sábado, 17 de outubro de 2009

IGREJA CRITICA NOVO LIVRO DE SARAMAGO

19 de outubro de 2009


Caim, livro mais recente do português José Saramago, gerou polêmica ao chegar às livrarias nesta segunda-feira, depois que o episcopado lusitano afirmou que se trata de mera “operação publicitária”.


O livro, que narra em tom irônico a história bíblica de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel, foi apresentado no último domingo em Penafiel pelo autor.


“A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana. Sem ela, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores”, destacou o escritor.


O romancista denunciou “um Deus cruel, invejoso e insuportável, que existe apenas em nossas mentes”, e afirmou que sua obra não causará problemas com a Igreja Católica, “porque os católicos não leem a Bíblia”. “Admito que o livro pode irritar os judeus, mas pouco me importa”, disse.


O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Marujão, chamou o livro de “operação publicitária”. Segundo ele, “um escritor da dimensão de José Saramago deveria tomar um caminho mais sério. Pode fazer críticas, mas entrar em um gênero de ofensas não fica bem a ninguém, e muito menos a um Prêmio Nobel”.


O rabino Elieze du Martino, representante da comunidade judaica de Lisboa, afirmou que “o mundo judeu não vai se escandalizar com os escritos de Saramago nem de ninguém”. Ele afirmou que Saramago “desconhece a Bíblia”.


O romancista português provocou revolta em 1992 com Evangelho Segundo Jesus Cristo, no qual mostra um Jesus que perdeu sua virgindade com Maria Madalena e que era utilizado por Deus para ampliar seu poder no mundo. Pouco depois, o escritor se mudou de Portugal para um arquipélago espanhol das Canárias.


Fonte: Revista Veja