sábado, 26 de outubro de 2013

YHWH, YEHOWAH, JEOVÁ, YEHWIH, YAHWEH E JAVÉ: PICUINHAS SOBRE O NOME DIVINO II

Na Bíblia hebraica as consoantes YHWH aparecem ora com as vogais de adonai (Yehowah ou Yehwah - mais comuns), ora com as vogais de Elohim (Yehowih - menos comum, cf. Gn 15,2, Jz 16,28). Note que no caso de Yehowah há uma troca do "a" pelo "e" explicável por uma regra do hebraico que não vem ao caso agora. O uso das vogais de adonai e elohim visavam impedir que o leitor pronunciasse o nome divino. 

A escolha de Jeová como pronúncia do nome divino, presente em antigas versões da Bíblia e na Tradução do Novo Mundo (Testemunhas de Jeová), baseia-se na transliteração “Yehowah” sem levar em conta a mudança proposital das vogais pelos massoretas (estudiosos judeus que inseriram os sinais vocálicos a partir do V século d.C.). A troca do “Y” pelo “J” possui uma explicação simples. O “yod”, primeira consoante do nome divino tem um som que se aproxima tanto do “J” como do “Y”. No alemão, idioma que não contempla o “J”, a consoante escolhida como equivalente ao “yod” foi o “Y”. Nos idiomas latinos a consoante que mais se aproxima do som do “yod” é o “J”. Daí Jeová (e não Yehowah). Daí Joshua (e não Yeshua).

Há quem pense (como os exegetas da Bíblia de Jerusalém) que a pronúncia correta do nome divino seja Yahweh (outras Bíblias católicas preferem simplesmente Javé, mais adequado ao nosso idioma). Trabalhos acadêmicos sobre a Bíblia hebraica e a religião dos antigos israelitas geralmente adotam essas duas formas. Alguns nomes bíblicos - chamados teofóricos - como (Jeremias - Yermeyah) apresentam um “yah” no final, referência ao deus adorado pelos israelitas. O mesmo ocorre com aleluia (haleluyah = louvemos a yah). Tais indícios, somados a outros parecem sugerir ser esta a pronúncia correta, mas a verdade é que não há certeza. 

Muitos judeus e cristãos messiânicos escandalizam-se quando alguém tenta pronunciar o nome divino (alguns ficam bastante irritados). Como sinal de reverência, sempre que o tetragrama aparece, lêem “adonai” (Senhor). Ouça o capítulo 7 do livro do Gênesis em hebraico e perceba que logo no início do áudio surge a palavra “adonai” (em substituição a “Yehwah”, tal como aparece no texto). O que você vai ouvir é mais ou menos o seguinte: “vaiômer adonai lenôar bô atá verrol beterrá el ratevá (“Disse YHWH a Noé: vai tu e toda a tua casa para a arca”).

Fora da Bíblia hebraica o tetragrama YHWH aparece em algumas inscrições encontradas na Península do Sinai (Kuntillet Adjrud - séc. IX), na estela do rei Mesha de Moabe (conhecida como estela moabita, também do século IX) e no túmulo Hirbet el Qom (século VIII). Muito se discute atualmente a respeito de sua origem e adoção pelos hebreus.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

YHWH, ADONAI, ZEUS, DEUS E D’US: PICUINHAS SOBRE O NOME DIVINO

Alguém em sala de aula (acho que foi o Roberto) perguntou-me a respeito do motivo que levou os judeus e messiânicos a escreverem o nome de Deus substituindo o “e” por um apóstrofo: “D’us”. Minha resposta ao aluno curioso: “não tenho a mínima ideia”. Fui investigar.

A explicação mais comum, exposta em sites judaicos e messiânicos, é que a mudança tem como objetivo evitar a pronúncia do nome divino, tal como ordena o segundo mandamento. Será?

No hebraico o nome divino sem sinais vocálicos é YHWH (tetragrama sagrado). Com sinais vocálicos (inseridos a partir do século V d.C.) a palavra pode ser transliterada da seguinte forma: YeHWaH. Para não pronunciar o nome sagrado durante a leitura os judeus substituíam YeHWaH por Adonai (Senhor). Em suma: onde estava escrito YeHWaH, passaram a ler “Adonai”. Assim é feito até hoje.

Agora pense comigo: se a palavra latina “Deus” já consiste numa substituição do tetragrama sagrado (nas nossas Bíblias escolheram “Senhor”), por que cargas d’água seria preciso fazer nova modificação? Trocar “Deus” por “D’us” seria como trocar “Adonai” por “Ad’nai”. Abandonei os sites e fui para os livros em busca de uma resposta que fizesse mais sentido.

