terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

DIREITA X ESQUERDA

Debate entre Marcos Nobre (representando a esquerda) e Luiz Felipe Pondé (representando a direita), mediado pelo jornalista Otávio Frias Filho, diretor de redação da Folha de São Paulo. 


PAULO, AS MULHERES E O COPISTA SEXISTA


São Paulo, de Marco Zoppo (1468)
Em sua primeira carta aos coríntios (ou segunda, cf. 1Co 5,9), a partir do capítulo XII, Paulo deixa orientações acerca de alguns problemas que estavam impedindo a comunhão da igreja local.

No capítulo XII ele trata sobre os dons (ou carismas, como gostam os católicos). Em seguida, no XIII, enfatiza a superioridade do amor sobre os dons. No XIV o “apóstolo dos gentios” destaca a superioridade da profecia sobre as línguas (glossolalia). Quando sua carta chega ao verso 33, parte “b”, deste último capítulo, algo estranho acontece. Leia:

33b Como em todas as congregações dos santos, 34 permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a lei. 35 Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja.

Há neste trecho uma interrupção na sequência temática que chama a atenção do leitor mais atento. O tema do capítulo é “profecia x línguas”, mas inesperadamente Paulo começa a falar sobre o comportamento das mulheres nas ecclesias (“não lhes é permitido falar”, v. 34). Mas não é só isso. Caso a recomendação presente no texto seja levada a sério (“perguntem a seus maridos”, v. 35), como ficariam as mulheres solteiras e viúvas? Outro detalhe. A expressão “como diz a lei” parece supor que a Torá ensine o silêncio das mulheres num culto público, mas tal orientação não existe! Além do mais Paulo tinha o costume de citar o texto ao qual fazia alusão. O trecho torna-se ainda mais estranho quando confrontado com o verso 5 do capítulo 11: “Mas toda mulher que ora ou profetiza...”. Ora, como poderiam profetizar nas eclesias se não lhes era permitido falar?

Alguns códices latinos e gregos, entendendo ser este trecho um adendo, puseram-no no final do capítulo, depois do verso 40, como um apêndice. Os versos 33b; 34 e 35 teriam sido inseridos por um copista, preocupado em enfatizar que as mulheres não deviam ter função pública na igreja (o mesmo teria sido feito com Júnia, a “apóstola eminente”, transformada em homem em Rm 16). A tese do "copista sexista" é defendida por Barth Ehrman e Gottfried Brakemeier.

Jones F. Mendonça 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

DIRETOR PALESTINO DE “CINCO CÂMERAS QUABRADAS” É DETIDO EM LOS ANGELES


Texto publicado no Carta Maior (22/02/2013), por Baby Siqueira Abrão:

O filme palestino ‘5 Broken Cameras’ é um dos indicados ao Oscar de melhor documentário estrangeiro. Mas seu diretor, Emad Burnat, a esposa Soraya e o filho Gibril foram detidos na terça (19) ao desembarcarem no aeroporto de Los Angeles, onde participariam da premiação. Acabaram levados para uma área fechada nas dependências do aeroporto e submetidos a interrogatório.

Leia mais aqui.


Jones F. Mendonça

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

PIADA DO DIA

Acabo de receber, acreditem, um e-mail me convidando a participar de um abaixo-assinado pela NÃO cassação do registro de psicólogo do pastor Silas Malafaia. 

Pelos bigodes de Nietzsche! 


Jones F. Mendonça

O REI DO GRANDE MONTE DE TERRA

Quando eu era moleque, numa rua sem asfalto constantemente reparada por um trator que cobria os buracos feitos pela chuva, havia uma brincadeira que consistia na disputa pelo rei do monte de terra. Vencia quem conseguisse permanecer por mais tempo no pico do monte. Éramos ainda crianças, mas o poder... é, o poder, já nos seduzia.

