sábado, 17 de outubro de 2009

VATICANO APROVA NORMA ESPECIAL PARA ACOLHER ANGLICANOS

Mudanças autorizam a ordenação de clérigos casados anglicanos como sacerdotes católicos

O Vaticano anunciou nesta terça-feira (20) a disposição em acolher na Igreja Católica os anglicanos e para isso aprovou uma Constituição Apostólica que contempla a concessão de uma divisão pessoal, similar ao Opus Dei e ao Ordinariatos Militares. Com isso, os anglicanos podem ser aceitos na Igreja Católica, mantendo uma identidade religiosa distinta.

A norma de máxima categoria prevê a ordenação de clérigos casados anglicanos como sacerdotes católicos, embora não a de homens casados como bispos, alinhado à tradição católica e ortodoxa.

O anúncio foi feito pelo cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o arcebispo Joseph Di Noia, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Levada informou que, com essa Constituição Apostólica, a Igreja Católica Apostólica Romana responde aos inúmeros pedidos feitos à Santa Sé por grupos anglicanos de diferentes países que desejam entrar em plena e visível comunhão com a Igreja Católica.

Com esse objetivo, o papa Bento XVI aprovou uma estrutura canônica que prevê a criação de ordinariatos pessoais, ou seja, que as comunidades anglicanas que entrem na Igreja Católica dependam de um bispo particular e não do diocesano, como ocorre com o Opus Dei. Dessa maneira, o chefe da diocese poderá ser um sacerdote ou um bispo não casado.

Assim, as comunidades anglicanas conservarão seu patrimônio espiritual e litúrgico anglicano.

Os ordinariatos pessoais serão criados conforme as necessidades.

O cardeal encarregado da defesa da ortodoxia da fé católica detalhou que a medida do Vaticano está alinhada ao compromisso para o diálogo ecumênico. “A iniciativa é consequência do desejo de vários grupos de anglicanos de compartilhar a fé católica. Por isso, chegou o tempo de expressar essa união implícita de uma forma visível de plena comunhão”, acrescentou Levada.

Fonte: Revista Época