Rubén Luis Najmanovich, em seu livro “Maimônides” (Zahar, 2006, p. 17) explica que a grafia “D’us” foi criada pelo sábio judeu que dá nome ao seu livro (também conhecido como Rambam, séc XII d.C.). Ele teria evitado “Deus” porque a palavra é derivada de “Zeus”, divindade adorada pelos gregos na antiguidade. A solução encontrada: “D’us”. Faz mais sentido. Mas será verdade?

Bem, se Maimônides tivesse escrito em latim a explicação seria perfeita. Isso porque tanto em latim como em português a grafia é a mesma: “Deus”. Mas há um problema com essa explicação. Até onde sei Maimônides escreveu em árabe (como seu famoso “Guia dos perplexos”). Só mais tarde suas obras foram traduzidas para o hebraico, grego e o latim.

Fiz uma busca no Google na esperança de encontrar algum site mantido pelo autor do livro ou qualquer outro canal de comunicação que me permitisse perguntar a respeito da fonte que deu origem a essa explicação. Não obtive sucesso. Consultei outros livros sobre Maimônides (até em outros idiomas). Nada!

Ao que parece o uso da forma “D’us” não faz lá muito sentido mesmo. 


Jones F. Mendonça


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

APARIÇÃO DO JESUS RESSURRETO EM LUCAS: ENTRE PÃES E PEIXES

Mulheres no túmulo, de
Benozzo Gazzoli (1440-41)
Tenho me debruçado sobre os relatos da aparição do Jesus ressurreto nos Evangelhos, outros livros do Novo Testamento (Atos e 1 Coríntios) e no Evangelho de Pedro. Quem faz uma leitura vertical dos Evangelhos percebe harmonia entre os relatos. Quem faz uma leitura horizontal percebe desarmonia. Não tenho a pretensão de fazer um trabalho exegético, mas irei postando aos poucos minhas impressões a respeito do tema.

Quero começar com o Evangelho de Lucas. Nele Jesus aparece primeiro a dois homens que caminham em direção a Emaús e não às mulheres, como nos evangelhos de Mateus (mulheres; 28,8-9), João (Maria Madalena; 20,14) e Marcos (Maria Madalena; 16,9).

Outra diferença é que as aparições ocorrem em Jerusalém e seus arredores e não na Galileia, como Mateus (28,16-17), Marcos (16,7) e João, que parece unir as duas tradições (Jo 20 – Jerusalém; Jo 21 – Galileia). Segue um resumo do relato em ordem cronológica (primeiro bloco: túmulo vazio; segundo bloco: aparição): 
O túmulo vazio: mulheres > Pedro
1. No primeiro dia da sema na algumas mulheres vão ao sepulcro e não encontram o corpo de Jesus (Lc 24,1-3). Dois “varões resplandecentes” dizem às mulheres que Jesus ressurgiu (Lc 24,6);

2. As mulheres retornam do sepulcro e dão a notícia do túmulo vazio “aos onze” [Judas não está mais entre eles] e a “todos os demais” (24,9). Todos pensam que as mulheres estão delirando e não lhes dão crédito (24,11). Pedro, no entanto, corre ao sepulcro e também encontra o túmulo vazio (24, 12);

Aparição: dois homens > Pedro> os Onze e os demais
3. Jesus aparece a dois dos homens que seguem para a aldeia de Emaús discutindo os últimos acontecimentos (24,13). Eles só se dão conta de que se trata de Jesus no momento em que se sentam juntos à mesa e repartem o pão (24,30). Jesus desaparece.

4. Os dois voltam a Jerusalém e encontram “os onze e os que estavam com eles“. Esse grupo diz aos dois que Pedro também havia visto Jesus (24,33-34). Uma nova aparição ocorre enquanto os dois anunciam que haviam visto Jesus. O grupo pensa estar diante de “algum espírito” (24,36). Jesus come com eles e relembra suas antigas palavras a respeito de sua ressurreição. O entendimento de todos se abre. Jesus os abençoa e é elevado aos céus (24,43-45); 
Percebem o túmulo vazio: “algumas mulheres” e Pedro.
Ordem das aparições: “dois homens”, Pedro, “os onze” e “os que estavam com eles”.
Local das aparições: Caminho de Emaús e Jerusalém (não se fala em Galileia, como em Mt, Mc e Jo).

Esquema do contato com o Jesus ressurreto: aparição > dúvida > lembrança das antigas palavras de Jesus > refeição comunitária > abertura do entendimento > desaparecimento de Jesus.

Fato curioso: tanto os “dois homens” como “os onze” e os “demais” só reconhecem Jesus após comerem com ele: dois homens/pão (24,30-31); os “onze” e os “demais”/peixe (24,43-45).  Coincidência?


Jones F. Mendonça

domingo, 13 de outubro de 2013

DITADORES

Os EUA invadiram o Iraque e depuseram Sadam Hussein. Bagdá segue com a capital que mais sofre com atentados terroristas.

