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sábado, 19 de junho de 2010

TEÓLOGO HANS KÜNG DECLARA-SE "BOM CATÓLICO, MAS CRÍTICO"

Bogotá, 26 mar (RV) - O teólogo suíço, Hans Küng, presidente da Fundação Ética Mundial, e que concluiu uma visita de uma semana à Colômbia, se declarou "bom católico, mas crítico".

Küng assinalou, numa entrevista publicada sábado, 24, pelo jornal "El Tiempo", que os últimos pronunciamentos de Bento XVI sobre temas como o celibato sacerdotal, não são "uma coisa pessoal do Papa", mas "o produto de uma mentalidade que vem de um paradigma da Idade Média".

"Essa é a posição que vem de séculos. Ratzinger, infelizmente - acrescentou o teólogo - não a mudou."

Quanto ao ensino da religião, Küng explicou que os católicos "não são capazes de impor sua convicção católica sobre toda a população", mas advertiu os leigos de que "há perguntas que a ciência não pode responder".

"No campo dogmático, é difícil que o jovem moderno aceite tudo o que diz literalmente a Bíblia. Por outro lado, uma educação exclusivamente secular esquece uma dimensão muito profunda que existe no coração do indivíduo e também da sociedade" - afirmou o teólogo.

Küng acrescentou que "as questões da vida não se respondem com a Biologia. Exige-se um meio-termo", e argumentou que "o projeto de Ética Mundial é precisamente o método que satisfaz as duas partes".

"Projeto de ética mundial" é também o título de um livro do teólogo Hans Küng, que estuda a necessidade de uma ética fundada em argumentos discutidos pela comunidade humana planetária superando os autoritarismos morais. Analisa e propõe passos nessa direção, considerando as diferentes expressões na sociedade, inclusive o papel exercido pelas religiões. (MZ).


Para ler mais sobre Hans Küng, clique aqui.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

QUAL A ORIGEM DA DEVOÇÃO CATÓLICA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS?

Segundo Arnaldo Schüler:

“Devoção promovida pela monja salesiana fr. Marquerite Marie Alacoque (1647-1690). Afirmou que Jesus lhe revelou o seu coração cheio de amor ardente pelos seres humanos, ordenando-lhe o estabelecimento da Hora Santa, comunhão na primeira sexta-feira do mês e Festa da Sagrado Coração, a ser observada na sexta-feira após a oitava de Corpus Christi. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração em 1899. Marguerite Marie foi canonizada por Bento XV, no dia 13 de maio de 1920”[1].
 Jennifer Emick [2] diz que o bispo de Marselha, Monsenhor de Belsunce, consagrou sua diocese ao Sagrado Coração, na tentativa de poupar a região de uma praga. Marselha escapou da praga, e o símbolo, um coração com uma cruz no topo entrelaçado com espinhos e chamas, passou a ser associado a atos de caridade e piedade. O símbolo acabou sendo usado como amuleto contra doenças.

Nota:
[1] SCHÜLER, Arnaldo. Dicionário enciclopédico de teologia. Canoas: Ed. ULBRA, 2002, p.410.

[2] Emick, Jennifer. Sacred Heart of Jesus (Sacré-Coeur), p. 2196, 15abr2010, http://symboldictionary.net

sábado, 20 de março de 2010

HANS KÜNG, O PAPA E A PEDOFILIA

O catolicismo moderno passa por uma crise intensa: escândalos sexuais, perda de fiéis e teólogos criados em seu próprio seio opondo-se à política conservadora de Bento XVI. Um belo exemplo é o teólogo suíço Hans Küng, antiga pedra no sapato do Vaticano. Recentemente  suas críticas ao celibato foram publicadas no Süeddeutsche Zeitung, 17-03-2010, que pode ser lido em portugês no IHU.

Leia o artigo na íntegra clicando aqui.

quarta-feira, 17 de março de 2010

TEÓLOGO CATÓLICO ARGENTINO NEGA HISTOTICIDADE DE ADÃO E EVA, APARIÇÃO DE ANJO E DE VIRGEM MARIA.

