Brincadeira (é lógico), trata-se de uma simulação registrada pelo fotógrafo da Reuters Jim Urquhart no deserto do Marrocos. Confira mais fotos aqui:
quinta-feira, 28 de março de 2013
EXTREMOS
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| Charge: Carlos Latuff |
Aos meus olhos a maldição de Noé sobre Canaã visa explicar e justificar a expulsão dos cananeus da terra (o alvo principal não é a África, mas Canaã, a "terra prometida"). Foi escrito, lógico, séculos depois do estabelecimento dos israelitas na costa oriental do Mediterrâneo (talvez durante o exílio).
Ao GLS falta inteligência. Jean Wyllys, apesar dos vídeos editados e frases tiradas do seu contexto por opositores, segue por um caminho perigoso. Falta-lhe habilidade política. As tensas manifestações pela saída de Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos da Câmara talvez tenha sido um tiro no pé. Infelizmente.
Espero que a pouco amistosa relação entre os dois grupos seja amenizada. O Brasil não precisa de uma teocracia. Tampouco de uma ditadura gay. É preciso seguir pelo caminho do meio.
Jones F. Mendonça
EXPLORANDO A RESSURREIÇÃO DE JESUS NO BIBLE HISTORY DAILY
O Bible History Daily está disponibilizando gratuitamente para download o e-book "Easter: exploring the resurrection of Jesus". A apresentação dos temas abordados no e-book, com seus respectivos autores, segue conforme abaixo:
1. Sara Murphy - Introduction
2. Hershel Shanks - Emmaus: Where Christ Appeared
3. N. T. Wright - The Resurrection of Resurrection
4. Marcus J. Borg - Thinking about Easter
5. Michael W. Holmes - To Be Continued…
Para baixar o e-book você precisa se cadastrar no site do Bible Hirtory Daily.
Jones F. Mendonça
terça-feira, 26 de março de 2013
O MESSIAS RÉGIO E O MESSIAS SACERDOTAL
Após a morte do davidida Zorobabel (neto de Jeconias, tido como o “anel de selar” em Ag 2.23) a figura do sacerdote foi ganhando cada vez mais proeminência. Sua não coroação e a conseqüente não concretização do tempo escatológico parece ter impulsionado um retoque no texto original de Zc 6,9-14, que substitui o descendente de Davi por Josué, o sacerdote. Nesse ambiente de expectativa escatológica frustrada surgiu a crença em dois messias. O primeiro viria de uma linhagem sacerdotal (messias de Aarão). O segundo seria um descendente de Davi (messias davídico).
Numa refeição comum mencionada em 1QSa 2,11-22
fica evidente a esperança de dois messias. Aliás, o texto deixa claro que o
sacerdote desempenha um papel superior ao do messias davídico:
E [quando eles] estiverem juntos [à mes]a [ou para beber o vinho no]vo e (quando) a mesa estiver preparada e [o] vinho novo for [misturado] para beber, [nin]guém deverá [estender] a mão para as primícias do pão e [o vinho novo] antes do sacerdote; pois [ele é quem vai ab]ençoar as primícias do pão e o vinho nov[o e estenderá] a mão para o pão primeiro. Depois di[sso], o Messias de Israel [estender]á a mão para o pão (FITZMYER, 1997, p. 89).
Algumas diferenças entre o TM (texto massorético
– séc. X d.C.) e os MMM (Manuscritos do Mar Morto – séc. I a.C.) parecem sugerir
que o profeta Malaquias (Ml 3,1-2) também alimentava a expectativa por dois
messias: o adonai e o mensageiro. Compare:
Há quem pense (Cf. TABOR, 2006, p. 165) que essa
esperança, mantida viva pela comunidade de Qumran, teria sido lançada sobre a
figura de João Batista (apresentado
como sacerdote da tribo de Levi) e Jesus
(tido como descendente de Davi da tribo de Judá). A separação entre as duas
figuras (João – “movimento judaico” x Jesus – “movimento cristão”) teria sido
feita mais tarde pela comunidade cristã.