A OTAN (liderada pelos EUA) derrubou Kadafi. Atualmente a Líbia é uma terra caótica comandada por milícias, muitas delas ligadas à Al-Qaeda.

Tio Sam lutando contra os malvados ditadores. Sei...

Os EUA apoiam ditaduras no norte da África e no Golfo Pérsico. Uma delas até sedia corridas de fórmula 1 (o regime dos Al Khalifa do Bahrein). Como é bom ver a competição pela TV... Alonso, Massa, Haikkonen, as bandeiras tremulando, o som vibrante dos motores, tudo muito bonito. 

No fundo meus caros, os EUA só parecem se incomodar com ditadores que não entram no seu jogo, como Iraque a Líbia e agora com a Síria.

Há algum tempo andam implicando com o programa atômico (fins pacíficos?) do Irã dos Aiatolás. Não querem que tenha uma bomba atômica (como Israel tem, mas não declara publicamente), afinal, só os países ocidentais e Israel têm “moral elevada” o suficiente para tê-las. E pensar que o único artefato atômico usado contra um inimigo veio justamente de uma potência ocidental. Mas como ouvi de um analista americano, “as bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki pouparam muitas vidas ao pôr fim à guerra”. 

E viva a democracia americana!



Jones F. Mendonça  

"O REINO ESQUECIDO" DE ISRAEL FINKELSTEIN NA SBL [LIVRO]

Acabo de saber, via Observatório Bíblico, que o novo livro do arqueólogo israelense Israel Finkelstein, encontra-se disponível para download gratuito (para países de baixa renda per capita) no site da SBL (Society of Biblical Literature). 

Faça o download (livro em inglês) aqui


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CONFERÊNCIA DE COPENHAGUE: O AT SOB NOVA PERSPECTIVA

Sobre o livro
Com o objetivo de “avaliar algumas das principais mudanças no campo dos estudos bíblicos do Antigo Testamento” está programada para os dias 09 a 12 de outubro de 2013 uma conferência internacional em Copenhague, Dinamarca. Os principais conferencistas são Douglas Knight, Tomas L. Thompson, Philip Davies e Niels Peter Lemche (leia um pouco mais a respeito da escola de Copenhague neste post de abril de 2012).

Os títulos e resumos das palestras (em inglês) podem ser baixados em PDF no ObservatórioBíblico.

Fiquei particularmente curioso quanto ao trabalho do professor Philippe Wajdenbaum (Institut des Hautes Etudes de Belgique, Brussels), intitulado “From Plato to Moses: Genesis-Kings as a Platonic epic” (De Platão a Moisés: Gênesis-Reis como um épico platônico). Segue o resumo:
Desde que Niels Peter Lemche e Thomas L. Thompson postularam que a Bíblia Hebraica pode ser um Livro da era helenística, tem sido sustentada a hipótese de que ela se baseia em fontes clássicas gregas como Homero, Heródoto e Platão.
 
Em Leis, Platão imaginou um Estado de doze tribos regido por leis divinas, das quais cerca de cinqüenta possuem pontos de contato com leis do Pentateuco. Platão encorajou o fundador do seu estado ideal a usar mitos, contos e fábulas para ilustrar como a obediência à lei é recompensada pela divindade e como desobediência traz punição.
 
A narrativa de Gênesis a Reis ("História Principal") parece ter sido inspirada nesse projeto platônico. Os livros de Gênesis a Josué relacionam a fundação de tal estado, enquanto Juízes, Samuel e Reis parecem modelá-lo de acordo com a Atlântida de Platão, mito da um estado que poderia ter sido perfeito, não tivessem seus reis negligenciado as leis divinas e provocado sua destruição.
Hipótese pra lá de ousada. Das 28 palestras programadas para o evento esta talvez seja a mais polêmica.



Jones F. Mendonça

AS ORIGENS HISTÓRICAS DO MONOTEÍSMO [EBOOK]

Liberado para download pelo próprio autor - Juan Echánove -, o livro “Ecos del desierto – El origen histórico del monoteísmo” (Central Books, 2008, 413 p.) narra como Yahweh foi incorporando características de outros deuses ao longo da história (Elohim, Ormuz e o Logos grego).  A grande sacada do livro é sua linguagem simples e a apresentação dos temas numa ordem que facilita a compreensão de um leitor pouco familiarizado com o assunto. Segue uma sinopse do livro:
Ecos do deserto narra a surpreendente história de como uma divindade da tormenta, adorada por nômades em um remoto rincão do deserto, terminou se convertendo em um Deus universal de três das três grandes religiões monoteístas. Baseando-se em recentes e assombrosas descobertas arqueológicas e utilizando penetrantes argumentos históricos, Echánove nos oferece uma perspectiva completamente nova desta fabulosa história. 
O livro está disponível apenas em espanhol.

