo historiador Prado Custódio (Alexandre Magno: aspectos de um mito, Annablume, 2006).   Não se trata, como pode sugerir o título do livro, de uma tentativa de demonstrar que o proeminente líder macedônio não existiu, mas de apresentar evidências de que o próprio Alexandre tentou divinizar sua linhagem e sua pessoa a fim de parecer mais que um simples homem. Quem de fato foi Alexandre? Pergunta-se o historiador.  Qual o grau de historicidade da Bíblia? Pergunta-se o mesmo o mesmo sujeito interessado em reconstruir a história.

Cabe ao historiador reunir evidências que demonstrem a plausibilidade ou implausibilidade de relatos registrados pelas mais diversas culturas. No caso do Êxodo, por exemplo, não há qualquer registo, seja no Egito ou nos povos vizinhos, de uma fuga em massa de pessoas em direção à costa Oriental do Mediterrâneo em meados do segundo milênio a.C. Tampouco há vestígios arqueológicos no deserto que possam confirmar que tão grande números de pessoas (cerca de três ou quatro milhões!) tenha permanecido no deserto por aproximadamente quatro décadas.  A falta de documentos ou registros arqueológicos não implica necessariamente na negação do Êxodo ou de outros relatos presentes na Bíblia, mas torna sua existência pouco plausível sob o ponto de vista histórico. As saídas encontradas por pesquisadores religiosos para lidar com esse desconforto e manter a credibilidade do relato têm sido diversas. Há quem sugira um erro do copista no trecho que registra o número de hebreus que saíram do Egito. Um número reduzido de fugitivos tornaria o relato mais crível considerando que seria natural a ausência de vestígios tão evidentes. Outros propõem uma tradução diferente para o termo “elef”, traduzido por “mil” em Ex 12,37. O fato é que não se pode mais lidar com o texto bíblico de maneira ingênua e acrítica.

Quanto à tomada das cidades cananeias tais como Jericó, Ai, Libna e Hazor os problemas não são menores. Ora, se não houve uma fuga maciça de hebreus vindos do Egito, de onde vieram os israelitas e como puderam conquistar cidades fortificadas? Relatórios feitos a partir da análise do material escavado em Jericó sugerem que as muralhas da cidade já estavam destruídas quando os israelitas chegaram à região. Na opinião de alguns arqueólogos o relato da destruição da cidade presente no livro de Josué seria uma espécie de conto etiológico com o objetivo de explicar a presença de ruínas de uma antiga cidade. Mas há quem discorde, como o arqueólogo Bryant Wood.

Registros arqueológicos tem demonstrado que por volta de 1200 a.C. a costa mediterrânea que vai do norte da Síria ao Egito foi abalada por invasões de povos vindos do mar (dentre eles os filisteus), causando destruição em diversas cidades-estado da região. Tal invasão parece coincidir com o estabelecimento dos israelitas na Palestina. A estela de Merneptah (1207 a.C.) confirma a existência de um povo chamado Israel na região, mas é difícil dizer com certeza se esse grupo pode ser identificado com os israelitas da Bíblia. Há quem prefira o termo proto-israelita (William G. Dever). Outros sugerem uma tradução diferente. A referência seria a Jezreel, um vale que fica ao norte, nas proximidades do Mar da Galileia e não a Israel. Mesmo que consideremos que o documento se refira a um povo chamado Israel, outras perguntas se impõem:  Trata-se de um grupo étnico bem definido? Nômades? De onde vieram?

Quando o assunto é a monarquia israelita a discussão fica acirrada. Hoje ninguém (ou quase ninguém) duvida da existência de um rei chamado Davi, ou melhor de um líder israelita chamado Davi (a estela de Tel Dan refere-se a uma “beyt David” = “casa de Davi”). Mas faltam evidências arqueológicas concretas que atestem a existência de uma monarquia unificada sob a liderança desse israelita, por isso ele tem sido tratado por alguns estudiosos (como Israel Finkelstein) com mero líder tribal. Eilat Mazar, por outro lado, insiste que há evidências suficientes para dar crédito ao texto bíblico, que apresenta Davi como um rei que governou todas as tribos israelitas a partir de um palácio em Jerusalém.

