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domingo, 11 de fevereiro de 2018

CRUCIFICADOS NA USINA


A imagem acima mostra três crucificados à frente da estação de energia de Didcot, Reino Unido. Em primeiro plano aparecem pessoas lamentando o destino trágico dos crucificados. Roger Wagner deu a esta tela o título de Menorah. Você saberia explicar a razão deste título?



Jones F. Mendonça

LA CROIX VIVANTE


Esta representação (Hans Fries, “La Croix Vivante”) tem caráter singular por reunir em um só quadro alguns dos principais fundamentos da fé cristã de seu tempo. Além da crucificação, ao centro, você vê na parte inferior Cristo no Hades derrotando as forças do mal e libertando os "espíritos em prisão": limbo infantil e limbo dos patriarcas. Um sacerdote celebra a eucaristia na lateral esquerda e a espada divina perfura o pescoço (da morte?) e fere mortalmente (a besta?) na lateral direita.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

COSTELA TORTA, VIDA TORTA

De acordo com o Malleus Maleficarum (Parte I, questão 6), um manual de exorcismo do final da Idade Média, a mulher está mais inclinada ao mal porque foi feita a partir de uma costela torta de Adão.  Uma tradição muçulmana diz que a mulher foi feita da costela que cobre o coração e assim  explicam sua inclinação sentimental. Tudo isso inventado por homens, claro...

A costelinha torta de Adão aparece nesta gravura de Meister Bertran (século XIV). 























Jones F. Mendonça

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

SIMÃO: DE “MAGO ARREPENDIDO” A “PAI DE TODAS AS HERESIAS”


Embora o livro de Atos apresente Simão, o mago, arrependido após tentar comprar com dinheiro um dom divino (At 8,9ss.), a tradição popular ampliou a narrativa e converteu Simão numa espécie de “pai de todas as heresias” (até do gnosticismo!).

Nos “Atos de Pedro”, um apócrifo do século III, Simão é dotado do poder da levitação, mas é derrubado pelas orações piedosas de Pedro. De acordo com a tradição, as marcas dos joelhos de Pedro em oração ainda podem ser vistas numa laje de mármore na Igreja Francesca Romana, na capital italiana.

Na Catedral de São Lázaro, Autun, França, foi esculpida esta representação (séc. XII), mostrando Pedro (com as chaves da Igreja) orando diante da queda de Simão (foto acima). Outra representação da cena, bem bonita e colorida, pode ser vista numa pintura do século XVIII, exposta na igreja de San Paolo Maggiore, em Nápoles, Itália, obra do artista local Francesco Solimena.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

POSSESSÃO, INTESTINOS E ORIFÍCIOS


A imagem da esquerda retrata Catarina de Siena exorcizando uma mulher possuída numa tela de Girolamo Di Benvenuto (~1500). Repare que o capiroto sai pelo ouvido esquerdo, reflexo da crença medieval nos orifícios como canal de entrada e saída dos demônios.

A imagem da direita (Capela de Notre Dame des Fontaines, séc. XV) mostra a alma de Judas sendo removida do seu intestino. Era também no intestino que se instalavam os demônios. Por alguma razão curiosa, o demônio e a alma ocultavam sua morada no terreno mais desprezível do corpo.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

SUBTERRÂNEOS TENEBROSOS


Para responder à pergunta: “para onde foram os justos do Antigo Testamento?”, os teólogos católicos desenvolveram a ideia do limbo, lugar provisório para onde teriam ido, por exemplo, os patriarcas .  

Nesta tela, de Andrea Mantegna (1470-75), Cristo é retratado resgatando alguns indivíduos do limbo. No canto esquerdo, próximo à abertura da caverna, aparecem Adão e Eva. A crença no limbo dos patriarcas (limbus patrum) é um dogma entre os católicos. O limbo infantil (limbus puerorum), por outro lado, vigorou por muito tempo como hipótese teológica até que foi definitivamente rejeitado em 2007 no pontificado de Bento XVI.