O livro no Google livros, aqui

Jones F. Mendonça

sábado, 5 de outubro de 2013

O MONOTEÍSMO ISRAELITA NO ASOR BLOG

O artigo, assinado por Richard S. Hess, é iniciado com a seguinte provocação:
A arqueologia das religiões israelitas continua a evocar novas evidências e abordagens. Reavaliações recentes tem levantado a questão do monoteísmo pré-exílico de Israel. Dito de outra forma, alguém acredita em uma única divindade antes da queda de Jerusalém em 587/6 AEC?

O texto completo, no Asor Blog, aqui.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O ORGANON & O CAPITAL: APONTAMENTOS SOBRE UMA CRÍTICA INFUNDADA

Toda a teologia se constrói sobre dois princípios fundamentais: o princípio arquitetônico (um tema da Escritura, como por exemplo, a encarnação) e o princípio hermenêutico (uma chave de interpretação, uma filosofia). Durante a patrística a chave hermenêutica predileta foi o platonismo. Assim foi com Orígenes, Clemente, Gregório de Nissa, Agostinho e tantos outros. Na Escolástica Aquino usou e abusou de Aristóteles. O tomismo cristianizou o filósofo. "Corrigiu-o" à luz da fé cristã. 

No século XX a teologia da libertação (TL) utilizou como princípio hermenêutico o marxismo (e a libertação como princípio arquitetônico). O que Aquino fez com Aristóteles, a TL também fez com Marx, tomando dele apenas os elementos compatíveis o cristianismo. Do ponto de vista lógico-teórico a diferença entre o tomismo e a TL é que o tomismo é uma teologia dedutiva (parte do dogma) e a TL é uma teologia indutiva (parte da situação, de um problema concreto). Ambas lêem as Escrituras e o mundo com a ajuda de uma “filosofia pagã”. 

O que me inquieta: Aristóteles acreditava num mundo eterno (Deus era um mero motor imóvel), mas sua filosofia foi usada sem maiores traumas (tornou-se, inclusive, “philosophia perennis”). Marx era ateu, mas o uso de sua filosofia como chave hermenêutica tem sido repudiado por setores conservadores. Faz sentido?

Como se as crenças do filósofo (ou até mesmo sua fundamentação teórica) fizessem alguma diferença...



Jones F. Mendonça

terça-feira, 24 de setembro de 2013

SBL LIBERA NOVO TEXTO CRÍTICO DO NT PARA DOWNLOAD

Seguem informações publicadas no site da SBL: 
A SBL grego do Novo Testamento (SBLGNT) é uma nova edição do Novo Testamento grego, criado com a ajuda de edições anteriores. Em particular, quatro edições do Novo Testamento grego foram utilizadas como recurso primário no processo de criação do SBLGNT.

O SBLGNT é editado por Michael W. Holmes, que utilizou uma grande variedade de edições impressas, todos os grandes aparatos críticos, e os mais recentes recursos técnicos e descobertas de manuscritos. O resultado é um texto criticamente editado que difere do texto crítico de Nestle-Aland/United em mais de 540 pontos.
Faça o download aqui:



Jones F. Mendonça

REDESCOBRINDO EVA: O PAPEL DAS MULHERES NO ANTIGO ISRAEL

Segue uma sinopse do livro: "Rediscovering Eve: ancient israelite women in context", de Carol Meyers, professora de religião na Universidade de Duke (informações tomadas do site da Amazon via Paleojudaica): 
Especialista em estudos bíblicos e arqueologia, Carol Mayers sustenta que as fontes bíblicas por si só não dão uma imagem verdadeira das antigas mulheres israelitas, uma vez que foram os homens da elite urbana que escreveram a grande maioria dos textos bíblicos.  Com base em descobertas arqueológicas e informações etnográficas, bem como nos textos bíblicos, Meyers retrata as israelitas não como escravas submissas em um patriarcado opressivo, mas como mulheres fortes e atuantes dentro de suas famílias e comunidades. O trabalho de Meyers desafia a própria noção de patriarcado como uma designação apropriada para a sociedade israelita.
O livro foi escrito no final da década de 70 e ganhou uma nova edição em dezembro de 2012. O tema é pra lá de empolgante. A obra, infelizmente, só está disponível em inglês.


Jones F. Mendonça



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SBL LIBERA NOVA FONTE

A SBL (Society of Biblical Literature) acaba de liberar uma nova fonte (Font Type, v1.0 build 001, lançada 9/6/13) para download gratuito. A nova fonte inclui caracteres latino, hebraico e grego. 

Destaque para a variedade de sinais diacríticos e de transliteração. 

Baixe aqui.

Mais informações aqui.