Cresci e notei que na escola, entre os alunos, havia disputas pelo poder. Entre professores não era diferente. E na igreja a história se repetia. Facções agitavam-se pelos corredores articulando meios de aumentar sua influência. Havia o grupo do pastor, o grupo da oposição, o grupo pró-renovação, os liberais, o grupo dos conservadores, o seminarista que queria assumir a direção, o diácono quizumbeiro, o cara que aspirava ser o tesoureiro e por aí vai...

Fevereiro de 2013. Noticia-se a renúncia de Bento XVI aos quatro ventos. Há quem queira ver no episódio um sinal dos tempos: Raio que ilumina o céu do Vaticano e atinge a Capela Sistina. Meteoro que rasga e incendeia o céu da Rússia. Bobagens que são “curtidas” e “descurtidas” no universo facebookiano.

Para uns, é Deus, rabiscando em tortas linhas o destino da humanidade. Para outros é Satã, astuto querubim rebelde que não mede esforços para ocupar o trono divino e reger o grande coral da criação com cetro de aço (sim, porque o de ferro, segundo São João no livro da Revelação, está reservado ao messias).

O que vejo? Ah, eis o que vejo: defronte ao Aventino e o Capitólio, o Quirinal e o Viminal, uma dantesca disputa pelo rei do grande monte de terra. Os “purpurados”, ricamente adornados, a lançar vigorosamente suas pernas em direção ao cume da grande e magnífica cúpula da Basílica de São Pedro.

Estarei enganado? Meus olhos foram embaçados pelo relógio?


Às 23:05h. 

Jones F. Mendonça

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

EIXO DO BEM X EIXO DO MAL: UMA VELHA HISTÓRIA

Rússia, Coreia do Norte, China, Irã, Síria... = eixo do mal. 
EUA, Coreia do Sul, Japão, Israel, Inglaterra, França, Alemanha... = eixo do bem. 

Santa ingenuidade!

Leia a respeito da demonização do Irã aqui (não que ele não tenha lá os seus demônios!). 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

RENÚNCIA DE BENTO XVI: FICA O REGISTRO

Via Rádio Vaticano

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.


Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

ELOHIM, O REI DE TIRO E O QUERUBIM: INTRIGAS NO MONTE DE DEUS - (PARTE II)

Continuo minha investigação sobre o texto de Ezequiel 28 (carnaval em casa, sabe como é). Algumas vezes a LXX parece ter razão... 


Continuação deste post. 


Jones F. Mendonça

domingo, 10 de fevereiro de 2013

ELOHIM, O REI DE TIRO E O QUERUBIM: INTRIGAS NA MONTANHA DE DEUS

Nesta semana o André Fonseca, meu aluno, apresentou-me uma questão. Trata-se do famoso relato da queda do rei de Tiro, no capítulo 28 do profeta Ezequiel (erroneamente interpretado como a queda de Satã). Em algumas versões o rei de Tiro é comparado a um querubim: “Tu eras querubim da guarda” (v.14 na Almeida revista e Atualizada - ARA), fantástico ser da mitologia oriental que atua como guardião de um local sagrado. Por causa de seu orgulho foi banido por Elohim da montanha de Deus: “te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16 na ARA).

Mas algumas versões (como a Bíblia do Peregrino - BP) interpretam o texto de forma bem diferente. Nessas versões o rei de Tiro é colocado no monte de Deus com um querubim e não como um querubim: “Te pus junto a um querubim protetor". No momento da expulsão é este querubim guardião quem expulsa o rei de Tiro: “e o querubim da guarda te expulsou”. 

Compare:

Tu eras querubim da guarda” (v.14 na ARA)
e te pus junto a um querubim" (v. 14 na BP)

e te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16 na ARA).
e o querubim protetor te expulsou” (v.16 na BP).

Após uma análise inicial convenci-me de que o texto da ARA corresponde melhor ao texto hebraico. Eis minhas razões:

1) O verso 14 começa assim: “’at (tu [eras/estavas]) keruv (um querubim) mimshah (magestoso? ungido? grande? reluzente?) hasukhekh (guardião)”. A tradução “tu estavas com...” ou “e te pus junto a um” faria sentido caso houvesse uma preposição ('et = com) antes de keruv (compare Gn 39,21). A ausência da preposição parece indicar o verbo “ser” e não o “estar”: “tu eras um keruv...”.