Ao que aparece a tradição de um messias
sacerdote deixou marcas bem visíveis no livro de Hebreus, que declara que Jesus
é sacerdote da linhagem de Melquisedeque, ou seja, é sacerdote por unção divina
direta e não por linhagem, da mesma forma que o rei-sacerdote jebuseu. Diz-nos
ainda o autor de Hebreus: “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb
9,22). Jesus é visto como o cordeiro que entrega sua vida num sacrifício
substitutivo. Mas a ideia de que Jesus tinha que morrer traz muitos problemas.
Anselmo de Cantuária que o diga.
Nas teologias sistemáticas o tema escatologia é
apresentado como se houvesse coesão entre os diversos textos. Surgem, por
exemplo, “modelos escatológicos”, como o amilenismo, pré-milenismo e
pós-milenismo. Em minha opinião faz mais sentido pensar que a esperança
messiânica foi sendo moldada de acordo com o contexto no qual estava inserida a
população israelita. Então o que sobra? Só a esperança. Nada mais.
Jones F. Mendonça
sábado, 23 de março de 2013
VIETNÃ DEPOIS DA GUERRA
Lotes de arroz no vale de Bacson, Vietnã. Veja outras fotos selecionadas no concurso da revista Smithsonian, via The Big Picture aqui.
Jones F. Mendonça
quarta-feira, 20 de março de 2013
NAHAM: SUSPIRO FORTE
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| Lamentação sobre o Cristo morto (Sando Botticelli) |
Livro do profeta Jonas, capítulo 3, verso 10:
“Viu Deus o que fizeram [os ninivitas], como se converteram do seu mau caminho, e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez”.
Jonas ficou irado, afinal, como assim Deus se arrependeu? O que falou tá falado!
A
palavra hebraica traduzida por “se arrependeu” = naham = suspirar, lamentar, consolar,
etc.
Esse
“suspiro” ou “lamento” pode ter diversos significados, dependendo do contexto.
Alguém
vê uma criança chorando a morte da mãe. Então um suspiro forte (naham) agita
seu espírito. Naham aqui é “compaixão”. Tal pessoa teve compaixão da criança
que se dissolvia em lágrimas.
Certa mulher sofre subitamente um aborto espontâneo.
Ela chora. Seu marido se aproxima, lhe dá um abraço apertado e suspira profundamente
(naham) enquanto acaricia seus cabelos. Naham aqui é consolo. Tal marido
consolou sua esposa aflita por tão grande infortúnio.
Um pai diz que punirá seu filho caso ele
não seja aprovado num concurso. O filho fracassa e com a mente perturbada acaba
sofrendo um acidente fatal. O pai, no velório, suspira (naham) amargurado sobre
o esquife. Naham aqui é arrependimento.
Como se vê, um suspiro forte pode
significar muitas coisas.
Os israelitas depositavam sua fé num Deus
cheio de contradições. Ele estava próximo, mas estava longe. Ele não mudava,
mas mudava. Ele não era homem para se arrepender, mas se arrependia. Aparentemente
não viam problema nisso. Até que vieram os judeus helenizados e “higienizaram” as
escrituras hebraicas, removendo todas as suas contradições (a LXX é um
testemunho vivo dessa tarefa hercúlea).
Um Deus destituído de emoções. Ficou um
livro chato...
Jones F. Mendonça
segunda-feira, 18 de março de 2013
BAIXANDO LEGENDAS DE VÍDEOS DO YOUTUBE
Você encontra aquele tão procurado vídeo legendado no YouTube. Mais que depressa baixa o arquivo para seu micro. Quando você abre o vídeo... cadê as legendas?!! Bem, há muitos sites que explicam como capturar as legendas, mas é sempre aquela ladainha. Veja como baixá-las passo a passo (sem enrolação):
1. Baixe o vídeo do YouTube (com o programa aTube, por exemplo);
2. Para capturar as legendas, baixe o programa Google2SRT e instale-o em sua máquina;
3. Feito isso, clique no arquivo "run" do Google2SRT;
4. Assim que o programa abrir, cole o endereço do vídeo (do YouTube) no local indicado ("legendas do Google"), clique em "ler" e depois em "converter";
5. O programa vai baixar a legenda e salvar no seu micro (verifique o endereço onde o arquivo foi salvo em "legendas SRT");
6. Copie o arquivo com a legenda para a pasta onde o vídeo foi salvo;
7. Está feito!
Como utilizo o Media Player Classic para rodar o vídeo, tive executar mais um procedimento ao abri-lo: Cliquei em "file", e "load subtitle". As legendas apareceram.