Jones F. Mendonça

domingo, 22 de setembro de 2013

O INQUISIDOR, O ANCIÃO E O DIABO

Século XVI. O inquisidor chega a uma vila onde supostamente se tem praticado o culto ao diabo. O ancião, inquirido pelo sacerdote, diz nunca ter ouvido falar de um deus chamado diabo. Após três dias de intensa investigação, acompanhada de violenta e cruel tortura, a comitiva vai embora. O ancião comenta com um membro da vila: “devemos nos aliar a esse tal diabo. Se é inimigo dos inquisidores, então é nosso amigo”.

Minha constatação: muitos jovens aderem a religiões com alegado caráter satânico simplesmente porque percebem o cristianismo como religião de inquisidores. Antes tortura física, agora tortura emocional. Raciocinam como o ancião da vila.



Jones F. Mendonça 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

YAHWEH E SUA CONSORTE NO HAARETZ

Como a matéria está disponível apenas para assinantes do jornal israelense Haaretz, resolvi editar o texto no Word e publicá-lo no Scribd (PDF, em inglês). Dificuldades com o idioma? Utilize o tradutor do Google. 

Quem assina a matéria é Julia Fridman.


POR QUE OMRI ESCOLHEU SAMARIA COMO CAPITAL DO REINO DO NORTE?

De acordo com a narrativa bíblica o reino de Israel foi dividido após a morte do rei Salomão (em torno de 930 a.C.): Jeroboão ao norte e Roboão ao sul. No século IX Omri escolheu Samaria como capital para Israel do Norte. Por que Omi escolheu a cidade como capital de seu reino? A localização da cidade dava vantagens estratégicas ao fundador da dinastia dos omridas (881-845 a.C.)?  

Conheça uma interessante teoria lendo o artigo de Norma Franklin, publicado no The Bible and Interpretation (set/2013): "Why was Samaria made the capital of the Kingdom of Israel?". 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

LUIZ FELIPE PONDÉ E O PROGRAMA "MAIS MÉDICOS" DO PT

Luiz Felipe Pondé é filósofo. Pensador dos bons. Infelizmente sua ideologia (de direita) falou mais alto que sua coerência e lógica num texto publicado na Folha de São Paulo sobre o programa Mais Médicos (“O fascismo do PT contra os médicos”, 02/09/13). O que mais me incomodou no texto foi a comparação que Pondé fez entre a suposta “tática de difamação aos médicos brasileiros feita pelo PT” e a campanha de perseguição imposta por Hitler aos judeus. Paralelo incrivelmente absurdo. Texto mal escrito, argumentação ruim, apelativo. Difícil acreditar que tenha produzido um texto dessa qualidade.

Acabo de ler a resposta de Washington Araújo ao texto do filósofo. Leia no Carta Maior.

Compare os dois textos e tire suas próprias conclusões.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

HANS URS VON BALTHASAR



Teólogo preferido de João Paulo II, von Balthasar ficou conhecido por sua "estética teológica" ao acentuar a dimensão estética da Revelação. A teologia do suíço pode ser um conforto para aqueles que acham que o método histórico-crítico lida com as Escrituras como se dissecasse um cadáver.  

Achei o vídeo por acaso. Quem expõe o pensamento do teólogo é Karen Kilby. Vale assistir pela qualidade das informações. 


Jones F. Mendonça

NOVO E-BOOK GRÁTIS NO BIBLICAL ARCHAEOLOGY SOCIETY

Aos interessados no livro do Gênesis, vale dar uma conferida no eBook: “Exploring Genesis: The Bibles Ancient Traditions in Context”, disponível gratuitamente aos internautas que se cadastrarem no site. 

Os temas do livro giram em torno de dois eixos principais: Possíveis relações entre o relato bíblico da criação e o Enuma Elish (relato da criação babilônico) e as escavações em Ur, cidade onde teria vivido o patriarca Abraão.

O eBook inclui belas gravuras. Baixe-o aqui.



Jones F. Mendonça

FUNDAMENTALISMO III

O sujeito ouvir dizer que sexo anal é pecado. Diz que a informação veio de Neura Ypiroka, uma palestrante especialista em “batalha espiritual”. A jovem senhora teria dito que o mau uso do orifício permite a entrada de demônios. O texto usado para justificar a condenação seria 1Co 6,9:
“Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos [...], nem os sodomitas...” (ARA).
Explico ao rapaz que “sodomita” é a tradução da palavra grega “arsenokoitais”, junção de arseno (homem) e koites (leito, cama). O termo só reaparece em 1Tm 3,10, provavelmente indicando algum tipo de conduta sexual considerada inaceitável pelo apóstolo Paulo. Não há certeza quanto ao sentido exato da palavra: homossexualismo? Adultério? Algum outro tipo de sexo ilícito? Explico-lhe ainda que não estou defendendo nem condenando a prática, mas apenas indicando que tal leitura é equivocada.

