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domingo, 11 de novembro de 2012

MATERIAL PARA DOWNLOAD NO "OBSERVATÓRIO BÍBLICO"

O prof. Aírton José da Silva, mestre em teologia bíblica e professor de Bíblia hebraica e Antigo Testamento na CEARP, está disponibilizando em seu site (airtonjo.com) dois excelentes materiais para download: "curso noções de hebraico bíblico" e "aprenda a ler o Antigo Testamento com o Cássio" (referência ao autor do texto: Cassio Murilo dias da Silva). 

Faça o download aqui (hebraico) e aqui (A.T.). 

Notei que a maior parte dos livros da bibliografia básica citada por Cassio Murilo Dias da Silva em seu curso coincide com o material que uso na preparação de minhas aulas. Fica a recomendação:

Livros impressos:
CARMODY, Timothy R. Como ler a Bíblia. Guia para estudo. São Paulo, Loyola 2008.
CHARPENTIER, Étienne. Para ler o Antigo Testamento. São Paulo, Paulus 1986 (Entender a Bíblia).
HARRINGTON, Wilfrid J. Chave para a Bíblia. São Paulo, Paulus 1997
SILVA, Cássio Murilo Dias da. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo, Loyola 2007. (Ferramentas bíblicas)

Arqueologia em DVD:

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O TRABALHO DOS MASSORETAS [HEBRAICO]

Vez por outra alguém me pede informações sobre o trabalho dos massoretas. Um bom começo talvez seja consultar o site allepocodex.org. Seguem alguns trechos:
Um dos projetos importantes dos massoretas foi a invenção de marcas de vogais para o idioma hebraico. [...] Sistemas completos de vocalização foram aparentemente desenvolvidos nos séculos VII e VIII. Sabemos de três sistemas principais: o Tiberiano, que é usado ainda hoje [...] o Palestinense, que aparentemente foi criado no sul de Eretz-Israel, e o da Babilônia, que foi criado na Babilônia. 
[...] 
A maioria dos sinais do sistema Tiberiano indica vogais que provavelmente refletem a forma como foram pronunciadas em Tiberíades, no período dos massoretas. [...] Outros sinais que pertencem ao sistema de vocalização são o sheva, o dagesh, e o ponto que distingue o shin do sin.
Leia o texto completo aqui.


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

HEBRAICO: UMA SÍNTESE

No documento abaixo está uma síntese da matéria de hebraico bíblico apresentada em sala de aula aos meus alunos do STBC (2º período): consoantes, sinais vocálicos, transliteração,  flexão do substantivo, relação de construto, artigo, conjunção, preposição e sufixos pronominais. Em breve chegaremos aos verbos, a parte mais crítica no estudo do hebraico bíblico (principalmente os verbos fracos). 

Tabelas de tradução II

domingo, 12 de agosto de 2012

MACABEU E MACABRO: HÁ RELAÇÃO?

Xilogravura medieval mostrando a "dança macabra" (The Jewish Daily).
O The Jewish Daily, jornal dedicado ao judaísmo, mantém uma coluna muito interessante escrita por Philologos. No final de julho deste ano o periódico publicou a matéria "Maccabees most Macabre" (29/07/12), discutindo uma possível relação entre a palavra "macabeu" (ver livro apócrifo/deuterocanônico de Macabeus) e a palavra "macabro". Seria o termo "macabro" uma corruptela de "macabeu"?

Leia em inglês aqui.
Tradução para o português feita pelo Google aqui


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 20 de julho de 2012

BUSCANDO SUFIXOS PRONOMINAIS NO DAVAR [HEBRAICO]


Um dos problemas que encontro na maioria das gramáticas de hebraico é a ausência de textos reais que exemplifiquem o emprego das classes morfológicas (artigo, pronome, verbo, preposição, conjunção, etc.). Construções fictícias do tipo “o cavalo de Davi” ou “a uva do vovô” não contribuem muito para o desenvolvimento do aluno.  Há três programas que podem ajudar muito quem está em busca de exemplos diversificados tomados da BHS. São eles: Bible Works (completo, porém caro e complicado), e-Sword (possui ótimas ferramentas apesar de ser gratuito) e o Davar 3 (grátis, recursos limitados, mas com uma ferramenta perfeita para encontrar palavras e partículas como os sufixos pronominais).