Jones F. Mendonça
Jones F. Mendonça
domingo, 17 de março de 2013
MILENARISMOS
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| Cena da mitologia persa |
O Centro de Estudos do Milênio (CEM), um centro de pesquisa sem fins lucrativos baseado na Universidade de Boston, com filiais em todo o mundo, é o maior centro mundial de pesquisa acadêmica dedicada a estudos milenares. Composto por acadêmicos, pesquisadores independentes, estudantes de graduação e outros, o CEM fornece uma importante ligação entre amplas disciplinas e o crescente interesse popular em atividades milenares e apocalípticas.
Aos interessados, vale conferir: Millennialism,Eschatology, and Messianic figures in Iranian Tradition, por Mahnaz Moazami.
Fica o registro.
Fica o registro.
Jones F. Mendonça
sábado, 16 de março de 2013
AS SETE TÁBUAS DA CRIAÇÃO NO PROJETO GUTENBERG
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| Da Biblioteca de Ashur-bani-pal em Kouyunjik (Nínive): agora no Museu Britânico |
Ele formou o pó e o derramou ao lado da cana...
Ele formou a humanidade (LW King, p. 129).
Leia mais (texto ilustrado) no Projeto Gutenberg.
Jones F. Mendonça
O MILENARISMO E OS PERSAS
Em muitos livros sobre escatologia é dito que o apocaliptismo recebeu forte influência da religião persa (o dualismo, a divisão do mundo em eras, o milênio, etc.). Infelizmente poucos deles citam textos sagrados (fontes primárias) da religião zoroástrica, tais como o Avesta. Ainda que partes do livro remontem ao final da Idade Média, também incorporam mitos pagãos mais antigos, que reaparecem no Shahnama ("Livro do Reis"), concluído por volta do ano 1010 d.C. Como sou um sujeito desconfiado, saí atrás de citações do Avesta. Encontrei algumas no livro: "Mitos Persas", de Vesta Sarkhosh Curtis, diretora de Iran, revista inglesa publicada pelo Instituto Britânico de Estudos Persas.
Ainda estou dando uma boa olhada no livro. Encontrei uma referência a um reinado de mil anos, mas, neste caso, uma reinado maléfico:
Zahhak se sentó en el trono mil años.
obedecido por todo el mundo. Durante tan largo tiempo
las sabias costumbres estuvieran en desuso...
Las virtudes eram despreciadas, la magia negra estimulada,
la justicia perdida en la noche, el desastre manifiesto (I, v. 35).
Como utilizo o Blog como um grande arquivo, fica o registro.
Jones F. Mendonça
sexta-feira, 15 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
YAHWEH SOBRE QUERUBINS
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| Fonte: University of Oxford |
“Yahweh
está entronizado sobre os querubins”, expressão que é repetida em cânticos
cristãos como um mantra. Mas qual o sentido dessa frase? Eis alguns textos nos quais essa ideia aparece:
1Sm 4,4 Enviou, pois, o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca do pacto do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins...
2Sm 6,2 ... o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins.
Sl 99,1 O Senhor reina, tremam os povos; ele está entronizado sobre os querubins...
Is 37,16 O Senhor dos exércitos, Deus de Israel, tu que estás sentado sobre os querubins...
A
imagem de uma divindade (ou um rei) sustentada por querubins vem de um ideário religioso
estrangeiro, como atestam inúmeras figuras encontradas na região do Fértil
crescente (daí minha tese de que Ez 28 fala de um rei e um querubim, como na LXX, e não de um rei-querubim). Sobre a arca da aliança havia dois querubins, provavelmente
indicando um trono (vazio) que era ocupado por Yahweh. Note que Yahweh falava a
Moisés “do meio dos dois querubins”:
E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel (Ex 25,22).
Outro texto que
deixa evidente que a arca era uma espécie de suporte, trono ou pedestal divino,
encontra-se em Nm 10,35:
Quando, pois, a arca partia, dizia Moisés: Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam.
Em
Ezequiel Yahweh surge majestosamente na Babilônia voando sobre um trono
sustentado por querubins (que na verdade são esfinges, imponentes bestas aladas):
Então os querubins elevaram as suas asas, estando as rodas ao lado deles; e a glória do Deus de Israel estava em cima sobre eles (Ez 11,22).