É importante ressaltar que muitas das dúvidas quanto à historicidade de alguns relatos bíblicos não se apoia apenas na arqueologia. Uma leitura atenta do texto hebraico revela anacronismos que não podem ser negligenciados. Histórias duplicadas, nomes diferentes para um mesmo local, interpolações no texto, palavras persas e aramaicas em textos supostamente antigos favorecem a opinião de que os textos conheceram um longo processo redacional. Na opinião dos mais otimistas, relatos como o do Êxodo, da conquista de Canaã, das aventuras do rei Davi e da construção de um magnífico templo pelo rei Salomão possuem ao menos fundo histórico. Para os mais pessimistas toda a narrativa do Antigo Testamento não passa de uma invenção pós-exílica empreendida por pessoas instruídas que viviam em Jerusalém. Pessoalmente não sou tão pessimista assim. Mas também nem ingênuo e nem tão cego. 


Jones F. Mendonça

domingo, 2 de fevereiro de 2014

SANGUE DE PRATA

“Seus líderes julgam a troco de suborno, seus sacerdotes ensinam por lucro, e seus profetas adivinham em troca de prata” (Miqueias de Moréshet – século VIII a.C.).


Jones F. Mendonça

sábado, 1 de fevereiro de 2014

DAVI E JÔNATAS: AMOR E POLÍTICA

Davi e Jônatas, por Cima da
Conegliano - 1505-10
Almas ligadas...
“A alma (néfesh, fôlego de vida) de Jônatas ligou-se com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma” (1Sm 18,1);

Melhor que o amor de mulheres...
“Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (2Sm 1,26);

Um afeição muito grande...
“Porém Jônatas, filho de Saul, estava muito afeiçoado a Davi” (1Sm 19,1);

Amor profundo...
 “Porque o amava com todo o amor da sua alma” (1Sm 20,17);

Amor e política I...
“E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto” (1Sm 18,4);

Amor e política II (e Saul ainda era vivo...)
“e Yahweh seja contigo, assim como foi com meu pai” (1Sm 20,13-16).

Deixando de lado a polêmica a respeito do tipo de amor que unia Davi e Jônatas, há algo muito claro na intenção do redator:

-Davi é digno da realeza;
-Saul é indigno;
-Jônatas, o herdeiro legítimo, aprova ser substituído por Davi (!).

Quer saber dos herdeiros de Saul, morto numa batalha ao lado de três de seus filhos?
Isboset, filho de Saul, foi traído por seus homens, tendo seu ventre rasgado enquanto dormia (2Sm 4). Mefiboset, neto de Saul e herdeiro legítimo do trono (aleijado e relativamente inofensivo), passou o resto dos seus dias no palácio sob os olhos atentos do rei. Quanto aos demais herdeiros, ameaças reais ao trono ocupado por Davi:
...o rei [Davi] tomou os dois filhos de Rizpa, filha de Aías, que ela tivera de Saul, [...] como também os cinco filhos de Merabe, filha de Saul, que ela tivera de Adriel, [...] e os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante Yahweh (2Sm 28,8-9).
É, não sobrou ninguém da “casa de Saul” para reivindicar o trono (exceto Mica? Cf. 2Sm 9,12). E você ainda acredita na inocência de Davi? 



Jones F. Mendonça

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

GÊNESIS NO MAPA (CAP 12-47)

Clique para ampliar (resolução: 1437x1017)

Anotações:
1) Ur, no início do segundo milênio é “Ur dos sumérios” e não “dos caldeus” (um anacronismo do redator).

2) A terra da qual Abraão saiu, em Gn 21,34, não podia ser “dos filisteus” (outro anacronismo do redator), pois eles só chegaram à costa Oriental do Mediterrâneo por volta de 1200 a.C. (ver também Gn 12,6 e 26,8).

3) O relato destaca a construção de altares em Siquém, Betel, Hebron e Moriá provavelmente para atribuir aos patriarcas antigos altares cananeus ou para dar um caráter sagrado a santuários anteriormente profanos. 

4) O artifício utilizado por Abraão para ocultar do Faraó sua relação marital com Sara, em 12,13, reaparece em 20,2 (agora com o rei de Gerar, Abimeleque). Isaque também oculta do mesmo Abimeleque, “rei dos filisteus” (mais um anacronismo), em Gerar, que Rebeca é sua mulher em Gn 26,7. A repetição da história com detalhes tão semelhantes inquieta o leitor mais atento, que logo percebe que o tríplice relato consiste em versões diferentes do mesmo acontecimento ou tradição popular. 