Digamos que você queira encontrar exemplos do raríssimo sufixo pronominal da segunda pessoa do plural feminino:
Para localizá-los faça o seguinte: clique na lupa de busca e quando a janela abrir cole ou digite (veja como fazer isso no final do texto) a terminação desejada no espaço reservado para as buscas. Em seguida desmarqueignorar vogais hebraicas” e no “buscar por”, marque “frase”. Não se esqueça de selecionar o tipo de Bíblia na qual deseja fazer a busca: “[BHS] Bíblia Hebraica”. A imagem abaixo mostra como devem ficar as definições:


Após a abertura de uma nova janela com os resultados (21 no total), dê uma rápida “peneirada” para eliminar palavras que coincidentemente terminam com khaf-segol/nun sofit, mas que não contém sufixo pronominal, como “Tokhen” (pronuncia-se “torrên” - o nome de uma aldeia, em 1Cr 4,32).

Um detalhe importante: caso você tenha dúvidas quando às teclas que devem ser utilizadas para que as consoantes e vogais hebraicas apareçam no campo de busca, clique na “tábua de caracteres” (abaixo da palavra “ajuda”, no topo). Ao colocar o cursor sobre o caractere hebraico escolhido as teclas correspondentes aparecem num pequeno quadro. No exemplo acima as teclas são, respectivamente: k , {Ctrl + Shift + e}, n.

Ajudou?


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de julho de 2012

OS SUFIXOS PRONOMINAIS [HEBRAICO]

Costumo dizer aos meus alunos que os estudantes de hebraico jamais precisarão gastar dinheiro com esses passatempos vendidos em bancas de jornais. Traduzir textos da Bíblia hebraica é diversão garantida. O primeiro passo é "descolar" os artigos, as conjunções, as preposições e uma série de "pecinhas de Lego" que vem unidas às palavras. Depois, e só depois, o dicionário entra em cena. Num terceiro momento é preciso dar uma arrumada nas "peças" para que façam sentido. O mais legal (e para loucura dos mais ortodoxos) é que o resultado final dos que se aventuram nessa tarefa quase nunca é igual. 

Abaixo, um pequeno esquema que mostra o emprego dos sufixos pronominais. 


Jones F. Mendonça

Sufixos Pronominais [hebraico]

sábado, 7 de julho de 2012

O SOM DAS CONSOANTES HEBRAICAS

Estou indicando mais uma vez aqui no Numinosum um site que disponibiliza o som das consoantes hebraicas (22 + 05 formas finais, assinaladas com dois asteriscos = 27; as quatro consoantes modificadas por um sinal não aparecem no site: bet, kaf, pe, sin). Que fique claro, não há como saber que som as consoantes hebraicas tinham no tempo de Esdras, no período da revolta macabaica ou entre os judeus do primeiro século. Com certeza a pronúncia das palavras sofreu modificações ao longo dos séculos, assim como ocorreu com o nosso idioma. As gramáticas geralmente indicam o som das consoantes tendo como referência a pronúncia sefardita (judeus de origem espanhola).  

Ouça o som das consoantes aqui (basta passar o cursor sobre a letra). 

Caso queira ouvir a pronúncia de uma infinidade de palavras hebraicas separadas por tema, clique aqui (experimente: "o corpo II")

Baixe o alfabeto hebraico completo aqui

Comece pelo alef, abaixo da seta laranja. Do lado
esquerdo está uma palavra que contém a consoante. 