A antiga crença de que o templo era "morada de Yahweh" já estava ultrapassada. A mensagem é clara: Yahweh não foi destruído
com o templo. Ele veio até Babilônia para nos resgatar das mãos dos nossos inimigos.
Quando Jeroboão mandou confeccionar um
bezerro de ouro, pensava provavelmente numa espécie de pedestal (como a arca de
Jerusalém) e não numa imagem a ser adorada. Mas quem contou a história foi o povo de
Judá...
Jones F. Mendonça
OS MITOS AINDA PULSAM
El, supremo deus do panteão cananeu, tornou-se um deus fraco, idoso, sem vitalidade. Baal (que não é nome próprio,
mas título), associado com as tempestades e, portanto, à fertilidade do solo,
ganhou popularidade entre os cananeus (e entre alguns israelitas). Numa das
mãos ele carrega um raio. Na outra, uma clava.
Num
grande complexo de épicos ugaríticos (de Ugarir, na Síria) do século XV a.C., Baal
derrota as forças caóticas de Yam, deus do mar (numa outra versão Baal derrota
Lotan, um dragão de sete cabeças que se tornou Leviatan entre os hebreus) mas depois é derrotado por Mot, deus da morte. Surpreendentemente Baal ressurge
do mundo dos mortos com a ajuda de Anath, sua esposa-irmã.
Mitos que narram a derrota de forças caóticas por algum deus já se faziam presentes na Mesopotâmia. Tiamat (águas salgadas, representando as forças caóticas) é derrotado por Marduk no Enuma Elish. Num outro texto mesopotâmico extremamente antigo Innana ressurge do mundo subterrâneo após ser socorrida por Enlil e Enki. Desordem e morte, elementos que atormentam o ser humano desde os primórdios. Tais mitos se originaram em sociedades agrárias, assoladas por inundações, secas, pragas, infertilidade do solo, etc.
Mitos que narram a derrota de forças caóticas por algum deus já se faziam presentes na Mesopotâmia. Tiamat (águas salgadas, representando as forças caóticas) é derrotado por Marduk no Enuma Elish. Num outro texto mesopotâmico extremamente antigo Innana ressurge do mundo subterrâneo após ser socorrida por Enlil e Enki. Desordem e morte, elementos que atormentam o ser humano desde os primórdios. Tais mitos se originaram em sociedades agrárias, assoladas por inundações, secas, pragas, infertilidade do solo, etc.
Hoje
vivemos em cidades. Muitos sequer têm a oportunidade de sentir o cheiro molhado
da terra. Algumas crianças dificilmente tocarão num pé de alface, ou de agrião
ou de cebolinha fincados no solo. Mundo digital, midiático e virtual.
Século
XXI e a força dos antigos mitos ainda pulsa sem cessar. Até quando?
Jones
F. Mendonça
terça-feira, 12 de março de 2013
GEOGRAFIA BÍBLICA: MESOPOTÂMIA
Tenho preparado, a duras penas, material para as aulas de geografia bíblica no STBC. Acabo de concluir a parte destinada à Mesopotâmia. O material ainda carece de melhoras (visuais e de conteúdo). Estou postando assim mesmo a fim de que seja submetido às críticas e sugestões. Segue o material:
segunda-feira, 11 de março de 2013
NIETZSCHE E O NIILISMO: RESSENTIMENTO, MÁ CONSCIÊNCIA E IDEAL ASCÉTICO
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| Prometeu acorrentado, de JacobJordaens (1640). |
Nietzsche afirmou que os valores morais foram criados pelos próprios homens e não oriundos de um além mundo como anunciavam os religiosos. Ele iniciou sua investigação na Grécia pré-socrática, particularmente na tragédia grega, manifestação artística que expressava a forma positiva com a qual os gregos encaravam a existência. Os gregos desse tempo - defendia Nietzsche - afirmavam a vida a despeito das atrocidades e falta de sentido do mundo. Mas a partir de Sócrates e Platão, a ideia de um “outro mundo”, perfeito, ideal e pleno, teria se cristalizado na consciência dos gregos, dando início à decadência do espírito trágico. Se há um mundo perfeito, verdadeiro, ideal, teriam pensado os gregos sob a nova visão de mundo, é nele que o homem deve buscar o modelo do correto sentir, do correto pensar e do correto agir. Surgiam assim os fundamentos da moral judaico-cristã. Essa moral, anunciada pelos seguidores do Cristo (e não pelo próprio Cristo, insistia Nietzsche), particularmente por Paulo de Tarso, teria dominado a civilização ocidental por quase dois milênios, dando origem à “enfermidade do século”, o niilismo, negação e depreciação da vida em nome do além.