Pessoalmente considero as imagens retratando a ida de Cristo ao mundo subterrâneo como as mais poderosas sob a perspectiva psicológica. Um exemplar particularmente interessante e belo é “A descida ao inferno” (1568), produzida por Tintoretto. Neste trabalho, cuja cena é apresentada numa perspectiva enviesada, Cristo ilumina o Hades, antes completamente tomado pelas trevas.


Jones F. Mendonça

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

EXORCISMO COM CALÇA EXÓTICA (OU ERÓTICA?)


O exorcismo de uma mulher numa gravura do início do século XVI (autoria desconhecida). Como nas representações medievais, os diabinhos saem pela boca. Uma tira parece tentar impedir que a cabeça da mulher se projete para trás. Ah, o sujeito que sustenta o corpo da mulher possuída veste uma calça muito da escandalosa...



Jones F. Mendonça

DAS ALMAS DESPEDAÇADAS


Há dois detalhes curiosos nesta tela representando o juízo final, de Hans Memling, de 1471.

Note que no canto superior esquerdo aparece um homem negro entre os ressuscitados (fenômeno raro na representação artística da época).

No centro da tela o corpo de um homem que acaba de ressuscitar é disputado entre um anjo e um demônio com asas de borboleta. Do jeito que puxa o cabelo do pobre infeliz, o capiroto parece bem decidido.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 10 de outubro de 2017

ARTE E POLÍTICA

Por alguma razão a arte moderna tem sido associada ao comunismo. Curioso isso. Eis que lendo “O abuso da beleza” (Martins Fontes, 2015), do crítico de arte Arthur Danto, deparo-me por acaso a resposta que eu não esperava encontrar no livro:
Naqueles anos [da Guerra Fria] a arte moderna foi repudiada como algo subversivo, destrutivo e essencialmente antiamericano por personagens como o congressista George A. Dondero, de Michigan, que escreveu: "a arte moderna é comunista porque é distorcida e feia, porque não glorifica nosso belo país, nossa gente alegre e sorridente e nosso progresso material. [...] aqueles que a criam ou promovem são nossos inimigos" (p. 28).
Tudo aquilo que não é tradicional, pensava o congressista, é uma espécie de propaganda comunista disfarçada. Danto finaliza: “este é apenas um caso, como veremos, da politização da beleza”.



Jones F. Mendonça

ARTE, PROPAGANDA E CONTRARREFORMA


Caravaggio gostava de retratar os santos como pessoas comuns, do povo: vestes rotas (ou até rasgadas), descalços, expressões faciais rudes, sem auréola, analfabetos (como o Mateus censurado, à esquerda). Repare que o anjo (afeminado) parece dizer “tá escrevendo errado, Mateus”. A tela da direita é o resultado de uma revisão feita após a exigência da igreja.

A influência teria vindo de seu protetor, o cardeal Frederico Barromeo (interesse pela “dimensão documental” das verdades cristãs), e dos místicos oratorianos (“função didática” da arte). As telas de Caravaggio devem ser vistas dentro do espírito de evangelização das classes populares empreendidos por setores da contrarreforma.

Leia mais sobre a função documentária da arte sacra do século XVII na seguinte obra:



Jones F. Mendonça

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O DADAÍSMO E O URINOL DE DUCHAMP

Vejo muita gente associando a abolição da beleza como objetivo último da arte aos movimentos de esquerda. Mas o grande golpe nas convenções tradicionais de arte veio do dadaísmo, movimento artístico do início do século XX que pretendia demolir toda a estrutura da representação racional. Está associado ao anarquismo, ao niilismo, ao libertarismo, mas não ao marxismo.

Uma obra muito famosa (e criticada) surgida no embalo desse movimento é o urinol de porcelana branca, idealizado por Marcel Duchamp, exposto numa mostra de artes em Nova York ("A fonte", foto). Embora você possa achar o dadaísmo e a obra de Duchamp uma grande bobagem, o movimento ajudou muitos artistas a se libertarem das restrições artísticas tradicionais e despertou neles a busca por novos horizontes.

