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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A PAIXÃO DE CRISTO EM QUATRO IMAGENS


Como pequeno passatempo coleciono imagens do Cristo nos momentos mais dramáticos da paixão. Interessa-me o modo como como essas cenas foram sendo representadas ao longo da história. Abaixo quatro imagens particularmente interessantes:

1. Amuleto com a representação do Cristo crucificado numa gema de jaspe vermelha e verde datada para o II-III século. A cena da crucificação é rara nos primeiros séculos do cristianismo. Eram mais comuns as cenas mostrando seu triunfo sobre a morte.  

2. Este Cristo crucificado (Crucifixo Gero), do final do século X, retrata Cristo não como vencedor da morte, mas como homem nas profundezas da humilhação, tema que se torna comum apenas a partir do século XII. Foi talhado em madeira para o arcebispo Gero (969-976).

3. Esta tela medieval (“Cristo coroado de espinhos”, por Fra Angelico, 1438-1439.), ao invés de destacar a dor física, valoriza a angústia do Crucificado. Os olhos avermelhados e a expressão facial transmitem com extrema intensidade o horror e a agonia da crucificação. Remete um observador familiarizado com os Evangelhos ao texto de Mc 13,34: “minha alma está triste até a morte”.

4. A última imagem é uma escultura, “O Cristo torturado” (1975), do artista brasileiro Guido Rocha. Sua história como perseguido político na época das ditaduras latino americanas certamente deixou marcas na obra. 


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

TOLICE E O CORPO

Tolice possui curiosos poderes.
Quer ser nervo: converte tudo em dor.
Quer ser língua: converte tudo em detração.
Quer ser fígado: converte tudo em amargura.
Quer ser mão: converte tudo em agressão.
Quer ser víscera: converte tudo em sordidez.
Quer ser cérebro: converte tudo em depressão.
Quer ser coração: [...]  
Não quer.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

OLHOS DE BELADONA

Tolice foi possuída pela altivez.
Coloriu os lábios,
dilatou as pupilas,
aprumou o corpo torneado,
vagou pelo salão flutuando como medusa marinha.

Mas o salto era alto,
o piso irregular,
o sonho para além das nuvens,
os olhos embaçados pela beladona.
Sua boca, enfim, beijou aquilo que sua alma tanto anela: o chão.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 9 de julho de 2015

CONSTANTINO E A ARTE TUMULAR CRISTÃ

Até o início do século IV a arte tumular cristã era caracterizada pela simplicidade. Mas a partir da conversão do imperador Constantino (312 d.C.) e a conseqüente adesão à nova fé por parte da elite da sociedade romana, as mudanças são visíveis. Um exemplo é este sarcófago de Junius Basus (datado para 359 d.C.), membro de uma família senatorial romana convertido ao cristianismo pouco antes de sua morte. Repare que Jesus, sem barba, aparece como legislador (Legis Traditio), representado como na arte imperial romana.  Abaixo as cenas representadas nos nichos: 

Linha superior: 1. Sacrifício de Isaac, 2. Prisão de Pedro , 3. Cristo com Pedro e Paulo (Traditio Legis ), 4 e 5. Dupla cena do julgamento de Jesus perante Pôncio Pilatos, que no último nicho está prestes a lavar as mãos.

Linha inferior: 1. Sofrimento de Jó, 2. Adão e Eva, 3. Entrada de Cristo em Jerusalém , 4. Daniel na cova dos leões e 5. Prisão de Paulo.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

PREPARANDO UM MANUSCRITO (CODEX)



Para inserir legendas em português, clique em "legendas" (parte inferior, à esquerda do ícone representado por uma engrenagem), depois em "detalhes" (o ícone é uma pequena engrenagem), escolha a opção "inglês" e finalmente selecione "traduzir" (a opção "português" aparecerá). 

terça-feira, 30 de junho de 2015

A HISTÓRIA DA ARTE (E DO PENSAMENTO) OCIDENTAL EM QUATRO TELAS



Trata-se de uma visão extremamente simplificada, mas pode facilitar o entendimento a respeito das transformações pelas quais passou a arte ao longo dos séculos:

1. A primeira imagem mostra uma escultura grega (Vênus de Milo, séc. II a.C.). Note que há uma extrema valorização do corpo, que é retratado com meticulosa perfeição. 

2. A segunda imagem mostra uma tela medieval ilustrando uma cena bíblica (Hilda Codex, século XI d.C.). Considerando que o cristianismo projeta o ideal de vida num mundo extraterreno, o foco passa a ser a piedade e não mais o corpo. Mundo sob a tutela da Igreja (teocentrismo). 

3. A terceira tela (Adão e Eva, de Raffaello Sanzio, 1509-11), do final da Idade Média, embora retratando uma cena bíblica, é marcada pelo retorno ao ideal de beleza grego. A palavra “Renascimento” significa justamente isto: o resgate dos valores greco-romanos (antropocentrismo). Lutero está aqui, surfando na onda do Renascimento. 

4. Na quarta fase (séc. XIX) a arte rompe definitivamente com a tradição, buscando constantemente novas formas de expressão (“A cigana adormecida”, de Henri Rousseau, 1897).