Jones F. Mendonça

terça-feira, 26 de junho de 2012

"DESMONTANDO" O TEXTO HEBRAICO

O primeiro contato com o hebraico é sempre traumático: texto escrito da direita para a esquerda, consoantes muito semelhantes, sinais vocálicos que mais parecem respingos de tinta, etc. Com o objetivo de facilitar o aprendizado dos meus alunos, tenho desenvolvido um material que visa concentrar em poucas páginas o conteúdo apresentado em sala de aula. Abaixo mais um exemplo do meu esforço em tornar as aulas de hebraico mais agradáveis e produtivas:

Hebraico - tabela de tradução 1

sábado, 19 de maio de 2012

ÓSTRACO DE QEIYAFA: A MAIS ANTIGA INSCRIÇÃO EM HEBRAICO?

Um dos argumentos utilizados por Garfinkel para sustentar que a fortaleza de Qeiyafa foi habitada por israelitas é uma inscrição num caco de cerâmica, datada para o século X, supostamente redigida em hebraico. Num artigo publicado na ASOR (14/05/12), Christopher Rollston apresenta seis razões para discordar desse posicionamento. 

Leia o artigo já traduzido pelo Google aqui
Em inglês, aqui

Para conhecer uma defesa de que a inscrição foi feita em hebraico (e que se refere a Saul!), clique aqui


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ÓSTRACO DE QEIYAFA: O MAIS ANTIGO REGISTRO DA MONARQUIA ISRAELITA?

Está em todos os livros sobre arqueologia bíblica: os mais antigos registros por escrito feitos pelo povo israelita são o calendário de Gezer (séc. X a.C.) e a inscrição de Siloé (séc. VII a.C.). O primeiro contém o registro de atividades agrícolas ao longo do ano. O segundo relata a conclusão de um túnel (conhecido pelo nome de "túnel de Ezequias") que trazia água da fonte de Geon até Jerusalém.

Mas há quem pense que um óstraco encontrado em 2008 na fortificação de Qeiyafa possa ganhar o posto de registro mais antigo. É o que defende Émile Puech, epigrafista sênior da prestigiosa Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. Apesar da incerteza quanto a tradução do texto escrito em cinco linhas, Puech sugere que um trecho da inscrição: "os homens e os chefes estabeleceram um rei", seja uma referência ao primeiro rei de israel: Saul. É importante destacar que o texto ganhou traduções completamente diferentes feitas por epigrafistas especializados. Não há sequer certeza se ele dever ser lido da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita. 

O texto completo foi publicado na Biblical Archaeology Review de MAI/JUN 2012. 

Leia o texto já traduzido pelo Google aqui
Em inglês aqui


Jones F. Mendonça

domingo, 15 de abril de 2012

JONAS, O PEIXE E O INÍCIO DO CRISTIANISMO: NOVAS "DESCOBERTAS"

Publiquei aqui e aqui algo a respeito do túmulo descoberto em Jerusalém com uma suposta imagem de Jonas (hb. Yonah) sendo engolido por um peixe. Os responsáveis pela descoberta afirmam que o túmulo é cristão e que a imagem do profeta sendo engolido é uma referência à ressurreição de Jesus (o "sinal de Jonas"). 

O The Bible and Interpretation informou que foi descoberta uma inscrição na imagem: o nome do profeta Jonas (letas hebraicas: yod, vav, nun, he). De fato a inscrição lembra o nome do profeta em hebraico. Como as consoantes hebraicas sofreram modificações ao longo da história, será preciso ouvir a opinião de um epigrafista. Consultei antigas fontes de hebraico no Bibleplaces.com (baixe as fontes antigas aqui) e usei-as para escrever o nome "Jonas". O resultado é o que você vê abaixo (um yod como o que aparece inscrito no túmulo você vê aqui):


Imagem original: The Bible and Interpretation. Os caracteres em roxo e os
quadros indicativos foram inseridos por mim. 

Jones F. Mendonça

quinta-feira, 29 de março de 2012

A PRONÚNCIA DO HEBRAICO ENTRE ASHKENAZIS E SEFARDITAS

Surgimento da letra hebraica "dalet" a partir do hieróglifo egípcio. 
No Rio: "caxtelo"; em São Paulo: "castelo". No Rio: "cara di pau"; no Rio Grande do Sul: "cara de pau". Com o hebraico também é assim: ashkenazis (judeus de origem alemã) e sefarditas (judeus espanhóis) pronunciam as palavras de maneira diferente. 