2) O texto hebraico em questão articula-se entre o “eu” (Elohim) e o “tu” (rei de Tiro). Não há verbos na terceira pessoa do singular nos versos 14 e 16. A construção “e o querubim da guarda (ele) te expulsou” não me parece correta;

Bem, parece que a tradução “Tu eras querubim da guarda” (v, 14) e “e te farei perecer, ó querubim da guarda” (v.16) é a mais acertada (ARA). Mas há algo que me incomoda nessa versão. Acho que faz mais sentido pensar que o texto original apresentava o rei de Tiro (figura do "homem primordial") sendo colocado na montanha de Deus protegido por um querubim. Após sua queda este mesmo querubim o expulsou sob as ordens de Elohim. Dessa forma o texto de Ezequiel encontra paralelo com o texto de Gênesis 3: um casal é colocado num jardim. Após a “queda” ambos são expulsos e o jardim permanece guardado por um querubim.

Alguém teria modificado o texto original? Com que intenção?


Jones F. Mendonça

PARA QUE SERVE UM QUERUBIM GUARDIÃO?

Representação de um querubim
encontrado em Samaria

Há quem sustente que a descrição da queda do rei de Tiro, em Ezequiel 28, refere-se à origem de Satã, um querubim guardião que vivia na montanha de Deus “entre as pedras fumegantes”. Ele ganhou até um nome próprio: “Lúcifer” (emendando Ezequiel com Isaías). Ora, se antes da queda do querubim não havia pecado, por que carga d’água Deus precisaria de um guardião? Enfim, ele guardava o que e de quem?


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

NÃO HÁ DEMONIZAÇÃO NOS LIVROS ESCOLARES PALESTINOS E ISRAELENSES, DIZ ESTUDO

A Autoridade Palestina e Israel acusam-se mutuamente de ensinar a violência nas escolas e de propagar o ódio e a demonização do outro através dos programas de ensino. Mas após analisar livros didáticos usados ​​por israelenses e palestinos, um estudo divulgado neste mês constatou que com raras exceções isso acontece. Ficou constatado, todavia, que os acontecimentos históricos são apresentados de forma seletiva para reforçar as visões nacionais de ambos os lados. O resultado do estudo foi bem recebido por autoridades palestinas (maiores vítimas dessa acusação). Já em Israel...

Leia mais aqui, aqui e aqui.


Jones F. Mendonça

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

HEBRAICO ELEGANTE NO WESTMINSTER LENINGRAD CODEX

Fuçando aqui e ali acabei me deparando com um site para lá de útil. Trata-se do Tanach.us. Nele você encontra toda a Tanakh (Bíblia hebraica)  nos formatos texto, HTML,  ODT, PDF e XML (Códex Leningrado). Você ainda pode escolher se quer o texto com todos os sinais massoréticos, apenas as vogais, apenas as consoantes ou ainda a opção "morfologia" (artigos, conjunções e preposições aparecem separados das palavras). Abaixo um exemplo dos formatos disponíveis:


De quebra uma fonte hebraica elegante como poucas. 


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ELOCUBRAÇÕES SOBRE O DIVINO

De onde veio o mal, perguntaram-se os primeiros teólogos.  Então...

Os maniqueístas: duas divindades supremas presidem o universo. O mal tem caráter metafísico e ontológico.  Os seres do universo surgiram a partir da luta entre os dois princípios (Luz/alma/bem – Trevas/corpo/mal). Deus deixa de ser responsabilizado pelo mal. O homem também não é responsável pelo mal que faz (o mal é inerente à natureza corpórea).