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O LUXO DO CLERO E O CRISTO CRUCIFICADO

Até o final do século XII são raras as telas representando o Cristo crucificado com ênfase em seu sofrimento. A partir daí há uma verdadeira explosão de imagens expondo Cristo como homem de dores. Essa mudança coincide com o surgimento de ordens religiosas mendicantes (fiéis à Igreja) e de grupos dissidentes como os cátaros e valdenses (perseguidos pela Inquisição). Os dois grupos têm algo em comum: uma crítica ferrenha à ostentação do clero e seu distanciamento da simplicidade da igreja apostólica. A imagem do Cristo crucificado, exposto à ignomínia, é um reflexo desse momento histórico vivido pela cristandade. Abaixo uma tela de Bonaventura Berlinghieri (1260-70).



Jones F. Mendonça

segunda-feira, 15 de junho de 2015

CRISTO E CONCRETO

A tela abaixo, trabalho de James Janknegt (Crucifixion at Barton Creek Mall, 1985), retrata Cristo crucificado num poste de luz no estacionamento de um Shopping Center em Austin, EUA. Imaginando ser um escárnio da crucificação, o presidente do banco no qual a tela estava exposta ordenou ao curador que a removesse imediatamente. De fato é uma imagem perturbadora. Mas o artista – de tradição anglicana - foi mal compreendido pelo presidente do banco, que era cristão batista. Você arrisca uma interpretação?  

Leia sobre a tela aqui


Jones F. Mendonça

sábado, 13 de junho de 2015

A BÍBLIA NO THE BIBLE PROJECT

O The Bible Project tem produzido uma série de vídeos explorando a narrativa Bíblica. Embora a perspectiva seja devocional, há grandes sacadas na apresentação. Além disso, a arte gráfica e a didática são excepcionais. Só estão prontos os videos de Gênesis (duas em partes: 1-11 e 12-50), Êxodo (duas em partes: 1-18, 19-40) e Levítico. Abaixo o primeiro vídeo (legendas em português ou espanhol):


quarta-feira, 10 de junho de 2015

O CRISTO, A CRUZ E OS OPRIMIDOS

Embora o protesto da transexual na parada gay tenha causado intensa polêmica, obras artísticas identificando o Cristo crucificado com os oprimidos é coisa antiga. Abaixo a ilustração de Charles Cullen (1929), impressa no livro "The Black Christ", de Countee Cullen


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CREATIVUM

Lápis ligeiro, cavalgando em celulose. 
Rédeas rotas, atadas aos sonhos.
Pegadas dissonantes, assimétricas, surreais.
Desbravando terras, sem parar jamais. 


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PAIXÃO, ÊXTASE E EXPERIÊNCIA RELIGIOSA


A escultura “Êxtase de Teresa d’Ávila”, de Bernini (1645 a 1652), é capaz de deixar atônitos os visitantes da capela Cornaro, na Igreja de Santa Maria Vitória, Roma. A freira retratada na obra foi uma mística cristã do século XVI (1515-1582), famosa pela frase: “toda a miséria do presente é suportável pela esperança do beijo divino”.  A escultura de Bernini foi inspirada na autobiografia de Teresa. Eis trecho da (estonteante!) descrição de sua visão: 
Via um anjo ao pé de mim, ao lado esquerdo, em forma corporal [...] Vi-lhe nas mãos um grande dardo de ouro, e na ponta da arma pareceu-me ver um pouco de fogo. E parecia que mo enfiava pelo coração algumas vezes e me chegava até as entranhas. Ao tirá-lo, cuidava eu que as levava consigo e me deixava toda abrasada num grande amor de Deus. A dor era tão forte que me fazia soltar gemidos; e tão excessiva a suavidade que me deixava aquela dor infinita [...]. Não é dor corporal, mas espiritual, embora o corpo não deixe de ter participação e grande. É um trato de amor tão suave que passa entre Deus e a alma que, suplico eu à sua bondade, faça-o gozar a quem pensar que estou mentindo.
Um século depois que Bernini criou a escultura, Chevalier de Brosses, aristocrata francês de passagem por Roma, olhou para a santa e disse: “Bom, se isso é amor divino, eu sei muito bem como é”. 


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

PIETER BRUEGEL E A VIDA CAMPONESA

O padrão era retratar a nobreza, o clero e as cenas religiosas, e então surge Pieter Bruegel (1525-1569) revelando a vida camponesa com suas alegrias, tristezas, paixões, dramas e o eterno conflito entre o prazer e a castidade num mundo governado sob cetro de ferro do cristianismo. A tela abaixo mostra crianças brincando (sim, houve um tempo em que elas brincavam...).

Mais de Bruegel aqui (clique em "search" e digite “Bruegel” no espaço “author”:


Jones F. Mendonça

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

KEL TAMASHEQ - MÚSICA TUAREG


Porque há outros mundos possíveis, paisagens possíveis, timbres possíveis, formas de vida comunitária possíveis, expressões artísticas possíveis... 

Jones F. Mendonça