segunda-feira, 27 de julho de 2009

O QUE É O NUMINOSUM?

Por Jones Mendonça

A palavra é derivada da raiz latina “numen”, que significa “deus”, “divindade”. O termo foi cunhado por Rudolf Otto, em seu famoso trabalho “O sagrado” (1917). Otto emprega o termo como significando um “ente sobrenatural, do qual ainda não há noção mais precisa[1]. A expressão também foi amplamente empregada na psicologia profunda de Carl Jung[2].

A experiência religiosa seria uma resposta humana ao numinosum. Sentimentos como medo, terror, mistério, fascinação e dependência seriam conseqüências do contato com o numinosum. Isso teria acontecido, por exemplo, com Jacó:

E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gn 28.19).

No prefácio da edição brasileira de “O sagrado”, publicado pelas editoras Paulinas, EST e Sinodal, Oneide Obsen nos dá uma metáfora de como seria a manifestação do sagrado:

O exemplo dos olhos fixos da criança nos dedos da mãe que aponta para a extasiante lua cheia pode ser tomado como metáfora para compreendermos o sagrado que se manifesta pelo sentimento, mas não se confunde com ele e, ao mesmo tempo, escapa das teias conceituais que tecemos para prendê-lo[3].

Essa experiência seria capaz de dar ao indivíduo uma nova perspectiva de vida. Em um contexto religioso isso poderia ser chamado à conversão.

Apesar de protestante, Rudolf Otto afirmava que o numinosum pode ser experimentado por qualquer pessoa, independentemente de crença religiosa. Apesar disso, era de opinião de que no cristianismo essa experiência seria mais plena. Por ter afirmado isso explicitamente, Otto foi muito criticado nos meios acadêmicos[4]. Otto também enfatizava que o numinosum não pode ser buscado, ele é involuntário. O indivíduo seria como que tomado pelo pela experiência religiosa.




Notas:

[1] OTTO, Rudolf. O sagrado, 2007, p.28.

[2] Para Jung “o numinosum é tanto uma qualidade que pertence a um objeto visível quanto a influência de uma presença invisível que causa uma alteração peculiar da consciência” (SHARP, Daryl. Léxico junguiano: dicionário de termos e conceitos, 1993, p. 113).

[3] Ibid., p. 21,22.

[4] Uma crítica à metodologia de Rudolf Otto pode ser lida num artigo da Revista de Estudos da religião, nº 4, 2004, p. 73-95. Disponível em : http://www.pucsp.br/rever/rv4_2004/p_usarski.pdf. Um comentário a respeito dessa crítica pode ler lida na Ciberteologia - Revista de Teologia & Cultura - Ano II, n. 11. disponível em: http://www.paulinas.org.br/ciberteologia/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=122.