Plotino: o mal está na matéria, extremo limite do Uno no processo de emanação. O mal é degradação da perfeição, apesar disso é necessário, pois expressa a multiplicidade das essências. O homem é, como Ulisses, um ser desejoso de voltar à pátria. O mal tem caráter ontológico-estético-natural.

Agostinho: O mal não é um ser, mas deficiência e privação de ser. O mal moral é produto da vontade má. O mal físico é conseqüência do pecado original, ou seja, é conseqüência do mal moral.

É, isso cansa. 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

CAUSA MORTIS

Tragédia em Santa Maria, RS. Mais de 200 mortos.

O legista: intoxicação respiratória por inalação de monóxido de carbono;
O fiscal: alvará vencido;
O moralista: promiscuidade dos jovens;
O engenheiro civil: obra mal projetada;
O especialista em segurança: funcionários mal orientados;
O perito da Polícia Civil: artefato pirotécnico inadequado para ambientes fechados.
A vítima do acidente que sobreviveu: músico irresponsável;
A oposição ao governo Dilma: culpa do PT;
A imprensa: qualquer coisa que dê IBOPE;
O religioso: A Divina Providência.

Simplificações para uma tragédia brasileira. 

Jones F. Mendonça

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ENTENDA AS ELEIÇÕES EM ISRAEL

Leia no Opera Mundi.


SOBRE POLÍTICA, CARNIÇA E ABUTRES

Arte: Carlos Latuff
Repete-se hoje nos países islâmicos o que ocorreu no Irã em 79. A população com tendências laicas protesta ao lado dos radicais islâmicos contra um governo autoritário. De mãos dadas o grupo derruba a antiga tirania. O vácuo de poder é ocupado pelos radicais, que perseguem ferozmente seus opositores (laicos e membros do antigo governo).

Nos céus, com as asas bem estendidas e com um faro super apurado, planam os abutres da Europa e da América, na esperança de obterem alguma vantagem do novo quadro que se formou.

Há algo de novo debaixo do céu?


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DEUS JOGA DADOS (?)

Stephen Hawking, contrariando Einstein, acha que "Deus"
joga dados. 

Na teologia reformada não existe sorte. A palavra pode até ser empregada por um calvinista, mas possui uma conotação diferente: sorte = evento que tem como origem um decreto divino motivado por um critério misterioso. Por trás de tudo move-se a Providência com seus fios invisíveis e infalíveis. Para a frágil e ingênua criatura humana os ventos que sopram a vela da história parecem “sorte” ou “acaso” ou são frutos da atividade humana. Mas no fundo, dirá um calvinista, o que chamamos “sorte” ou “acaso” não passa de um decreto divino.

Quando o assunto é salvação o processo é o mesmo. Deus “vota”, digamos assim, num indivíduo e ele é incluído gratuitamente entre os eleitos. Não importa se fez uma boa “campanha”, ou se é um “bom candidato”, ou se tem um grande poder de persuasão. O “eleito” também não ganha essa condição por acaso, como ocorre com um dado lançado numa mesa de jogo. Aliás, Deus até pode jogar dados, mas são dados “viciados”. Quando Ele quer que o resultado seja um seis, certamente será um seis. Ponto.

Os problemas começam quando o assunto é o pecado original, uma das doutrinas fundamentais na teologia cristã. Ora, se a desobediência do primeiro casal foi o resultado de um decreto divino, como ambos (e toda uma geração posterior) podem ser responsabilizados por tal ato? Deus jogou o “dado viciado” e o resultado foi: “comer o fruto proibido”. Haveria alternativa senão comê-lo? Deus, neste caso, não se faz autor do pecado?

Calvino dirá que não. Sei...


