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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

ANTIJUDAÍSMO, CRISTIANISMO E ISLÃ

1. A maior parte da comunidade judaica medieval - entre 800 e 1100 d.C. - vivia em território controlado pelos muçulmanos. Não eram vítimas regulares de violência religiosa ou exploração por parte da liderança islâmica. A narrativa que põe judeus e muçulmanos como inimigos históricos (“desde Ismael”) é mito, conversa fiada.

2. A população judaica em território cristão só começou a crescer a partir das conquistas cristãs dos territórios muçulmanos. Os judeus integrados aos territórios cristãos – habilidosos na atividade comercial e nos negócios – eram respeitados por uma razão muito simples: ajudavam a manter a economia aquecida.

3. De forma lenta e gradual um grupo de judeus foi se estabelecendo no norte da Europa (chamados de Askenazis). Embora apoiados pelas lideranças políticas cristãs, logo surgiram sentimentos antijudaicos. A razão: os cristãos, menos acostumados e viver num ambiente de diversidade religiosa, viam os judeus como um povo estranho.

4. A proibição da igreja aos empréstimos a juros feitos por cristãos a outros cristãos (considerado “pecado de usura”) abriu uma nova oportunidade aos judeus, acostumados a viver da atividade do comércio e dos negócios. O sucesso dos judeus nessa atividade favoreceu o desenvolvimento do ódio e do preconceito contra o povo do livro.

5. Na medida que a economia amadurecia, a contribuição judaica se tornava menos necessária e os governantes começaram a pesar os benefícios que poderiam obter com a expulsão dos judeus, medida que proporcionaria recursos econômicos através do confisco de propriedades judaicas, aprovação eclesiástica e aprovação popular.

6. Embora a crítica iluminista ao cristianismo medieval tenha se concentrado (com certo exagero) no maltrato dos judeus pelas Cruzadas e pela Inquisição, a violência e a perseguição aos judeus se deu por razões econômicas, alimentadas por razões religiosas (vistos como responsáveis pela crucificação de Cristo).

* Resumo em seis pontos de texto publicado no The Public Medievalist e escrito por Robert Chazan, professor de estudos hebraicos e judaicos na Universidade de Nova York. O texto faz parte da série: “Raça, racismo e Idade Média”.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

UMA FALA, QUATRO INTERPRETAÇÕES

Entre os judeus medievais desenvolveu-se uma crença que vê em cada passagem da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) quatro sentidos: 1. Sentido literal (peshat), 2. Sentido alusivo (remez), 3. Sentido interrogativo (drash) e 4. Sentido secreto (sod). O método, chamado de PARDES no século XIII, em boa parte voltado para uma leitura criativa, não foi único. 

João Cassiano (360-435), monge cristão da Cítia (atual Romênia), seguiu por um caminho bastante semelhante: 1. Sentido literal (histórico), 2. Sentido alegórico (alusivo), 3. Sentido tropológico (moral) e 4. Sentido anagógico (celestial). Lutero, no século XVI, rejeitou o método,  tratado por ele como “produto da ignorância” e “bobagem” (WA 2,509,14s).

No Alcorão, de acordo com um comentário místico atribuído ao Imam Ja'far al-Sadiq (702-765 d.C.), também se escondem quatro sentidos: 1. Expressão literal (ibāra); 2. Alusão (ishāra); 3. Sutilezas (laā'if) e 4. Realidade mais profunda (aqā'iq). A expressão literal seria para as pessoas comuns, a alusão para a elite, as sutilezas para os amigos de Deus, e a realidade mais profunda para os profetas.

Para saber mais:
1. O método (PARDES) judaico: WYLEN, Stephen M. The seventy faces of torah, 2001, p. 89. HAUSER, Alan J.; WATSON, Duane F. A History of Biblical Interpretation, 2003, Vol. 2: p.171
2. O método cristão de Cassiano: SCHOLZ, Vilson. Princípios de interpretação bíblica, 2006, p. 85.
3. O método islâmico: Da Spiritual Gems: The Mystical Qur’an Commentary ascribed to Ja’far al-Sadiq as contained in Sulami’s Haqa’iq al-Tafsir, Fons Vitae, 2011.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 3 de outubro de 2017

DÉBORA, AS ABELHAS E AS ORAÇÕES PIEDOSAS

O nome próprio "Deborah", tomado da famosa personagem do livro bíblico de Juízes, significa “abelha” (Deborah; Jz 4-5). Curioso que a raiz hebraica da palavra Deborah (D-B-R) é a mesma de Dabar (palavra, discurso, fala). Há alguma razão para isso? Para Yona Sabar (Jewish Journal), a resposta é sim.