Um interessante artigo sobre o assunto ("Strange Case of Daleds") foi publicado no The Jewish Dauly Forward, em 22/01/12. O texto é assinado por Philologos. 

Leia já traduzido pelo Google aqui
Em inglês aqui




Jones F. Mendonça

terça-feira, 27 de março de 2012

PESHITTA DO NOVO TESTAMENTO ON-LINE

"Leproso" e "oleiro" na Peshitta. 
Certa vez ouvi de um "rabino messiânico" que a tradução correta para Mt 1,16, seria "José, pai de Maria" e não "José, marido de Maria". O argumento utilizado: a palavra aramaica da Peshitta (g'abrah), base para a tradução do Mateus grego (!?), pode significar tanto pai como marido.  O tradutor teria se enganado. Com tal recurso a conta de Mateus (14 gerações do Exílio até Cristo) fecha perfeitamente. Consultei alguns léxicos aramaicos on-line: g'abrah=marido. Só. 

Hoje me deparei com outro argumento a favor da primazia da Peshitta (Bíblia escrita em siríaco, um dialeto do aramaico) em relação ao texto grego. O autor declara que no "texto original aramaico" a palavra "leproso", em Mt 26,6, deveria ser traduzida por "oleiro" ou "comerciante de vidros". Isso explicaria a presença de Jesus na casa de Simão, um oleiro, e não um homem ritualmente impuro. Neste caso Jesus não teria descumprido a lei de Moisés. O argumento do autor: no aramaico as palavras "leproso" (gar'ba) e "oleiro/comeciante de vidro" (garaba) possuem as mesmas consoantes. O tradutor mais uma vez teria sido vítima de palavras parecidas ou com duplo significado. Hummm, será?

Consultei Mt 26,6  na Peshitta. Raiz da palavra - "GRB" = leproso. Tanto a versão grega como a Peshitta apresentam Simão como leproso e não como oleiro ou comerciante de vidros. Assim cai por terra o mito de que a Peshitta representa uma versão mais correta dos ensinamentos e da vida de Jesus. 


Pelo que pesquisei, a palavra aramaica "garaba" (comerciante de vidros) não aparece na Peshitta, por isso não pude confirmar a semelhança entre as duas palavras. O que pude fazer foi comparar as palavras "oleiro"e "leproso", que são graficamente bem diferentes, como apresentado no quadro acima. Caso realmente existam semelhanças entre as duas palavra no siríaco (gar'ba/garaba=leproso/comerciante de vidros) isso sugere que houve um erro, não de tradução, mas de transmissão oral fornecida a Marcos, que também registra o episódio é e fonte para Mateus. Digno de nota é a grafia errada registrada ou por Marcos ou por Mateus do nome da cidade onde Jesus expulsou um demônio chamado Legião. Marcos 5,1 registra Gadara. Mateus 8,28 registra Gerasa.  Entre a tradição oral e o texto escrito muita coisa pode acontecer. E mesmo depois de escrito, o relato pode ir aumentando ou diminuindo de acordo com a motivação teológica da comunidade religiosa. 

Caso queira consultar a Peshitta on-line, clique aqui

Para consultar um texto, marque a opção "Use BFBS Peshitta textt...". Depois é só clicar em "Show me the verses!". 

Faça uma consulta mais detalhada clicando em "analyze" (ao lado do texto que você está analisando). Assim que você clicar surgirá uma nova tela com uma tabela contendo todas as palavras do versículo escolhido. Clique no "ID" (uma espécie de número strong) ao lado da palavra cujo significado você quer saber, e pronto! 