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ÁGUA DO MAR VERMELHO SERÁ BOMBEADA PARA O MAR MORTO, PREVÊ PROJETO

Imagem: Haarez

Fiz o resumo de uma notícia veiculada pelo Haaretz (versão só para assinantes, 16/01/13):

Alguns estudos indicam que se nenhuma medida for tomada o Mar Morto irá encolher cerca de 10% nos próximos 50 anos, o que traria graves danos ao turismo, às indústrias locais e ao meio ambiente. A solução encontrada pelos governos de Israel e da Jordânia: bombear água do Mar Vermelho. O projeto prevê a construção de uma estação de bombeamento no Golfo de Áqaba e uma estação de dessalinização com capacidade de meio bilhão de metros cúbicos por ano. O elevado custo da obra e críticas vindas de ambientalistas constituem sérias ameaças a esse ambicioso projeto.

Se você é assinante ou se cadastrou (como eu) para acessar 10 artigos do Haaretz por mês gratuitamente, leia o artigo completo aqui.




Jones F. Mendonça 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS DO ORIENTE

Foi-se 2012 e Bashar Al Assad continua firme no poder em Damasco, apesar de opositores terem conquistado alguns territórios do país. Quem se interessa pela política do Oriente Médio deve dar uma olhada neste mapa abaixo publicado pelo New York Times. Também vale conferir este, este e este artigo, todos escritos pelo jornalista Gustavo Chacra em seu Blog. 

Um interessante Blog estrangeiro sobre o Oriente Médio é o do jornalista britânico Jonathan Cook.


Jones F. Mendonça

SALOMÃO GINSBURG, OS BATISTAS E A MAÇONARIA


Famoso por ter criado o Cantor Cristão, Salomão Ginsburg - missionário batista fundador de inúmeras igrejas em território brasileiro - está em Jacobina, no centro norte baiano. É final do século XIX e a reação católica aos protestantes é extremamente hostil. Enquanto prega, uma multidão armada com punhais cerca o dedicado missionário. Salomão ora pedindo livramento a Deus e um pensamento lhe vem de súbito: “Seria possível que naquele lugar houvesse um irmão maçom?”. Sem pensar duas vezes este ilustre maçom protestante faz o sinal da maçonaria e alguns homens o cercam, conduzindo-o a uma das melhores residências da cidade. Ufa!

Este é apenas um caso de ajuda maçônica relatado por Salomão Ginsburg em seu livro “Um judeu errante no Brasil”, publicado pela JUERP (dê uma olhada nas páginas 82, 83 e 110). Os maçons, liberais e progressistas, viram o protestantismo como um ótimo instrumento contra o poder da igreja católica, considerada conservadora e atrasada. Como fez com os templários, a igreja católica logo tratou de demonizar os maçons, artifício que também foi utilizado por evangélicos em relação aos dois primeiros. A influência maçônica entre os protestantes foi tão significativa que em 1903 ocorreu um cisma na igreja presbiteriana.

Na raiz de todas essas disputas está a luta pelo poder. A fé funciona como isca. O demônio, por mais estranho que possa parecer, alimenta a fé. É assim desde os primórdios...


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

PAZ

Por Homayoun Mahmoudi - Irã - 02/01/2013

PARA COMPREENDER O CRISTIANISMO PRIMITIVO II [LIVROS]


V.V, A.A. Cristianismo primitivo y religiones mistéricas. Madrid. Ediciones Cátedra, 1995.

Diferentemente do que pode parecer, o livro não trata apenas da relação entre o cristianismo primitivo e as religiões mistéricas. Há muito mais. Como a obra é bastante extensa (possui 33 capítulos), farei uma breve apresentação dos 10 primeiros capítulos.

No primeiro capítulo J. M. Blázquez (autor da maior parte do livro) trata sobre as fontes para o conhecimento de Jesus: A Fonte Q, a autoria, data da redação e a origem dos Evangelhos, as cartas paulinas e os evangelhos apócrifos (fontes judaicas e romanas sobre Jesus são tratadas no capítulo IV). Em seguida, nos capítulos II, III e IV, o mesmo autor trata sobre o mundo em que nasceu o cristianismo, as seitas judaicas e a pessoa de Jesus (sua vida pública, idioma que falava, família, pregação, interpretações de sua mensagem, etc.). O capítulo V, ainda sob os cuidados de J. M. Blázquez trata sobre a estrutura social do cristianismo primitivo. Temas como a situação social da mulher, o ambiente urbano do cristianismo dos primeiros séculos e sua organização eclesiástica são abordados pelo autor.