O pequeno inseto teria recebido este nome dada a relação entre seu zumbido e os sons da fala humana, particularmente àquele produzido por um grupo de judeus em oração. Tal relação de semelhança sonora explicaria a semelhança consonantal entre a palavra “fala” (D-B-R) e a palavra “abelha” (D-B-R-H). Convencido?

Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

EM CASO DE PECADO, ABRACE O FRANGO

"Depois que o templo judaico foi destruído no ano 70 d.C., pelos romanos, o sacrifício de animais deixou de ser realizado pelos judeus". Esta afirmação, presente um muitos livros, exige uma pergunta: por quais judeus?

Um grupo de judeus ultra-ortodoxos pratica um antigo ritual que consiste em sacrificar frangos antes do Yom Kippur (será celebrado em 30 de setembro próximo). Eles acreditam que por meio do ritual é possível transferir os pecados cometidos pelo fiel ao frango. O ritual é conhecido como kapparot (plural de kapparah = expiação).

Num retiro de judeus liderados por uma sacerdotisa vegana de Connecticut o ritual sofreu uma pequena modificação. Ao invés de abaterem o frango, resolveram abraçá-lo carinhosamente. Que fofo, não?

Leia mais aqui.  



Jones F. Mendonça

O JUDAÍSMO E A SERPENTE DO ÉDEN

Certa vez alguém me perguntou a respeito de como os judeus do primeiro século interpretavam a figura da serpente em Gn 3. Expliquei que provavelmente não a viam como representação de Satanás, como fez a tradição cristã no segundo século. Mas fiquei devendo um exemplo.

Abaixo a interpretação alegórica feita por Filon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C.):
Deus, que criou todos os animais na terra, arranjou esta ordem muito admiravelmente, pois ele colocou a mente em primeiro lugar, isto é, homem [...]; depois o sentido externo, isto é, a mulher; e, seguindo a ordem regular, chegou ao terceiro, o prazer [...] representado sob a forma da serpente, pois assim como o movimento da serpente é cheio de muitas sinuosidades e variações, assim também é o movimento do prazer (Interpretação alegórica II, 74).
Bem, a razão para a escolha da mulher como alvo da serpente é explicada em outro texto (as mulheres não vão gostar!):
a mente da mulher é mais afeminada, de modo que através de sua suavidade facilmente é enganada e capturada por convicções falsas que imitam a verdade (Perguntas e respostas sobre Gênesis I, 34).



Jones F. Mendonça

terça-feira, 15 de agosto de 2017

OS RABINOS, O FRANGO E O QUEIJO

Uma das mais conhecidas leis kosher (regra de alimentação judaica) proíbe o consumo de leite e carne numa mesma refeição. Tal restrição baseia-se em Dt 14,21 “Não cozerás um cabritinho no leite de sua mãe”.

Filon de Alexandria, judeu helenista do primeiro século, leu a restrição de forma literal e a compreendeu como tendo caráter ético: um animal jovem não deve ser cozido no leite de sua própria mãe porque tal atitude demostraria falta de misericórdia e decência (Virtudes 141-144). Bem, se isto é certo, por que a Torah não proíbe a ingestão de ovos e carne de galinha numa mesma refeição? A lógica não seria a mesma?

A tentativa de justificar racionalmente alguns preceitos da Torah ainda faz sucesso hoje, embora as explicações careçam de fundamento sólido. É o que fazem, por exemplo, com a carne de porco, cuja condenação, em Lv 11,7, seria explicada pelos (questionáveis) malefícios que a carne suína traz ao corpo. É preciso lembrar que além da carne de porco, também é proibida a ingestão da carne de lula, camarão, siri, cação, e outros animais aquáticos sem escama ou barbatana.

As escolas de Shammai e Hillel levantaram novas questões: será que é permitido ingerir derivados do leite com carne? Mais que isso: será que podem ser postos à mesa juntos durante a refeição? Em M. Hullim 8,1 o tema é discutido. A carne em questão é a de galinha:
A galinha pode subir à mesa com queijo, mas pode não ser comida. Estas são as palavras da casa de Shammai. Mas a Casa de Hillel diz: Não pode subir à mesa, nem ser comida...

Caso queira ler as discussões rabínicas a respeito a ingestão de leite e carne numa mesma refeição, leia este artigo publicado na The Torah.