Acho interessante como a maioria dos líderes da igreja cristã (seja ela católica ou protestante) fazem de tudo para esconder dos fiéis formulações teológicas que já são praticamente consenso entre os teólogos. Admiro a coragem do biblista e teólogo Ariel Alvarez Valdés em renunciar ao sacerdócio por se recusar a negar suas idéias. Ele é mais um na lista dos teólogos católicos perseguidos pelo Vaticano, tais como Edward Schillebeeckx (a favor da ordenação feminina e de homens casados), Hans Küng (criticou a hierarquia da igreja), Eugen Drewermann (crítica ao celibato), Charles Curran (a favor de métodos contraceptivos), Jacques Dupuis (universalista) e Leonardo Boff (questionou a hierarquia e o papel da igreja). Alguns desses homens foram chamados de hereges, mas como dizia Rubem Alves: “heresia e ortodoxia são palavras criadas pelos ortodoxos. Mas [...] ortodoxos são aqueles que tiveram o poder para impor suas idéias”.

Transcrevo abaixo parte da entrevista feita com Ariel Valdés publicada pelo IHU.

O que o senhor defende acerca do relato de Adão e Eva?
Que não é um relato histórico. O autor que o escreveu não sabia nem pretendia ensinar como o homem apareceu sobre a Terra. O que a Bíblia sabe é de onde o homem veio: das mãos de Deus. Como ele apareceu, se foi ou não como a teoria da evolução propõe, é assunto dos cientistas. O relato de Adão e Eva procura destacar a grandeza de um homem e de uma mulher criados por Deus: ninguém pode abusar de outra pessoa, por mais humilde que seja, já que em todo o ser humano reside a imagem de Deus.

E qual é a doutrina oficial da Igreja a respeito?
A imensa maioria dos teólogos defendem o que eu acabo de dizer. De fato, o Vaticano me enviou uma carta em que reconhecia que minha posição era correta, mas questionavam o fato de divulgá-la ao grande público, em vez de circunscrevê-la a livros técnicos de difícil acesso.

Outros pontos de discrepância se referiam à figura de Maria.
Não é verdade que o anjo Gabriel tenha "aparecido" a Maria, como um senhor que entrou voando pela janela: se tivesse sido assim, Maria não teria tido oportunidade para expressar sua fé. Se realmente tivesse visto o anjo, não se trataria de fé. Na realidade, o anjo simboliza a voz de Deus no coração de Maria.

Outro ponto era a sua negativa em admitir "aparições" da Virgem Maria.
Os mortos, segundo a Bíblia, não podem voltar à Terra. Aquele que morreu não volta, e o que voltou nunca morreu. Essas histórias que Víctor Sueyro recompilava, de túneis, luzes e música, correspondem ao aquém: ninguém volta do além. Então, a Virgem Maria não pode "aparecer", não pode se apresentar fisicamente a ninguém. Alguém pode ter uma visão da Virgem Maria, que ocorre na retina da pessoa, mas não no exterior.

O senhor também propôs que os chamados estigmas não são sinais de santidade, nem provêm de Deus.
Lamentavelmente, muitos acreditam que são sinais de santidade enviados por Deus. Mas não podem vir de Deus, porque doem muito. Um estigma é terrivelmente doloroso, é uma fenda na mão. Deus é amor e bondade e não pode mandar feridas às pessoas. Os estigmas vêm dos desequilíbrios mentais das pessoas: cientificamente, a mente humana pode ter um poder despótico sobre o organismo. Da mesma forma, muitas pessoas continuam pensando que Jesus nos salvou com a sua morte na cruz e que, senão, não teria nos salvado. Quer dizer que Ele contratou Pilatos para que o condenasse, a Pedro para que o negasse, a Judas para que o traísse? Se Judas não o tivesse entregue, Ele não teria nos salvado? Jesus teria nos salvado da mesma forma, mesmo que tivesse morrido velhinho em sua cama. Porque ele nos salva por meio do amor, não da dor.

segunda-feira, 15 de março de 2010

ARIEL ALVAREZ VALDÉS E O VATICANO

O Instituto Humanitas Unisinos vem publicando desde 2008 o caso do biblista argentino Ariel Alvarez Valdés, impedido de lecionar pelo Vaticano. Segue abaixo um resumo de toda a história.