O capítulo VI, escrito por Arminda Lozano Velilla, Catedrático de História Antiga da Universidade Complutense de Madri, tem como foco o panorama religioso da Ásia Menor na época helenístico-romana. Lozano apresenta algumas das principais características das escolas filosóficas helenísticas desse período: platonismo, epicurismo, estoicismo e cinismo. O culto ao imperador, a astrologia, a ideia monoteísta e a religião solar também recebem atenção especial. O autor prossegue tratando sobre as religiões pagãs e suas principais divindades (Cibele, Atis, Zeus, etc.).

J. M. Blázquez volta à cena nos capítulos VII e VIII. Seu interesse agora se volta para a reação pagã ao cristianismo primitivo (Epícteto, Crescente, Frontón, Luciano de Samosata, Marco Aurélio, Apuleio, Hélio Aistides, Galeno, Celso, Dion Cassio, Cipriano e Porfírio) e a resposta dos apologistas gregos e latinos a esses ataques. Tertuliano recebe uma atenção especial no capítulo VIII (o capítulo XI dedica algumas páginas aos demais apologistas).

Antonio Piñero, autor do IX capítulo, aborda o gnosticismo e sua relação com o cristianismo dos primeiros séculos. No capítulo X, marcando um novo retorno de J. M. Blázquez, são discutidas as influências da filosofia grega nos pensadores cristãos (se este último tema é do seu interesse, vale conferir este post) .

Bem, ficam para um próximo post os demais capítulos dessa valiosa obra.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

M. C. ESCHER: O MAGO DA PERSPECTIVA [VÍDEO DUBLADO]


RENÉ MAGRITTE: A TENTATIVA DO IMPOSSÍVEL [VÍDEO DUBLADO]

Sensacional:

PARA COMPREENDER O CRISTIANISMO PRIMITIVO [LIVROS]


Dando continuidade à indicação de livros que considero valiosos para a compreensão do chamado “mundo bíblico” (Antigo e Novo Testamento) e do cristianismo primitivo, segue abaixo um breve comentário sobre o seguinte livro:

JAEGER, Werner. Cristianismo primitivo y paideia griega. México, DF, Fundo de Cultura Económica del México, 1985, 151 páginas.

A tese do autor: sem a expansão da cultura grega, promovida pelas conquistas de Alexandre Magno, o cristianismo não teria se tornado uma religião universal. As controvérsias dos séculos II e III entre homens de cultura formados na tradição clássica (tais como Tácito, Marco Aurélio, Galeno e Celso) e cristãos também são discutidas pelo autor. Para finalizar, Jeager discute a síntese do pensamento grego e cristão, bem expresso nas obras de Basílio de Cesareia, Gregorio Nasiaceno e Gregório de Nisa. A morte do autor impediu que seu trabalho fosse concluído, por isso o livreto tem sido considerado (apenas?) um esboço. Eis alguns pontos apresentados pelo autor na introdução da obra:
  • O cristianismo era um movimento judeu, mas tanto os judeus da diáspora quanto os da Palestina estavam helenizados;
  • Foram justamente os “helenistas” de Jerusalém que deram maior impulso à atividade missionária na Palestina;
  • O grego era falado em todas as synagogai das cidades mediterrâneas;
  • Paulo discursava aos judeus em grego com todas as sutilizas da lógica grega;
  • O Antigo testamento era citado segundo a tradução grega dos Setenta (Septuaginta);
  • A expressão “roda da criação” (cf. Tg 3,6) empregada por Tiago tem origem na religião órfica;
  • O livro de Atos apresenta Paulo citando poetas gregos em seu discurso no areópago;
Aqueles que quiserem se aprofundar no tema “Paideia grega” devem ler outra obra do mesmo autor: “Paideia: a formação do homem grego”, publicado pela editora Martins Fontes. 