Jones F. Mendonça

sábado, 12 de agosto de 2017

IBN EZRA E A AUTORIA MOSAICA DO PENTATEUCO

No século XII um judeu chamado Ibn Ezra fez uma série de comentários expondo sete textos do Pentateuco que se lidos com atenção indicam uma autoria não mosaica.  

Ibn Ezra expõe seus argumentos de maneira obscura (temia reações iradas dos mais conservadores), mas sua argumentação foi claramente explicada por outro judeu, R. Joseph ben Eliezer Bonfils, no final do século XIV.

Não conheço nenhum livro que transcreva os comentários de Ibz Ezra em sua integridade. Neste artigo, publicado no The Torah, é possível ler seu trabalho crítico em hebraico e inglês. Uma raridade. Leia aqui.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

JUDAÍSMOS

Estamos no Antigo Israel do século VIII a.C. O rei quer governar. O sacerdote quer sacrifício. O sábio quer dar conselho. Profetas como Isaías, Oseias e Amós querem protestar contra as injustiças, sobretudo criticando reis, sacerdotes e profetas e sábios da corte (veja Is 28,7; Jr 8,9; 18,18). Não é uma relação fácil.

Quando Judá cai nas mãos dos babilônios – em 586 a.C. - a figura do rei é suprimida. O sacerdote ganha poder. Os sábios rejeitam o exílio como punição pelo pecado e as respostas prontas para os enigmas da vida. Os profetas são perseguidos, calados.

Novas potências subjugam Judá: persas, macedônios, ptolomeus, selêucidas. É sob o governo desses últimos - no século II a.C. - que nascem as seitas judaicas: saduceus, fariseus, essênios. Tentativas de adaptar suas antigas tradições a um mundo em constante transformação. Textos sapienciais, como a Sirácida e a Sabedoria, nem de longe lembram as críticas ácidas de Jó e Eclesiastes. É também no século II a.C. que nasce a literatura apocalíptica.

Judá na época de Jesus é uma região complexa: o poder político é latino, a escrita e a cultura é grega, as Escrituras Sagradas escritas em hebraico, o idioma falado o aramaico. Mais que isso: há seitas judaicas divergindo entre si. Influência do helenismo. Expectativa messiânica forte. Falta de esperança após uma sucessão de impérios dominando Judá.

No ano 70 d.C. o templo é destruído pelos romanos. Extintas as figuras do rei, do profeta e do sábio (convertido em escriba?), também chega ao fim o ofício sacerdotal. Como sacrificar sem o altar? Como cultuar sem templo? Nasce a figura o rabino, herdeiro de uma atividade muito apreciada pelos fariseus: o estudo da lei. Na sinagoga o comentário da lei substitui o culto sacrificial.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

JUDAÍSMO E REENCARNAÇÃO

Esta frase, dita por Ovadia Yossef, proeminente rabino sefardita de Israel, revela o quanto é diversificado o judaísmo moderno sob o ponto de vista doutrinário:
As seis milhões de vítimas do Holocausto foram reencarnações das almas dos pecadores, pessoas que transgrediram e fizeram todo tipo de coisas que não deveriam ser feitas. Eles foram reencarnados para expiar” (Sermão semanal de sábado à noite em agosto de 2000).
A declaração – claro - não foi bem recebida pela grande maioria dos judeus. Não por afirmar uma doutrina estranha ao judaísmo (foi acolhida na era medieval), mas por sugerir que as vítimas do holocausto sofreram por pecados cometidos em vidas anteriores.

A fonte da citação, aqui



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 23 de março de 2017

GUIA DE DEMONOLOGIA JUDAICA

Segue breve resumo de artigo publicado no Haaretz de Israel (Edição Premium, 21/03/17):

Tigelas desenterradas no Iraque revelam práticas judaicas criadas com o propósito de aprisionar demônios. Yad Yitzhak Ben Zvi, autor de um estudo sobre o assunto, explica que os judeus registravam na tigela uma imagem do demônio que desejam aprisionar, seu nome e inscrições como: “Você está banido e selado com sete selos e oito cordas”.

A representação feminina mais freqüente é a de Lilith, mostrada despida e com cabelo longo. Os judeus acreditavam que sua especialidade era a sedução e o assassinato de homens jovens e o estrangulamento de bebês no momento do nascimento. No setor masculino destacam-se Samael (Rei dos demônios) e Ashmedai, ambos representados com vestes persas. Muitos dos demônios aparecem atados com correntes, tal como nas representações assírias.