Nietzsche definiu o niilismo a partir de três figuras principais: o ressentimento, a má consciência e o ideal ascético. O ressentimento teria surgido a partir da busca dos “fracos” pelos culpados por suas mazelas. Tais pessoas, incapazes de enfrentar as atrocidades da existência, teriam interiorizado seus afetos e envenenado a si mesmo, dando origem à figura do ressentido, um indivíduo impotente diante dos “fortes”, que oculta sua amargura no comportamento humilde, submisso, obediente, paciente e perdoador. Esse movimento de introjeção teria como desdobramento a “má consciência”, ou sentimento de culpa, que faz com que o ressentido sinta-se culpado pelo que o faz sofrer e o mova em direção à autopunição. Para completar o processe Nietzsche acrescentou um terceiro e último elemento, “o ideal ascético”. Tomado pela má consciência e pela culpa, restaria ao ressentido a negação da vida e do mundo. Para justificar seu sofrimento o “fraco” teria optado por “desejar o nada” (cristianismo) a “nada desejar” (budismo), idealizando um “mundo imaginário”, puro, perfeito, belo, antítese da vida terrena. Esse modelo moral socrático-platônico-cristão, chamado por Nietzsche de “moral de rebanho”, teria se transformado num instrumento nas mãos do sacerdote, uma espécie de terapeuta perverso, domesticador por excelência, disposto a subjugar os mais fracos, que incapazes de se levantarem contra seus dominadores passaram a rotular como “mal” tudo aquilo que lhes causava dor e sofrimento.
Nietzsche via a necessidade do homem ocidental se desvencilhar da moralidade cristã a fim de que pudesse nascer o que chamou de além-do-homem (Übermensch), novo homem capaz de levar às últimas conseqüências a afirmação da vida, dando vazão a sua “vontade de potência”. O grau de afirmação seria tal que o além-do-homem desejaria o eterno retorno, ciclo interminável da existência, vivenciando-a novamente em todos os detalhes, tanto os agradáveis, como aqueles que lhe causam dor e sofrimento. Para Nietzsche, este homem estaria por vir. Este seria o homem do futuro.
Jones F. Mendonça
CLODOVIS BOFF: "UMA IGREJA SECULARIZADA É IRRELEVANTE PARA A HISTÓRIA E PARA OS HOMENS"
Leonardo Boff tem um irmão, Clodovis Boff, intelectual dotado de extraordinária mente teórica (no livro "Teologia do político e suas mediações" Clodovis apresenta um profundo estudo teórico da teologia da libertação). Ambos caminharam juntos na defesa de teologia da libertação, até que em 2007 Clodovis passou a criticar o que chamou de "a instrumentalização da fé pela política". Além disso, acha que no discurso hegemônico da teologia da libertação "a fé em Cristo aparecia em segundo plano".
Numa entrevista concedida à Folha de São Paulo (11/03/13) Clodovis Boff defende Bento XVI, critica o "cristianismo anônimo" de Karl Rahner, a influência marxista e diz que o secularismo é uma "cultura de minorias" (e que está "perdendo o gás"!).
Leia aqui.
Jones F. Mendonça
terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
MERECE APLAUSOS
Desmontagem e montagem Vtr Jeep - 17º Batalhão Logístico - Juiz de Fora - MG.
Via Montedo.com
Jones F. Mendonça
O VENTO QUE SOPRA SOB AS RÉDEAS DO DOGMA
Fiz
hoje uma limpeza em minha estante de livros. Um formigueiro, acreditem,
instalou-se num dos compartimentos. Achei por lá, perdida, uma Bíblia das
Testemunhas de Jeová (Tradução do Novo Mundo - TNM). Gosto de comparar Gn 1,1-2
em diferentes versões. Eis o que li:“No princípio criou Deus os céus e a terra. Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia-se por cima da superfície das águas”.
