sábado, 17 de outubro de 2009

SHEMÁ ISRAEL, SHEMÁ PALESTINA.


Por Jones Mendonça


Duas notícias me chamaram atenção esta semana. A primeira foi a de que o grão rabino Asquenazi de Israel, Yona Metzger, fez uma visita ao Senado pedindo para que o presidente Lula não receba o líder de Estado do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que pretende fazer uma visita ao Brasil.


Não é nenhuma novidade que o líder do Irã tem um discurso claramente anti-semita chegando a dizer certa vez que “Israel deve ser varrido do mapa”. Confesso que acho bem estranha essa tentativa de aproximação entre o Brasil e o governo iraniano. Mas também acho que Israel se coloca demais como vítima quando o assunto é a ocupação da Palestina e os conflitos ligados a ela.


A segunda foi sobre o corte de algumas cenas da série de TV turca que mostra a violência de soldados israelenses contra os palestinos. Dentre as imagens censuradas estão o fuzilamento de civis palestinos com os olhos vendados e crianças sendo mortas por tiros após jogarem pedras em soldados israelenses. Um mal estar diplomático entre os dois países foi a causa da retirada das cenas.


É verdade que o ódio contra Israel é cultivado diariamente em países árabes e o efeito dessas imagens pode intensificá-lo ainda mais. Mas fico a me perguntar: será que devemos enxergar os soldados israelenses como “mocinhos” e os palestinos como bandidos? Há sérias denúncias de que na “Operação chumbo fundido”, realizada entre dezembro e janeiro tenha ocorrido uma série de excessos por parte do exército de Israel. Fontes palestinas afirmam que em 22 dias morreram 1,3 mil palestinos, sendo que cerca de um terço deles eram crianças. O Exército israelense prometeu investigar.


Fico estarrecido quando leio um livro (pseudo) evangélico defendendo Israel com unhas e dentes, como se esse povo estivesse acima do bem e do mal. E não são poucos os livros (e pastores) que fazem isso. Num deles o autor chega a dizer que os evangélicos não devem desejar a paz na Palestina, orar para que os palestinos deixem de vez aquela região, que pertenceria ao povo judeu.


Não sou a favor de Israel. Não sou a favor dos palestinos. Sou a favor do diálogo, da justiça, da igualdade de direitos e da livre expressão. Um mundo melhor só se constrói assim.

Efatá!


Imagem:

Arte do ilustrador israelense Hanuka Tomer.