O sujeito dá um sorriso no canto da boca. Abre um dicionário Aurélio, desses de bolso, e diz: “Está aqui” – e aponta com o dedo - “sodomia: coito anal”. Finaliza chamando-me de pervertido (!).

Eu mereço!


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CONTRA O BRUTO, FORÇA BRUTA

“O brutal só se destrói com força bruta”. Este é o argumento da direita contra as ditaduras comunistas e os radicais islâmicos. Este é o argumento da esquerda contra a ditadura de uma elite que se perpetua no poder manipulando a mídia e controlando o poder político e econômico. Os primeiros lutam contra “inimigos externos”. Os segundos contra os “inimigos internos”.

No fundo todos recorrem às armas a fim dar vazão a suas ideologias, princípios e instintos de sobrevivência. Ninguém está disposto a sofrer até a morte em silêncio. As grandes potências, quando se sentem ameaçadas, recorrem a seus exércitos regulares. Os mais fracos, quando na mesma situação, pegam o que tem às mãos: enxadas, foices, bombas caseiras, coquetéis molotov...

No fundo somos todos iguais. Todos humanos. Todos atormentados pela eterna tensão entre o viver e o morrer, entre a paz e a guerra, entre o silêncio e o grito. O ser humano: tumulto ambulante hospedando uma luta incessante entre racionalidade e a demência.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O HUMANO: DE GARGANTA VIVA A ALMA ENCARCERADA

Na mentalidade grega, sobretudo a partir de Platão, a crença de que o corpo humano é uma espécie de “casca” ou “prisão” da alma (da psyché) passou a ser amplamente difundida, deixando reflexos profundos na tradição cristã. Tal crença implica no desprezo ao corpo, uma vez que supõe a superioridade da alma (imortal) sobre a matéria. Daí a crítica de Nietzsche de que o pensamento de Platão é uma “filosofia para a morte” e que o cristianismo é uma espécie de “platonismo para o povo”. No fim da vida Platão reafirmou suas profundas convicções: “Aquilo que constitui verdadeiramente o nosso ser, isto é, a psyché, é imortal” (Leis 959 b).

Entre os pais da igreja a ideia está presente, por exemplo, na carta a Diogneto (c. 190-200): “o que a alma é para o corpo, os cristãos são para o mundo [...]. Os cristãos estão como que detidos na prisão do mundo”.

Até mesmo Calvino, nas suas Institutas, expõe esse tipo de crença. O teólogo de Genebra chega a citar Platão (aliás, faz isso mais de uma vez):
Portanto, enquanto habitamos no cárcere de nosso corpo, temos de lutar continuamente com as imperfeições de nossa natureza corrupta; na verdade, com nossa alma natural. Platão diz algumas vezes que a vida do filósofo é a meditação da morte (Livro III, III, 20).
A antropologia hebraica desconhece esse dualismo ou dicotomia entre alma e corpo. A palavra hebraica geralmente traduzida por alma é néfesh. Em alguns textos néfesh indica a garganta:
Sl 69,1 Salva-me, ó Deus!, pois as águas subiram até o meu pescoço (néfesh).
Alguns tradutores optaram por “pescoço”, mas ideia é indicar a garganta, local por onde passa o ar inspirado e expirado (para indicar o pescoço geralmente se usa tzavar, como em Ct 1,10). Se a água sobe mais, a néfesh é comprometida e o corpo perde a vitalidade.

Néfesh serve também para indicar o princípio vital, como neste texto do livro de Reis:
1Rs 17,21  Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao Senhor, dizendo: ó Senhor meu Deus, faze que a vida (néfesh) deste menino torne a entrar nele.
A ideia não é exatamente que a néfesh volte a entrar no corpo, mas que ela seja restituída (shub) às entranhas (qérev) do menino (yéled). Néfesh é fôlego que anima o corpo e não uma essência etérea que habita num indivíduo e sai voando após sua morte.

Por vezes a néfesh indica corporeidade. Um exemplo é este texto de Isaías:
Is 29,8  Será também como o faminto que sonha que está a comer, mas, acordando, sente-se vazio.
No texto hebraico: “sua néfesh está vazia” e não “sente-se vazio”. A ideia é a seguinte: se o corpo não se alimenta, sua néfesh (fôlego de vida) fica fraca, fica vazia (reyqah).

Outro exemplo:
Nm 11,6  Mas agora a nossa alma  (nossa néfesh) se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.
Não há alimento, logo a néfesh fica seca (yabesh), sem vida. Inexiste oposição entre corpo (basar) e alma (néfesh). Ambos estão intimamente ligados.

Na antiga tradição hebraica homem e mulher são néfesh encarnada e não psyché aprisionada. Então surgiu o judaísmo helênico. Depois o cristianismo bebeu da mesma fonte. Herança maldita.