Há
muito que discutir a respeito dessa tradução. Detenho-me, todavia, no trecho
sublinhado: “e a força ativa de Deus”.
As
Testemunhas de Jeová acreditam que o Espírito Santo é uma espécie de força
ativa, e não uma “pessoa”, como defende a “mais pura tradição cristã” (cf.
Credo de Niceia-Constantinopla). Bem,
então os tradutores da TNM, imaginando que o texto fala a respeito desse poder
operativo de Deus na terra, fazem uma interpretação do texto segundo o que
acreditam (projetam no passado uma crença recente). Uma prática, infelizmente,
muito comum na maioria das Bíblias.
A
expressão hebraica “veruah elohim”, pode ser traduzida por “e o (ou um) espírito
de Deus” ou, mais literalmente, “e o (ou um) espírito de elohim”, ou ainda “e o
(ou um) vento de elohim”. Ruah (sem o “ve” prefixado, que é conjunção, daí
“veruah”) pode ser traduzido por “espírito” ou “vento” ou até mesmo “fôlego”,
mas “força ativa” jamais.
Alguém
atirará pedras na Tradução do Novo Mundo dizendo que é uma tradução herege. Mas
não caem na mesma categoria as Bíblias que traduzem “ruah” por “Espírito”,
assim com letra maiúscula?
Jones
F. Mendonça
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
DIREITA X ESQUERDA
Debate entre Marcos Nobre (representando a esquerda) e Luiz Felipe Pondé (representando a direita), mediado pelo jornalista Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de São Paulo.
PAULO, AS MULHERES E O COPISTA SEXISTA
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| São Paulo, de Marco Zoppo (1468) |
Em sua primeira carta aos coríntios (ou segunda, cf. 1Co 5,9), a partir do capítulo XII, Paulo deixa orientações acerca de alguns problemas que estavam impedindo a comunhão da igreja local.
No capítulo XII ele trata sobre os dons (ou carismas, como gostam os católicos). Em seguida, no XIII, enfatiza a superioridade do amor sobre os dons. No XIV o “apóstolo dos gentios” destaca a superioridade da profecia sobre as línguas (glossolalia). Quando sua carta chega ao verso 33, parte “b”, deste último capítulo, algo estranho acontece. Leia:
33b Como em todas as congregações dos santos, 34 permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a lei. 35 Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja.
Há neste trecho uma interrupção na sequência temática que chama a atenção do leitor mais atento. O tema do capítulo é “profecia x línguas”, mas inesperadamente Paulo começa a falar sobre o comportamento das mulheres nas ecclesias (“não lhes é permitido falar”, v. 34). Mas não é só isso. Caso a recomendação presente no texto seja levada a sério (“perguntem a seus maridos”, v. 35), como ficariam as mulheres solteiras e viúvas? Outro detalhe. A expressão “como diz a lei” parece supor que a Torá ensine o silêncio das mulheres num culto público, mas tal orientação não existe! Além do mais Paulo tinha o costume de citar o texto ao qual fazia alusão. O trecho torna-se ainda mais estranho quando confrontado com o verso 5 do capítulo 11: “Mas toda mulher que ora ou profetiza...”. Ora, como poderiam profetizar nas eclesias se não lhes era permitido falar?
Alguns códices latinos e gregos, entendendo ser este trecho um adendo, puseram-no no final do capítulo, depois do verso 40, como um apêndice. Os versos 33b; 34 e 35 teriam sido inseridos por um copista, preocupado em enfatizar que as mulheres não deviam ter função pública na igreja (o mesmo teria sido feito com Júnia, a “apóstola eminente”, transformada em homem em Rm 16). A tese do "copista sexista" é defendida por Barth Ehrman e Gottfried Brakemeier.
Jones F. Mendonça
No capítulo XII ele trata sobre os dons (ou carismas, como gostam os católicos). Em seguida, no XIII, enfatiza a superioridade do amor sobre os dons. No XIV o “apóstolo dos gentios” destaca a superioridade da profecia sobre as línguas (glossolalia). Quando sua carta chega ao verso 33, parte “b”, deste último capítulo, algo estranho acontece. Leia:
33b Como em todas as congregações dos santos, 34 permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a lei. 35 Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja.