Jones F. Mendonça

domingo, 26 de janeiro de 2014

FÉ E HISTÓRIA

Imagem: Tablet.com
Há quem considere perseguição por parte dos historiadores e arqueólogos não religiosos o ceticismo que mantém em relação a historicidade de boa parte da narrativa bíblica. Ocorre que historiadores sempre levam em conta o grau plausibilidade de um relato. Se determinado texto sagrado diz que um homem piedoso iluminou os céus com a chama emanada de seu dedo indicador, o historiador nega. Se o Novo Testamento relata que um profeta de Nazaré caminhou pelas águas de um lago situado na costa Oriental do Mediterrâneo o mesmo historiador nega. O critério deve ser o mesmo para qualquer texto, inclusive os não religiosos.

"Ah" - diz o apologista - "mas ninguém questiona a historicidade da vida de Sócrates, filósofo grego da Antiguidade". É claro que questiona! "Ah" - brada o advogado da doutrina - "mas ninguém duvida que Alexandre, o Grande, foi de fato aquele personagem que está nas linhas dos registros antigos". É claro que duvida! O bom historiador sempre duvida. Aliás, a curiosidade e a dúvida são os motores da ciência. A investigação histórica sempre será um projeto inacabado. Já o dogma...

A fé pertence a uma outra esfera. Trata-se de uma escolha. A plausibilidade pode ser zero, mas o sujeito de fé continua sustentando sua crença mesmo que as evidências mostrem o contrário. “Então você está dizendo que o tal ‘sujeito de fé’ é um louco?”, perguntam-me. Não, louco é quem acha que a investigação histórica pode proporcionar um fundamento à fé e à teologia cristã.

E há muitos loucos por aí. 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ROLEZINHO


PARA ALÉM DA BÍBLIA, DE MÁRIO LIVERANI, PARTE III [APONTAMENTOS]

Fiz, aqui e aqui, breves apontamentos a respeito da obra “Para além da Bíblia”, de Mário Liverani. Trata-se de uma "tentativa nova de reescrita da história de Israel, levando em consideração os resultados da crítica textual e literária, as contribuições da arqueologia e da epigrafia". 

A primeira parte dos apontamentos destaca os elementos que considerei mais importantes no primeiro capítulo, que tem como título “A Palestina no Bronze Recente, séculos XIV-XIII” (até a página 38). Foram resumidos os seguintes tópicos: “paisagens e recursos” (modesta em recursos naturais, porém rica pela estratificação simbólica das memórias), “fragmentação política” (dividida em “Estados cantonais típicos”), descontinuidade dos assentamentos” (concentração nas áreas mais adequadas para a agricultura) e “domínio egípcio” (que cobre o período de 1460-1170 a.C., tendo como principais sedes de governo egípcio três centros siro-palestinos: Gaza, Kumidi e Sumura).

Na segunda parte, ainda no primeiro capítulo, resumi as principais características da ideologia egípcia, evidenciando o grau de submissão dos reis cananeus ao Faraó e a indiferença deste em relação aos problemas enfrentados por seus dominados com invasores “habiru”.  Liverani destaca que o Faraó era para os reis cananeus um “rei distante”. O tópico “ideologia egípcia” se estende até a página 42.