Pode parecer complicado, mas logo você se acostuma. 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 12 de março de 2012

ESTER, NISTAR, ISHTAR E AHMADINEJAD

Em razão dos conflitos com o Irã, o Purim 2012 foi comemorado de forma mais intensa. Para quem não conhece a narrativa bíblica, no Purim (do acádio, sorteio) comemora-se a salvação dos judeus de uma perseguição fomentada pelo “perverso” Hamã, conselheiro do soberano persa. No final da história Hamã é morto e o judeu Mardoqueu assume seu lugar como conselheiro do rei. Entre muitos judeus Ahmadinejad tem sido visto como uma espécie de novo Hamã, pois supostamente deseja “varrer Israel do mapa”. O primeiro ministro de Israel, Benjamim Natanyahu, chegou a presentear Obama com um livro de Ester.

Um detalhe curioso é que o nome de Deus não aparece no livro. Na opinião de alguns místicos judeus a resposta a essa curiosa omissão estaria no próprio livro.
Alguns comentaristas tradicionais, especialmente os de inclinação mística, viram a história como ensinando algo a respeito do agir oculto de Deus, diferentemente do que ocorreu no Egito, quando atuou de forma visível. Eles ressaltam que até mesmo o nome Ester em hebraico está relacionado com a palavra que significa "escondido" – nistar (J. Post, 08/03/2012).

Se você não entendeu eu explico: a palavra Ester (nome da heroína) carrega semelhanças fonéticas com o nome "nistar" (ocultar-se). A omissão seria proposital, mostrando que mesmo quando Deus parece se ocultar, sua mão invisível está agindo.

Particularmente não vejo relação entre os nomes "Ester", "nistar" e o agir oculto de Deus. Mas talvez exista relação entre Ester/Ishtar - Mardoqueu/Marduk.

Nistar e Ester
Jones F. Mendonça

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O HEBRAICO E O ASSÍRIO

Navegando pela internet há alguns anos acabei na página do projeto Gutemberg. Fiz muitas pesquisas no catálogo e achei a magnífica obra ilustrada: The seven great monarchies ofthe ancient eastern world; or, the history, geography, and antiquities of Chaldaea, Assyria, Babylon, Media, Persia, Parthia, and Sassanian, or newpersian empire, escrita por ninguém menos que George Hawlinson. 

No final do capítulo V (linguagem e escrita), o autor, apesar de admitir que é historiador e arqueólogo e não filólogo, destaca semelhanças entre o assírio e o hebraico. Abaixo você vê uma relação de palavras selecionadas pelo autor (veja mais aqui):





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O PÉ, A PERNA E A GENITÁLIA: OS MÚLTIPLOS SIGNIFICADOS DE RÉGUEL


A palavra réguel em hebraico
A palavra hebraica réguel (geralmente traduzida por “pé”) é uma das muitas que confundem tradutores da Bíblia. Dentre algumas de suas traduções possíveis estão: pé, planta do pé, perna, órgãos genitais, passos, etc.

Devido ao seu excessivo apego à literalidade, a Bíblia Almeida Corrigida e Fiel (ACF) traduz réguel por pé em Is 7,20. O resultado (catastrófico) é este que você vê abaixo:
Naquele dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, [...] a cabeça e os cabelos dos pés (reguelim; pl. de reguel); e até a barba arrancará.
Uma vez que réguel também pode significar “perna”, a Nova Versão Internacional (NVI) apresenta uma tradução melhor:
Naquele dia o Senhor utilizará uma navalha alugada [...] a sua cabeça e os pêlos de suas pernas e da sua barba.
Com uma rara ousadia, a Almeida Revista a Atualizada (ARA) esquiva-se de uma tradução mais literal. Como em alguns casos réguel é um eufemismo para os órgãos genitais, a tradução ficou assim:
Naquele dia, rapar-te-á o Senhor com uma navalha [...], a cabeça e os cabelos das vergonhas e tirará também a barba.
Um famoso caso onde réguel é um claro eufemismo para genitália (contrariando a opinião conservadora de Norman L. Geisler) ocorre em Rt 3,4:
Quando ele repousar [referindo-se a Boaz], notarás o lugar em que se deita; então, chegarás, e lhe descobrirás os pés, e te deitarás; ele te dirá o que deves fazer (ARA).
Para Norman Geisler, “descobrir os pés” é apenas “uma descrição literal de uma prática comum naquela época para demonstrar submissão e sujeição” (GEISLER, Norman, Manual popular: dúvidas, enigmas e contradições da Bíblia, p. 161). Este autor ainda argumenta que quando o texto diz que Rute se deitou ao lado de Boaz, o leitor deve entender que ela apenas se reclinou numa atitude de respeito (não, para ele não houve relação sexual!). A capa que Boaz estendeu sobre ela apenas indicaria a responsabilidade que ele tinha de acordo com a lei do levirato (!). 