Há neste trecho uma interrupção na sequência temática que chama a atenção do leitor mais atento. O tema do capítulo é “profecia x línguas”, mas inesperadamente Paulo começa a falar sobre o comportamento das mulheres nas ecclesias (“não lhes é permitido falar”, v. 34). Mas não é só isso. Caso a recomendação presente no texto seja levada a sério (“perguntem a seus maridos”, v. 35), como ficariam as mulheres solteiras e viúvas? Outro detalhe. A expressão “como diz a lei” parece supor que a Torá ensine o silêncio das mulheres num culto público, mas tal orientação não existe! Além do mais Paulo tinha o costume de citar o texto ao qual fazia alusão. O trecho torna-se ainda mais estranho quando confrontado com o verso 5 do capítulo 11: “Mas toda mulher que ora ou profetiza...”. Ora, como poderiam profetizar nas eclesias se não lhes era permitido falar?
Alguns códices latinos e gregos, entendendo ser este trecho um adendo, puseram-no no final do capítulo, depois do verso 40, como um apêndice. Os versos 33b; 34 e 35 teriam sido inseridos por um copista, preocupado em enfatizar que as mulheres não deviam ter função pública na igreja (o mesmo teria sido feito com Júnia, a “apóstola eminente”, transformada em homem em Rm 16). A tese do "copista sexista" é defendida por Barth Ehrman e Gottfried Brakemeier.
Jones F. Mendonça
sábado, 23 de fevereiro de 2013
DIRETOR PALESTINO DE “CINCO CÂMERAS QUABRADAS” É DETIDO EM LOS ANGELES
O
filme palestino ‘5 Broken Cameras’ é um dos indicados ao Oscar de melhor
documentário estrangeiro. Mas seu diretor, Emad Burnat, a esposa Soraya e o
filho Gibril foram detidos na terça (19) ao desembarcarem no aeroporto de Los
Angeles, onde participariam da premiação. Acabaram levados para uma área
fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório.
Leia
mais aqui.
Jones
F. Mendonça
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
PIADA DO DIA
Acabo de receber, acreditem, um e-mail me convidando a participar de um abaixo-assinado pela NÃO cassação do registro de psicólogo do pastor Silas Malafaia.
Pelos bigodes de Nietzsche!
Jones F. Mendonça
O REI DO GRANDE MONTE DE TERRA
Quando eu era moleque, numa rua sem asfalto constantemente reparada por um trator que cobria os buracos feitos pela chuva, havia uma brincadeira que consistia na disputa pelo rei do monte de terra. Vencia quem conseguisse permanecer por mais tempo no pico do monte. Éramos ainda crianças, mas o poder... é, o poder, já nos seduzia.
Cresci
e notei que na escola, entre os alunos, havia disputas pelo poder. Entre
professores não era diferente. E na igreja a história se repetia. Facções agitavam-se pelos corredores articulando meios de aumentar sua influência. Havia o grupo do pastor, o grupo da oposição, o grupo
pró-renovação, os liberais, o grupo dos conservadores, o seminarista que queria
assumir a direção, o diácono quizumbeiro, o cara que aspirava ser o tesoureiro
e por aí vai...
Fevereiro
de 2013. Noticia-se a renúncia de Bento XVI aos quatro ventos. Há quem queira
ver no episódio um sinal dos tempos: Raio que ilumina o céu do Vaticano e
atinge a Capela Sistina. Meteoro que rasga e incendeia o céu da Rússia. Bobagens
que são “curtidas” e “descurtidas” no universo facebookiano.
Para
uns, é Deus, rabiscando em tortas linhas o destino da humanidade. Para outros é
Satã, astuto querubim rebelde que não mede esforços para ocupar o trono divino e
reger o grande coral da criação com cetro de aço (sim, porque o de ferro,
segundo São João no livro da Revelação, está reservado ao messias).
O
que vejo? Ah, eis o que vejo: defronte ao Aventino e o Capitólio, o Quirinal e
o Viminal, uma dantesca disputa pelo rei do grande monte de terra. Os “purpurados”,
ricamente adornados, a lançar vigorosamente suas pernas em direção ao cume da grande
e magnífica cúpula da Basílica de São Pedro.
Estarei enganado? Meus olhos foram embaçados pelo relógio?
Às 23:05h.
Jones
F. Mendonça
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
EIXO DO BEM X EIXO DO MAL: UMA VELHA HISTÓRIA
Rússia, Coreia do Norte, China, Irã, Síria... = eixo do mal.