Um dos frutos do dadaísmo é o surrealismo, movimento que deslocou o foco da beleza para as reações emocionais e os estímulos do inconsciente. Então embora não haja nada para ser apreciado no urinol de Duchamp (exceto para os homens com bexiga cheia), a mensagem por trás da obra teve uma dimensão revolucionária.



Jones F. Mendonça

O BANHO DAS ALMAS

Inspirado em Ap 1,5, Jean Bellegambe pintou esta tela (Banho místico das almas, 1525). Uma representação bastante bizarra para um observador moderno. Fora do contexto alguém certamente a classificaria como herética, blasfema e ofensiva. Ah, as donzelas assanhadinhas à esquerda da cruz são as virtudes teologais: a fé, a esperança e o amor.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

LUTHER KING E O ÉDEN RESTAURADO


“Eu olhei de cima e vi a terra prometida” (Trecho do último discurso de Martin Luther King, em 03 de abril de 1968). Luther King foi assassinado no dia seguinte.

A tela acima, obra de Horace Pippin (1945), ilustra o Éden Restaurado, tal como descrito em Is 11,4-5. 

Leia mais sobre a tela no Art & Theology


Jones F. Mendonça

domingo, 15 de janeiro de 2017

JESUS PANTOCRATOR NA ARTE MEDIEVAL


A imagem acima mostra um Jesus pantocrator (Ap 1) num manuscrito do século XIII ou XIV: “cabelos brancos como a neve, olhos como chama de fogo, pés com aspecto de bronze, espada saindo da boca, sete estrelas na mão direita junto a sete candelabros de ouro”. O homem deitado é João. Um anjo aparece à direita (Commentaire sur l'Apocalypse, folha 4v.).

Imagens do manuscrito em alta resolução aqui:



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ARTE CRISTÃ NO IRÃ DOS AIATOLÁS


O inferno (detalhe inferior) num afresco que decora a catedral Vank, na cidade de Isfahan, no coração do Irã. A catedral foi fundada em 1606 por cristãos armênios em busca de uma nova vida no país persa durante a guerra otomana (1603-18). Os iranianos-armênios têm dois assentos no Parlamento iraniano (Majlis).



Jones F. Mendonça

TRINDADE TRICÉFALA


Representação medieval da Trindade (trindade tricéfala). O sinal com a mão não é um "v" de vitória, mas um sinal de bênção. Esta representação da trindade foi proibida por Urbano VIII no século XVII.

Imagem: Trindade Tricéfala, detalhe da letra capittular "C" de um cantoral italiano, séc. XV, The Morgan Library & Museum, Nova Iorque. 



Jones F. Mendonça

MIGUEL E MARGARIDA CONTRA O CAOS


Ao lado da imagem de Miguel lutando contra o Dragão (Ap 12,7), a iconografia medieval desenvolveu esta representação, mostrando Santa Margarida de Antioquia golpeando um demônio com um martelo. Bizarro, não?

A imagem é um detalhe da tela: “Casamento Místico de Santa Catarina”, Barna da Siena, 1340.



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

ARTE E ESCATOLOGIA

O sujeito entra numa antiga igreja em busca de um pouco de paz e se depara com este vitral sobre o juízo final, obra de Max Švabinský:


PS.: Na verdade não consegui descobrir se o vitral fica em alguma igreja. Há outros, do mesmo autor, na catedral de São Vito, em Praga.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

DIABRURAS MEDIEVAIS: SATÃ PROCESSA JESUS CRISTO

Página 23r
Num manuscrito intitulado “Peccatorum Consolatio, seu Processus Luciferi contra Jesum Christum” (1382), Lúcifer processa Jesus Cristo por ter transgredido a lei descendo ao Inferno. O julgamento é conduzido por ninguém menos que Salomão (o rei com um cetro). No primeiro julgamento Moisés (que aparece com chifres, à esquerda) é o conselheiro de Jesus Cristo. Belial aconselha o Diabo.

Mais adiante vão surgindo novos personagens, como Isaías e até Aristóteles. O trabalho, considerado herético, foi colocado no Index Librorum Prohibitorum, relação de livros condenados pela igreja católica.



Jones F. Mendonça