Recurso comum entre apologistas moralistas: O sentido do texto deve ser sempre o literal, exceto para retirar do texto suas "impurezas". 


Errata: acompanhe a discussão sobre o texto de Rt 3,4 aqui

Jones F. Mendonça

terça-feira, 15 de novembro de 2011

APOSTILA DE HEBRAICO II


Venho trabalhando há algum tempo numa apostila de hebraico que possa ser útil aos meus alunos do STBC. Publiquei aqui a primeira parte (consoantes e vogais). Hoje estou publicando algo sobre acentos e outros sinais importantes no hebraico.

Apostila de Hebraico II (Acentos e Sinais Importantes)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

GRAMÁTICAS E LÉXICOS DE HEBRAICO PARA DOWNLOADS


Há quem ainda não saiba que o Google disponibiliza muitos livros para download que já caíram em domínio público. No ano passado, quando convidado para lecionar hebraico no STBC, baixei tudo o que encontrei pela frente. Uma das preciosidades que se pode encontrar, por exemplo, é a clássica gramática de hebraico bíblico escrita pelo hebraísta alemão Willian Gesenius' (em inglês).

Devido a minha falta de habilidade com o inglês fui obrigado a me concentrar primeiro nas obras escritas em espanhol, idioma que domino com certa facilidade, e, lógico na única obra que encontrei em português (do século XIX, diga-se de passagem). Nas férias deste ano pretendo me concentrar no léxico e na gramática de Gesenius'. É o que há de mais completo sobre o assunto. Abaixo uma relação do que encontrei:

Em português:

DA PAZ, Francisco. Compêndio dos princípios da grammatica hebraica. Coimbra: Real Imprensa da Universidade, 1826.

Em espanhol:

BRAUN, J.J. Gramática hebrea. Madrid: Libreria de A. Duran, 1867.
CHAVEZ, Moises. Diccionario de hebreobiblico. Editorial Mundo Hispano: El Paso, Tx, 1997.
GARRIGA, Ramón Manuel. Elementos de Gramática hebrea. Barcelona: Estabelicimiento Tipográfico de Narciso Ramirez y Compañia, 1866.

Em inglês e francês:

BENNER, Jeff A. The ancient hebrew lexicon of the Bible. College Station, Tx, 2005.
CHOMSKY, Willian. The eternal linguage. Skokie, Illinois: Varna Books, 2001.
COWLEY, A. E. (edit). Gesenius' hebrew grammar. Oxford University Press, 1909.
GLINERT, Lewis. Modern hebrew. Routledge, 2005.
HOOGHT, Everardo Van Der (edit.) New York. The Hebrew Bible.Whiting and Watson, 1815.
JOÜON, P. Paul. Grammaire de l'hébreu biblique. Rome: Institut Biblique Pontifical, 1947.
MITCHEL, Larry A. A Student's vocabulary for Biblical hebrew and aramaic, 1984.
SEIXAS, J. A Manual hebrew grammar for the use of beginners. Michigan: Gould and Newman, 1834.
STUART, Moses. A Hebrew Grammar with a Praxis on Select Portions of genesis and the Psalms. Publisher. Andover, Flagg and Gould, Printed at the Codman Press, 1823.


Jones F. Mendonça