Dando seguimento aos apontamentos e encerrando o primeiro capítulo, destacarei os principais pontos dos tópicos 6 (o palácio e sua centralidade), 7 (prosperidade econômica e trocas comerciais), 8 (Vilas e órgãos colegiados), 9 (os nômades “externos”) e 10 (as tensões socioeconômicas). 
  • Em “O palácio e sua centralidade” (p. 43-45), Liverani sublinha o papel desempenhado pelo palácio real dos reis cananeus no Bronze recente em sua relação com a população que vivia ao seu redor. Gravitando em torno do palácio estavam os homens do rei” (não possuíam meios de produção próprios e trabalhavam para o rei: aristocracia militar, sacerdotes, administradores, artesãos, mercadores, guardas e escravos). Nas vilas mais distantes vivia a “população livre” (detinham meios de produção próprios e pagavam ao rei uma taxa). O reino era visto como uma herança indivisível transmitida hereditariamente já não mais ao primogênito, mas para aquele que tivesse “honrado” os pais. 
  • No tópico “prosperidade econômica e trocas comerciais” (p. 45-47) o autor faz uma análise das cidades palatinas cananeias dos séculos VI a XIII sob o ponto de vista econômico. Elas são apresentadas como “economicamente prósperas e culturalmente animadas”. Destaque para o uso da escrita cuneiforme pelos administradores, possível pelo estabelecimento de escolas de escribas; artesanato de luxo com forte influência estilística e iconográfica egípcia; produção de armas de bronze e pasta de vidro; comércio desenvolvido e intercâmbio político diplomático. Liverani destaca, porém, as escassas relações externas ao sistema, nas rotas do Mediterrâneo e nas trilhas de caravanas do deserto. O desenvolvimento marítimo e terrestre só ocorrerá no período do Ferro, com a domesticação do camelo/dromedário e a melhorias das técnicas de navegação.  Liverani destaca ainda que o entesouramento, a circulação de bens de prestígio nos palácios e a pressão exercida pelas elites palatinas sobre a população agropastoril constitui um estado de desiquilíbrio insustentável a longo prazo. 
  • Quanto às “vilas e órgãos colegiados” (p. 47-50), Liverani estima que 80% das pessoas vivam nas vilas com seus próprios meios de produção: terras de propriedade familiar e rebanhos de cabras e ovelhas. Unidos pelo vínculo de parentesco as vilas tinham uma gestão colegiada em dois níveis: conselho de anciãos, composto pelos chefes de família e uma assembleia popular formada por todos os homens adultos livres. 
  • No nono e penúltimo tópico, “Os nômades ‘externos’” (p. 51-53), o autor passa a falar a respeito dos nômades “externos” definidos em termos tribais como “suteus” (textos acádios) e “shasu” (textos egípcios). A presença deles era vista como perigosa para quem atravessava as estepes do sul e do leste como atesta um mensageiro egípcio no papiro de Anastase I, do período Ramesside (no livro Liverani reproduz o texto).  Ainda que nenhuma tribo bíblica apareça nesses textos, a estela se Sethi I nomeia além de “Habiru dos montes de Yamarti” uma tribo chamada “Raham”, talvez tendo como antepassado epônimo um “pai de Raham” (Abu-Raham), que é o nome do patriarca Abraão.  Liverani também cita a bem conhecida estela de Merneptah (1230 a.C.) na qual aparece pela primeira vez o nome “Israel”. 
  • Finalizando o primeiro capítulo Liverani passa a apresentar um quadro a respeito das “tensões socioeconômicas” (p. 53-56) provocadas sobretudo pelo “processo de endividamento da população camponesa e pela atitude muito dura e proposital por parte do rei e da aristocracia palatina”. Liverani explica que as dificuldades econômicas induziram os camponeses “livres” a penhorar alguns de seus bens (terras, mulheres e filhos) a fim de obterem trigo. Ele identifica os refugiados endividados com os “habiru” e não deixa de notar, como fazem outros estudiosos, a semelhança etimológica de “habiru” com “hebreus” (ibri). Nos textos os “habiru” geralmente aparecem como sinônimo de “foras-da-lei” ou “inimigo”. O tom pejorativo do termo fica evidente num texto citado pelo autor: “O rei de Hasor abandonou a sua casa e se meteu com os habiru”. Em seguida o texto faz um alerta: “saiba o rei [...] que farão se tornar habiru a terra do rei!”. Liverani cita outros textos nos quais o nome habiru aparece associado à invasões a cidades aterrorizadas pelo assalto violento do grupo. Ele finaliza o capítulo destacando o seguinte:“esses fermentos de crise se inserem como sinais premonitórios na crise final do período do Bronze recente”.
A atitude dura dos reis cananeus, somada à indiferença do Faraó frente às invasões nômades gerou um enorme descontentamento na população. Esse cenário será profundamente abalado por novas transformações ocorridas na idade do Ferro, temas do próximo capítulo.

Continua aqui


Jones F. Mendonça

sábado, 18 de janeiro de 2014

UM ZODÍACO NA SINAGOGA

No final de dezembro 1928 uma equipe estava cavando um canal de drenagem no vale de Jezreel (norte de Israel) quando uma pá começou a arrancar pedaços de um mosaico. Quando foi completamente exposto o mosaico (28 x 14 metros) revelou uma roda dividida em 12 partes, cada qual com uma figura e um nome identificando-o como um sinal do zodíaco. No centro, aparecia o deus Helios dirigindo uma quadriga (carro de quatro cavalos), através da lua e das estrelas. Ocorre que mais tarde descobriram que o zodíaco pertencia a uma sinagoga datada para 520 d.C. Surpreso? 