O Dr. Ariel Alvarez Valdés, que teve sua permissão canônica suspensa para ensinar as disciplinas teológicas a partir do dia 5 de agosto de 2008, deixou o sacerdócio em julho de 2009. Tudo começou com uma denúncia feita pelo sacerdote jesuíta uruguaio Horacio Bojorje, incomodado com um artigo publicado por Alvarez Valdés sob o título: “¿El diablo y el demonio son lo mismo? [O diabo e o demônio são a mesma coisa?]”. No artigo, o biblista e teólogo argentino sustenta que em muitos casos os endemoninhados dos Evangelhos eram doentes com patologias desconhecidas na época. Outro ensinamento do biblista considerado perigoso pela Igreja é a negação da historicidade de Adão e Eva. Ariel Alvarez se negou a reafirmar que Adão e Eva são personagens históricos, como determinava o Vaticano. Em correspondência enviada a Religión Digital, 14-03-2010, o biblista argentino informa que “isso significava minha morte acadêmica”. O Estado de São Paulo publicou, em 22 de agosto de 2008, a defesa do biblista:

“Em todos estes anos procurei mostrar-lhes que, em primeiro lugar, nenhuma das minhas afirmações são dogmas de fé, nem transgridem nenhum dogma de fé. Se Adão e Eva existiram, não é nenhum dogma de fé. Se a Virgem Maria se parece ou não com as pessoas, não é nenhum dogma de fé. Todas estas afirmações não são dogmas de fé. Defendi-me dizendo isto e, em segundo lugar, todas estas afirmações são ditas por outros autores católicos e que nunca foram proibidos”.

Ariel é padre, biblista e teólogo, nascido em Santiago del Estero, Argentina, em 1957. Licenciado em Teologia Bíblica pela Faculdade Bíblica Franciscana de Jerusalém, Israel, e doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Pontifícia de Salamanca, Arial Alvarez é considerado o biblista mais lido na língua castelhana.

Comentando o caso
Ao que parece a dura medida do Vaticano em relação ao teólogo tem a ver com sua popularidade, já que suas afirmações não são nenhuma novidade nos círculos acadêmicos. Se suas idéias não afetam nenhum dogma de fé, porque impedi-lo de lecionar? É importante destacar que ao negar a historicidade de Adão e Eva, o teólogo não está negando o valor espiritual do relato da criação, mas apenas que não o interpreta literalmente.


Se há uma coisa que admiro nos teólogos católicos é a capacidade que possuem de fazer uma leitura bíblica que fique entre o fundamentalismo (interpretação excessivamente literal), e o racionalismo (crítica e cética demais). Utilizei uma das obras de Ariel Alvarez Valdés (O que sabemos sobre a Bíblia) para escrever um artigo que postei aqui no Numinosum em outubro de 2009. Caso queira dar uma lida no artigo clique aqui.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PAPA JOÃO PAULO II SE AUTOFLAGELAVA

O Papa João Paulo II se autoflagelava regularmente para imitar o sofrimento de Cristo e se sentir mais perto de Deus, revela o livro "Why a Saint?" (Por que um santo?), lançado nesta terça-feira, na Itália.

Escrito pelo defensor da beatificação de João Paulo II, Slawomir Oder, com a ajuda do jornalista Saverio Gaeto, a obra também inclui alguns documentos inéditos, como a carta que o Papa deixou por escrito, em 1989, expressando sua vontade de renunciar à missão de Pontífice caso alguma "enfermidade incurável" o impedisse de exercer suas funções.

"Tanto em Cracóvia como no Vaticano, Karol Wojtyla se flagelava", escreve Oder no livro, citando depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo II na época em que ainda era bispo em seu país de origem, a Polônia, e depois de ser eleito papa, em 1978. "Em seu armário, em meio a suas vestimentas, um tipo especial de cinto ficava pendurado num cabide, e ele o usava como açoite".

Segundo os autores, o Papa seguia com extremo rigor preceitos católicos, sobretudo no período da Quaresma, quando sua alimentação se reduzia a somente uma refeição completa por dia. Além disso, às vezes dormia diretamente no chão nu.
Fonte: Globo/Notícias Cristãs