Não é difícil entender porque o livro de Cantares tão cedo passou a ser alegorizado por judeus (a partir de Aqiva) e cristãos (Orígenes, Clemente, etc.).  Explica-se facilmente a ênfase que o cristianismo dá aos chamados “pecados sexuais”. Já no IV século Jerônimo se jogava aos espinheiros a fim de que a dor sobrepujasse seu desejo pelo corpo feminino (recomendava banhos frios e o uso de cilício para combater o desejo sexual). O ser humano, antes visto como garganta viva (que grita, urra, come, soluça, bebe, jubila, geme, respira) tornou-se mera alma encarcerada. Desejar é pecar. Mas diferentemente do budismo, que queria suprimir o desejo, os cristãos preferiram: “desejar o nada, a nada desejar”.

Nietzsche tinha razão.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS ÓCULOS DE ZILDA

Zilda passou por um trauma na infância. Não suporta multidão. Mecanismos internos de sua psique encontraram uma saída: fazem com que Zilda acredite não haver muitas pessoas em determinados ambientes quando na verdade há. Tais mecanismos são como óculos especiais. Seus olhos lhe dizem: “há um monte de pessoas aqui!”. Suas lentes mágicas fazem a “correção”: “ambiente limpo, está tudo bem”.

Óculos mentirosos. 

O nome disso? Medo do real.



Jones F. Mendonça

TELMA E O LOBISOMEM

Telma mora perto de um bosque. Vive na região desde que nasceu. Reza a lenda que um lobisomem vive por lá. A moça acredita piamente na história. Uma ovelha aparece morta: “foi o lobisomem”. Ouve-se um uivo: “o lobisomem está por perto”. Um vulto se move por entre as árvores: “ai que medo!”. Telma interpreta todos os fenômenos cuja origem desconhece a partir de sua crença na existência da fera.

Aparece um homem misterioso na aldeia. Inverte a lógica de Telma. Insiste que é preciso interpretar as crenças a partir dos fenômenos.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

JOÃO BATISTA, JESUS, JORDÃO E TRADIÇÃO

Amplie com um clique
O Evangelho de Marcos registra que Jesus veio da Galileia “e foi batizado por João no Jordão” (Mc 1,9). O quarto Evangelho, buscando maior precisão (?), situa o local do batismo em Betânia (não pode ser mesma Betânia de Lázaro, cf. Mc 11,1; Jo 11,18), do “outro lado do Jordão” (Jo 1,28), portanto, na margem jordaniana do rio (próximo ao Mar Morto, em Qasr Al-Yahud), e não em Israel.

Mas há quem prefira localizar o batismo do “homem de Nazaré” bem ao norte, numa bela região arborizada próximo ao Mar da Galileia (em Yardenit). As águas do Jordão nessa região não são tão turvas e contaminadas como em Qasr Al-Yahud (em 2012 Israel proibiu batismos no local por causa da contaminação da água). Como o que conta não é o valor histórico (ou pelo menos escriturístico), mas o efeito psicológico que o lugar exerce sobre o fiel, Yardenit desperta maior interesse no turista.

Faça uma visita on-line (360º) em Yardenit aqui (clique em Jordan River, numa das imagens que aparecem na margem direita).




Jones F. Mendonça

sábado, 31 de agosto de 2013

O DEUS EXILADO: BREVE HISTÓRIA DE UMA HERESIA

Um pouco mais sobre a comunidade de seguidores de João Batista (mandeanos ou sabeus) pode ser encontrado no livro "O Deus exilado: breve história de uma heresia", escrito pela historiadora da USP, Marília Fiorillo. Também vale conferir uma entrevista concedida pela autora ao programa Millenium - Globo News. 


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

JOÃO BATISTA E OS MANDEANOS NO "THE BIBLE AND INTERPRETATION"

Aos interessados no cristianismo primitivo, gnosticismo e movimentos sectários do primeiro século, vale conferir o artigo escrito por James F. McGrath no The Bible and Interpretation (ago/2013): "Revisitando o mandeísmo e o Novo Testamento". 

Os mandeanos (de mandeu=conhecimento, citados no Corão como sabianos) constituem um grupo religioso formado - ao que parece - por herdeiros dos antigos seguidores de João Batista. Reverenciam o Batista como o grande profeta e rejeitam Jesus, tido como usurpador do movimento legítimo. Grupos de mandeanos podem ser encontrados em algumas regiões do Irã e do Iraque.  


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PROVOCAÇÕES

Aos católicos:
Ortodoxia é a heresia dos que venceram.
Heresia é uma ortodoxia que capitulou.
Dulia é latria de máscara e salto alto.  

Aos místicos
Deus é tudo e é nada.
É luz e é treva.
É dor, é prazer?

Aos reformados:
Predestinação é a doutrina dos eleitos.
Galardão, prêmio celeste aos que não merecem.
Réprobos são sempre os outros.