 Leia a matéria na BAR (ago/2012) aqui.

Escrevi sobre um suposto zodíaco no capítulo 2 de Números aqui


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A TEOFANIA DO SINAI

“Ora, todo o povo presenciava os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte a fumegar; e o povo, vendo isso, estremeceu e pôs-se de longe” (Ex 20,18).
Quem lê o texto com atenção percebe que Yahweh se manifesta como uma erupção vulcânica (ver ainda Ex 13,21s; 14,19b-24; Dt 4,11; Sl 104,31-32). Há quem suponha que o Sinai era na verdade um vulcão. Como não há vulcões na península do Sinai seria preciso situar o monte na costa oriental do Golfo de Áqaba (Midiã). Corrobora com essa teoria o texto de 1Rs 9,26, que situa o Mar Vermelho (na verdade “yam suf” = “mar dos juncos”) em Edom, região que faz fronteira com Midiã. Difícil é imaginar Moisés subindo num vulcão em erupção!

Quem vê o relato como sendo uma composição tardia (não histórica ou com alguma matriz histórica) enxerga de outro modo a teofania do Sinai. Em tempos remotos Yahweh seria uma espécie de Deus vulcão. Com o tempo Yahweh e vulcão teriam sido dissociados como resultado da racionalização da fé. A erupção passou a ser entendida como mero fenômeno que acompanha a manifestação divina. O Deus de Israel seria uma divindade midianita adotada por grupos pré-israelitas.  A referência a Jetro, sacerdote midianita, seria um resquício da tradição que liga Yahweh a erupções vulcânicas.



Jones F. Mendonça

VULCÕES E TERREMOTOS NO MUNDO BÍBLICO

Desde que fiz um cadastro no USGS (serviço geológico dos EUA) venho recebendo por e-mail informações a respeito de terremotos ocorridos no globo. Tão logo uma parte da terra sacuda por causa de um terremoto e eu sou avisado por e-mail. Mas o site tem uma utilidade muito maior que essa (afinal moro no Brasil e por aqui os terremotos são raríssimos e com magnitude baixa).

Como estudioso do Antigo Testamento posso querer saber, por exemplo, se determinada região citada na Bíblia possui vulcões ou se fica numa região de junção entre placas tectônicas. Na verdade o USGS disponibiliza informações muito mais detalhadas. Abaixo parte do mapa que mostra os limites das placas tectônicas dos continentes africano e asiático. Note que Israel (indicado por uma estrela vermelha) está localizado entre as placas africana, arábica e eurasiática.

Um grande mapa em PDF com informações detalhadas pode ser baixado aqui.
Mapa online com possiblidade de zoom, vulcões ativos por período, diâmetro das crateras, etc, aqui.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

ÓRFÃOS DO DESERTO


Originários do Saara, os tuaregues migraram para países como a Líbia em busca de emprego. Após a morte de Kaddafi, em 2011, muitos retornaram para sua terra, no Níger e no Mali. Encontraram fome, pobreza e seca. Sofreram mais ainda com a ação da Al-Qaeda e a intervenção militar francesa. Agora almejam um Estado independente.

Mais no Al-Jazeera (aqui e aqui).



Jones F. Mendonça

sábado, 4 de janeiro de 2014

CASSIA ELLER - SEGUNDO SOL



Há quem jure que a música fala de Hercólubus (ou planeta X, ou Nêmesis), suposto companheiro distante do nosso sol que vai se aproximar de novo do nosso sistema solar provocando efeitos gravitacionais e eletromagnéticos imprevisíveis. 


Bem, meu interesse na música se deve aos arranjos, à voz de Cassia Eller e à composição em si. Curta a música.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FRAGMENTOS DA TEOLOGIA REFORMADA [PROVOCAÇÕES]

A retomada da teologia agostiniana pelos reformadores trouxe de volta antigas questões. Como explicar a presença do mal no mundo? Como o homem pode ser responsabilizado por suas faltas se no fundo correspondem aos decretos divinos? Se a soberania de Deus é absoluta qual o papel do diabo e dos humanos?