Jones F. Mendonça

JAVÉ SOBRE TOUROS E QUERUBINS

Teólogos judeus medievais apresentaram explicações diferentes a respeito do objetivo da construção do bezerro de ouro pelos israelitas no deserto tal como descrito em Ex 32. Exponho três delas: 1. Buscaram um deus alternativo (Rashi); 2. Um Moisés alternativo (um novo mediador) uma vez que imaginaram que seu líder havia morrido no monte (Ramban); e 3. Um novo pedestal sobre o qual Deus repousaria (Ibn Ezra). Leia mais aqui.  

Para Joel Baden, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Yale, a declaração do povo diante da imagem: “Este é o teu Deus, ó Israel, o que te fez subir da terra do Egito” (Ex 32,4) e também a de Aarão: “Amanhã será festa para Javé” (32,5), revelam que o povo reconhecia a imagem como sendo uma representação de Javé e não de outra divindade. Leia mais aqui.

Frank Moore Cross pensou que o problema fosse iconográfico: Javé deveria ser retratado como entronizado acima de dois querubins (Ex 25,22), não sobre dois touros. Neste caso o problema não seria nem a idolatria (1º mandamento, cf. Ex 34,2), nem a construção de imagem de fundição representando a divindade (2º mandamento, cf, Ex 34,4), uma vez que seria mero pedestal, tal como os querubins acima da arca.

Um último texto publicado no TheTorah percebe no texto uma conotação política. Caso queira ler mais sobre a natureza dos querubins, veja aqui.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AS CHAMAS DA HANUKKAH JUDAICA E O ZOROASTRISMO PERSA

Publicado no Guemara.com, o artigo “The Development of theChanukah Oil Miracle in Context of Zoroastrian Fire Veneration” examina a influência do zoroastrismo persa na tradição judaica do Hanukkah (Dr Chai Secunda, via TheGuemara.com). Seguem dois trechos: 
“é possível que a veneração zoroástrica do fogo tenha criado um clima geral de respeito pela santidade das chamas. Talvez isso tenha encorajado algumas das tendências do Bavli [Talmud Babilônico] em relação à santidade das luzes da Hanukkah, que se aproximam da veneração das velas ardentes”.
[...]

“uma história milagrosa sobre o fogo no Templo pode ter repercutido particularmente bem entre os judeus da Babilônia, que viviam em um mundo de templos de fogo e veneração ao fogo”.

Jones F. Mendonça

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

DISPUTAS NO MOVIMENTO DE JESUS

Fiz um pequeno resumo do mais recente artigo publicado no The Bible and Interpretation, por Robert Crotty: 
Dentre as diversas formas do movimento de Jesus, o cristianismo romano foi o que mais se expandiu. Ele eliminou outras formas do movimento de Jesus e dispensou um esforço especial, mais enérgico, para controlar o cristianismo gnóstico.  O interesse de Constantino estava no primeiro e não queria a dissidência cristã dentro do cristianismo romano ou fora dele.
O cristianismo ocidental, o cristianismo oriental, o cristianismo reformista, o cristianismo não-conformista, o cristão pentecostal são todos cristãos romanos. Eles são mais parecidos do que diferentes. Todos eles seguem o modelo cristão romano.



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

AS MIL FACES DE MELQUISEDEQUE

Melquisedeque (="meu rei é justo" ou "Deus da justiça" ou "meu rei é Tzedeq") é uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia. Não é preciso ser especialista para perceber que a narrativa foi inserida entre os versos 17 e 21 de Gênesis 14 (Abraão e o rei de Sodoma). Note que o verso 17: “o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro...”, continua no verso 21: “E o rei de Sodoma disse a Abraão...”.

Neste artigo, publicado no The Torah e escrito pelo Rabi Joshua Garroway, a figura de Melquisedeque é investigada na perspectiva da crítica literária, nos Salmos, no cristianismo primitivo (Hebreus), no judaísmo rabínico (Talmude) e em Qumran.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS E CIRCUNCISÃO

Em 2 Macabeus 4,18 há uma referência aos “jogos quinquenais”, celebrados em Tiro, cidade fenícia ao norte de Israel. Os jogos, disputados por atletas nus e dedicados a divindades estrangeiras, não agradou aos judeus mais piedosos. O escândalo foi registrado no primeiro livro de Macabeus:
Construíram, então, em Jerusalém, uma praça de esportes, segundo o costume das nações. [Os judeus, querendo ocultar suas circuncisões] restabeleceram seus prepúcios [puxando-os sobre a glade?] e renegaram a aliança sagrada [e então] Matatias inflamou-se de zelo e seus rins estremeceram.

O que vem depois dessa indignação? Uma guerra!