Jones F. Mendonça

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UMA PEDRA OU UM PATO?

Paisagem com patos (detalhe),
de Jakab Bogdány
Digo que o objeto é uma pedra. Ele diz que é um pato. Explico que aquela coisa não emite sons, não tem penas, nem bico, nem asas. Não parece um pato. Então o sujeito cita um especialista: - De acordo com o Dr. Eurich Wünder, o maior especialista em patos de todos os tempos, alguns patos podem se parecer com pedras, ainda que nenhum tenha sido encontrado até hoje.

Acha que com tal argumento foi capaz de provar que aquele objeto imóvel, duro e pesando meia tonelada é um pato. De gente assim o mundo está cheio.


Jones F. Mendonça

PARA COMPREENDER OS EVANGELHOS [LIVROS]


Como estou de férias no STBC tenho aproveitado meu tempo para reler e arrumar alguns livros que fui adquirindo ao longo dos anos.  Pensei que seria uma ótima oportunidade para indicar algumas obras que considero essenciais para a compreensão do Antigo Testamento, do Novo Testamento e do cristianismo primitivo. Hoje farei alguns comentários a respeito de duas obras:
JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no tempo de Jesus: pesquisa de história econômico-social no período neotestamentário. São Paulo: Paulus, 1983, 518 páginas.


SAULNIER, Christian; ROLLAND, Bernard. A Palestina no tempo de Jesus. São Paulo: Edições Paulinas, 1983, 98 páginas.
O alemão Joachim Jeremias, autor do primeiro livro, escreveu outras duas famosas obras: “As parábolas de Jesus” e “Teologia do Novo Testamento”. Em “Jerusalém no tempo de Jesus”, o autor faz uma minuciosa investigação na tentativa de reconstruir a Jerusalém no primeiro terço do primeiro século. Dentre os vários temas abordados no livro estão: profissões, comércio, movimento de estrangeiros, classes sociais, direitos, etc. Um tema particularmente interessante da obra é o dedicado às classes sociais e ao papel que cada indivíduo desempenhava na sociedade da época: escravos, mulheres, publicanos, anciãos, fariseus, saduceus, sacerdotes, escribas, etc. As informações prestadas ao leitor vêm acompanhadas de fontes documentais antigas e comentários (algumas notas chegam a tomar metade da página). Regras de conduta em relação às mulheres ainda em uso hoje por judeus ortodoxos são mais bem compreendidas quando lemos o conselho dado por Yose ben Yhanan (cerca de 150 a.C.): “Não converse muito com uma mulher [isso vale] no caso da tua mulher e mais ainda em relação à mulher do próximo”(p. 474). 

O segundo livro consiste numa espécie de versão resumida da primeira obra (Joachim Jeremias é inclusive citado). Se por um lado o livro perde para o primeiro na quantidade de documentos apresentados no rodapé, ganha por conter gráficos, mapas, plantas, e assuntos chave que despertarão maior interesse dois leitores que estão em busca de informações mais essenciais. Na página 80 há um quadro contendo sete espécies de fariseus citadas no Talmude (os fariseus faziam chacota de si mesmo). O legalismo e a hipocrisia, comportamentos tão criticados pelo Jesus dos Evangelhos, mostra-se evidente em pelo menos cinco dos sete tipos de fariseus. São eles: “de costa larga” (escrevem suas boas ações nas costas), “vagarosos” (retardam o salário dos empregados em nome de um preceito urgente), “calculadores” (acumulam méritos a fim de pagar pecados cometidos), “econômicos” (buscam acumular méritos com pequenas boas ações), “escrupulosos” (buscam com afinco os pecados ocultos a fim de compensá-los com boas ações), e finalmente os “do amor”, que agem como Abraão.

Tenho as duas obras em papel, mas não é difícil encontrá-las digitalizadas em sites como o 4shared, esnips, calameo, etc. 

Jones F. Mendonça