EUA, Coreia do Sul, Japão, Israel, Inglaterra, França, Alemanha... = eixo do bem.
Santa ingenuidade!
Leia a respeito da demonização do Irã aqui (não que ele não tenha lá os seus demônios!).
Jones F. Mendonça
EUA, Coreia do Sul, Japão, Israel, Inglaterra, França, Alemanha... = eixo do bem.
Santa ingenuidade!
Leia a respeito da demonização do Irã aqui (não que ele não tenha lá os seus demônios!).
Jones F. Mendonça
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
RENÚNCIA DE BENTO XVI: FICA O REGISTRO
Via Rádio Vaticano:
Caríssimos
Irmãos,
convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.
Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.
ELOHIM, O REI DE TIRO E O QUERUBIM: INTRIGAS NO MONTE DE DEUS - (PARTE II)
Continuo minha investigação sobre o texto de Ezequiel 28 (carnaval em casa, sabe como é). Algumas vezes a LXX parece ter razão...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
ELOHIM, O REI DE TIRO E O QUERUBIM: INTRIGAS NA MONTANHA DE DEUS
Nesta semana o André Fonseca, meu aluno, apresentou-me uma questão. Trata-se do famoso relato da queda do rei de Tiro, no capítulo 28 do profeta Ezequiel (erroneamente interpretado como a queda de Satã). Em algumas versões o rei de Tiro é comparado a um querubim: “Tu eras querubim da guarda” (v.14 na Almeida revista e Atualizada - ARA), fantástico ser da mitologia oriental que atua como guardião de um local sagrado. Por causa de seu orgulho foi banido por Elohim da montanha de Deus: “te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16 na ARA).
Mas algumas versões (como a Bíblia do Peregrino - BP) interpretam o texto de forma bem diferente. Nessas versões o rei de Tiro é colocado no monte de Deus com um querubim e não como um querubim: “Te pus junto a um querubim protetor". No momento da expulsão é este querubim guardião quem expulsa o rei de Tiro: “e o querubim da guarda te expulsou”.
Compare:Mas algumas versões (como a Bíblia do Peregrino - BP) interpretam o texto de forma bem diferente. Nessas versões o rei de Tiro é colocado no monte de Deus com um querubim e não como um querubim: “Te pus junto a um querubim protetor". No momento da expulsão é este querubim guardião quem expulsa o rei de Tiro: “e o querubim da guarda te expulsou”.
“Tu
eras querubim da guarda” (v.14 na ARA)
“e te pus junto a um querubim"
(v. 14 na BP)
“e
te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16 na ARA).
“e
o querubim protetor te expulsou” (v.16
na BP).
Após
uma análise inicial convenci-me de que o texto da ARA corresponde melhor ao
texto hebraico. Eis minhas razões:
1)
O verso 14 começa assim: “’at (tu
[eras/estavas]) keruv (um querubim) mimshah (magestoso? ungido? grande?
reluzente?) hasukhekh (guardião)”. A
tradução “tu estavas com...” ou “e
te pus junto a um” faria sentido
caso houvesse uma preposição ('et = com) antes de keruv (compare Gn 39,21). A ausência da preposição parece indicar o verbo “ser” e não o
“estar”: “tu eras um keruv...”.
2)
O texto hebraico em questão articula-se entre o “eu” (Elohim) e o “tu” (rei de
Tiro). Não há verbos na terceira pessoa do singular nos versos 14 e 16. A
construção “e o querubim da guarda (ele) te expulsou” não me parece correta;
Bem, parece que a tradução “Tu eras querubim da
guarda” (v, 14) e “e te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16) é a mais acertada (ARA). Mas há algo que me
incomoda nessa versão. Acho que faz mais sentido pensar que o texto original apresentava o rei de Tiro (figura do "homem primordial") sendo colocado na montanha de Deus protegido por um querubim.
Após sua queda este mesmo querubim o expulsou sob as ordens de Elohim. Dessa
forma o texto de Ezequiel encontra paralelo com o texto de Gênesis 3: um casal
é colocado num jardim. Após a “queda” ambos são expulsos e o jardim permanece guardado
por um querubim.
Alguém
teria modificado o texto original? Com que intenção?
Jones
F. Mendonça
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