Aos fundamentalistas:
A Escritura é a palavra de Deus.
É Deus em palavras.
É o divino reduzido à letra.

Aos ateus:
Ateísmo é a fé no não-Deus. 
É a fé na negação.
Afirmação de uma piedade ao avesso.

A você:
Belo é o canto do Uirapuru.
Doces são os lábios da donzela.
Impiedosos são os laços do sheol.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A MÁSCARA DO PALHAÇO

Lá vai João, perdido em sonhos sob a tenda encantada.
Lá vai Funâmbulo, caminhando faceiro sobre o fio estendido.
Lá vai Faquista, dispensando setas com muita atenção.
Lá vai Palhaço, rindo aos montes da sua própria desgraça.

Querer sonhar,
Querer enfrentar,
Querer superar.
Querer disfarçar as dores e ocultar as mazelas com a face enfeitada.

Pobre Palhaço!


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

GADARA, GERASA, OS PORCOS E A LEGIO FRETENSIS

LXF=Legio X Fretensis
Evangelho de Marcos, capítulo 5, verso 1: Jesus atravessa o Mar da Galileia e chega à terra dos gerasenos (Gerasa). Mateus, capítulo 8, verso 28: Jesus navega pelo Mar da Galileia e desembarca na terra dos gadarenos (Gadara). Mas Gerasa (Marcos= 50Km a sudeste do Mar da Galileia) e Gadara (Mateus= a 12Km do mesmo lago) são cidades diferentes. Ambas são citadas por Plínio como pertencendo a uma liga de dez cidades romanas (Decápolis) fundadas em 64 a.C.

Diante da dificuldade quanto à distância que teria que ser percorrida pelos dois mil porcos até se precipitarem no mar, surgiram várias soluções: a) Orígenes sugeriu a cidade de Gersesa (sem nenhum fundamento), b) porcos endemoniados têm força sobrenatural (!), c) pouco importa, pois o relato não possui caráter histórico, mas consiste numa espécie de midrash do capítulo 14 do Êxodo (a exegese rabínica via sentidos velados no texto da Tanak). Quanto a esta última posição, vale comparar Êxodo com Marcos:
Ex 14,28 As águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros, todo o exército de Faraó, que atrás deles havia entrado no mar; não ficou nem sequer um deles.


Mc 5,13 Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram.
O paralelo seria o seguinte: no Êxodo as tropas de Faraó foram destruídas pelo mar sob a liderança de Moisés. Marcos estaria insinuando que tropas romanas (legião) também seriam destruídas pelas águas, agora sob a liderança de Jesus (na parousia?), entendido como uma espécie de Messias político. A tese parece ganhar força quando vem à tona um importante detalhe: A Legio fretensis (legião romana), cujo símbolo era um javali (porco selvagem), estava situada na Síria desde o ano 6 d.C. (também usavam o javali como símbolo a Legio I Italica; XX Valeria-Vitrix e II Adiuntrix). Com a revolta judaica em Jerusalém na década de 60 d.C. a legião foi deslocada da Síria para a capital religiosa dos judeus (participou do cerco/destruição e passou a vigiar suas ruínas da cidade).

Caso esta seja a interpretação correta, a passagem jamais deveria ser utilizada para legitimizar atividades missionárias em terras estrangeiras, como geralmente se faz (tanto Gadara como Gerasa são cidades gentílicas e Jesus teria operado milagres em alguma delas). O texto seria uma crítica à ocupação das tropas romanas, instaladas no local desde 63 a.C. sob a liderança de Pompeu. Mas mesmo que esta última interpretação seja tomada como certa, fica a pergunta: por que Marcos escolheu uma cidade tão longe do mar da Galileia (Mt parece querer aproximar)? Mesmo que o relato não seja histórico seria de se esperar certa preocupação com os aspectos geográficos da região. Ou o autor do segundo Evangelho não conhecia bem a região da Galileia? 

O tema merece uma investigação melhor.


Jones F. Mendonça

Em tempo: Flávio Souza Cruz, do Ad Cummulus, acabou lendo meu texto e sugeriu uma resposta ao problema da distância entre Gadara/Gerasa ao "mar". Estou convencido de que ele matou a charada. Leia aqui um texto seu escrito em 2008. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

TEMPLOS, RITUAL E SIMBOLISMO CÓSMICO NO MUNDO ANTIGO [E-BOOK GRÁTIS]

Acabo de saber pelo Paleobable que o Instituto Oriental da Universidade da Chicago está disponibilizando gratuitamente o livro: "Heaven on Earth: Temples, Ritual, and Cosmic Symbolism in the Ancient World", editado por Deena Ragavan. O livro é ricamente ilustrado. 

Baixe aqui (clique na seta ao lado de "termos de uso"). 

Mais livros grátis no site aqui e aqui  


Jones F. Mendonça