Para Lutero não há vácuo de poder. Todo o poder é poder de Deus. Daí a frase: “o diabo é o diabo de Deus”. Tal ênfase levou o reformador a dizer: “não sei se Deus é o diabo ou se o diabo é Deus”. Lutero percebeu uma dimensão “demoníaca” no sagrado (o tema é amplamente discutido por Jung e Tillich). É o “Deus que trucida”, que “como o fogo consome uma casa”, que “nos atormenta e nos tortura sem se importar conosco”. O reformador rejeitou totalmente o dualismo. Deus, uma espécie de déspota volúvel.

Calvino, como Lutero, via Satanás como absolutamente sujeito aos decretos divinos. Não age com a permissão de Deus, mas de acordo com sua vontade. É a ação divina na ação do diabo. Ocorre que para Calvino a dimensão “demoníaca” do sagrado é totalmente repudiada. A lei, o juízo, a santidade e a pureza são temas bastante presentes na teologia calvinista. O mesmo Deus que decreta o pecado é o Deus que odeia esse pecado. O resultado: um temor quase neurótico do impuro.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

NATAL

Ano zero, início do calendário cristão: Herodes, pastores, magos do Oriente, presentes inauditos, estrela no céu, manjedoura na terra. Nasce Jesus, o belemita, da estirpe de Davi. Jesus rei asceta que a tradição consagrou.

Terra de gentios, homem de Nazaré no tempo do Augusto César. Peregrino na Galileia, confins de Zabulom e Naftali. Discípulo do João que batiza nas águas barrentas do Jordão. Que anuncia um reino terreno sem templo, sem sacerdotes e sem o servilismo imperial. Jesus da história que a igreja apagou.

Jesus da bênção, Jesus das sandálias desbotadas.  Jesus do céu, Jesus da terra. Jesus do kerigma, Jesus da história. Jesus de todos nós.


Jones F. Mendonça


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O NOVO TESTAMENTO DE ERASMO NA BIBLIOTECA NACIONAL

André Fonseca, meu aluno, dá aula de inglês no centro do Rio. Entre um aula e outra acabou dando um pulinho na Biblioteca Nacional. Examinou três edições do Novo Testamento grego de Erasmo de Roterdã: 1516, 1527 e 1543 (sim, a Biblioteca Nacional possui esses exemplares e podem ser manipulados por você!). 

Algumas de suas observações podem ser lidas aqui


Jones F. Mendonça

sábado, 21 de dezembro de 2013

HISTÓRIA DA ARTE: EGITO ANTIGO


Aos interessados na arte egípcia recomendo "A history of art in ancient Egypt, Vol. I e II, no projeto Gutemberg. Destaque para o capítulo IV - a arquitetura sagrada do Egito. A figura 210, por exemplo, mostra um interessante tabernáculo portátil egípcio da 19ª dinastia.


Download gratuito aqui. 




Jones F. Mendonça

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ESPERTINHOS

Durante o festival Yadnya Kasada devotos hindus lançam oferendas na cratera do monte Bromo, Indonésia. Alguns espertinhos, aproveitando-se da ocasião, posicionam-se na borda da cratera com o objetivo de coletar as iguarias arremessadas pelos devotos. 

Foto: The Atlantic

Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

AS FESTAS JUDAICAS NO EVANGELHO DE JOÃO

"e era inverno" (Jo 10,22). Foto: YNet

Jo 5,1  Depois disso havia uma festa dos judeus; e Jesus subiu a Jerusalém (Pentecostes? Purim? Trombetas?).

Jo 6,4  Ora, a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima (mês de nisan=mar/abr).

Jo 7,2  Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos (mês de tishri=set/out).

Jo 10,22  Celebrava-se então em Jerusalém a festa da dedicação (Hanukkah). E era inverno (mês de kislev=nov/dez).

Jo 19,14  Ora, era a preparação da páscoa, e cerca da hora sexta. E disse aos judeus: Eis o vosso rei (mês de nisan=mar/abr).

Mais sobre as festas judaicas aqui e aqui.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

NOVA IMAGEM DE CABEÇALHO [CARAVAGGIO]

Decidi mudar a imagem de cabeçalho do Blog. Voltei com o belíssimo "São Jerônimo escrevendo", de Caravaggio. O artista adorava sombras e tons escuros. Um crânio está sobre a mesa, contrapondo-se à imagem do autor da Vulgata Latina, alusão à caducidade das coisas. 



Jones F. Mendonça