Jones F. Mendonça

domingo, 17 de julho de 2016

PLATÃO E A CRIAÇÃO DA BÍBLIA HEBRAICA

Na sequência do seu trabalho de 2006, “Berossus e Genesis” e “Manetho e Êxodo”, Russell E. Gmirkin retoma a sua teoria de que o Pentateuco foi escrito por volta de 270 a.C. usando fontes gregas encontrados na Grande Biblioteca de Alexandria. 

Neste novo trabalho Plato and the Creation of the Hebrew Bible (Routledge, 320 páginas), um número impressionante de paralelos legais são apresentados entre as leis do Pentateuco e as leis atenienses, especificamente com aquelas presentes na obra platônica “Leis” (aprox. 350 a.C.). 



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 11 de julho de 2016

MULHER: DE “PORTÃO DO DIABO” A “SACO DE ESTRUME”

Para Tertuliano, a mulher é o “portão do diabo” e “primeira desertora do direito divino” (Do vestuário feminino, Livro II, IV). Odão de Cluny, no século X, encontrou um adjetivo ainda pior: 
Se os homens vissem o que está debaixo da pele, a imagem das mulheres lhes daria náuseas [...]. Quando nem mesmo suportamos tocar um escarro ou um excremento com a ponta dos dedos, como poderíamos abraçar esse saco de bosta?
Voltemos 1200 anos.  O autor do livro da Sirácida, obra judaica do segundo século a.C., tinha opinião semelhante. Mas Ben Sirac situa o defeito feminino na alma, não nos corpo: “Porque das vestes sai a traça e da mulher, a malícia feminina” (42,13). Sobre os perigos da beleza física feminina ele faz um alerta: “Não te deixes prender pela beleza de uma mulher” (25,21).

Calvino, no século XVI, parece ter se inspirado na Sirácida: “Eis apenas um tipo de beleza [feminina] que me seduz – que ela seja casta, prestimosa, econômica, paciente e que zele pela minha saúde”.

Mas há quem veja o feminismo como um movimento impulsionado por uma causa imaginária.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 29 de junho de 2016

JUDEUS NA FORTALEZA DE HERODES

Após a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., um grupo de judeus (sicários com suas famílias), aquartelou-se nesta fortaleza (Massada), na margem ocidental do Mar Morto (ao fundo). Após construírem uma enorme rampa (em destaque), os romanos tomaram a fortaleza e puseram fim à resistência judaica. No sopé da fortaleza ainda há vestígios do acampamento romano.

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Jones F. Mendonça

quinta-feira, 23 de junho de 2016

BÊNÇÃO SACERDOTAL EM AMULETO DE PRATA

Em algum momento entre os séculos VI ou VII a.C. (no tempo do rei Josias) alguém apagou a imagem de uma divindade protetora num amuleto de prata e a substituiu por uma invocação contra o mal usando a seguinte fórmula litúrgica: “‘Yahweh te abençoe e te guarde! Yahweh faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno!”.

O amuleto foi encontrado em 1979 pelo arqueólogo Gabriel Barklay nas câmaras mortuárias de Ketef Hinnon, a sudeste de Jerusalém. Embora a descoberta não seja capaz de provar que o Pentateuco já estava escrito, demonstra que algumas fórmulas presentes na Bíblia hebraica já circulavam de forma escrita. Antes da descoberta deste amuleto, o mais antigo documento contendo um texto presente na Bíblia era o Papiro de Nash (século I ou II a.C.).


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 10 de junho de 2016

JOSEFO, MANETHO, OS HICSOS E A ORIGEM DE ISRAEL

Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, liga a origem dos judeus à expulsão dos hicsos (“reis pastores”), povo asiático que dominou o Egito por volta de 1700 a.C. por um período de aproximadamente 100 anos. A informação, tomada de Manetho (historiador egípcio do III séc. a.C.), foi registrada em sua obra “Contra Apion”. Veja:
não menos que duzentos e quarenta mil pessoas atravessaram o deserto em direção à Síria. Temendo os assírios, que dominaram a Ásia naquele tempo, eles construíram uma cidade no país que agora chamamos Judeia. Era grande o suficiente para conter este grande número de homens e foi chamado de Jerusalém.
Embora a associação entre hicsos e israelitas seja problemática, o registro de Josefo merece ser investigado, afinal, quem eram os hicsos? Há alguma ligação entre a expulsão desses asiáticos e a origem de Israel?

Leia mais sobre a expulsão dos hicsos no Bible History Daily: “The Expulsion of theHyksos: Tel Habuwa excavations reveal the conquest of Tjaru by Ahmose I”, por Noah Wiener.




Jones F. Mendonça