sexta-feira, 19 de junho de 2009

A ORAÇÃO DE JABEZ: UMA FÓRMULA MÁGICA PARA O SUCESSO?

Por Jones Mendonça

Passando numa livraria bati o olho num livro que há muito tempo me intrigava. Ouvi dizer que vendeu mais de 8 milhões de exemplares nos Estados Unidos e fora o best-seller número um no New York Times. Por vezes ouvia comentários favoráveis ao livro e por vezes críticas ferrenhas. Como gosto de tirar minhas próprias conclusões comprei o tal livrinho (e não foi barato!).

Logo no prefácio o autor faz uma revelação surpreendente: “Quero ensinar-lhe como fazer uma oração ousada à qual Deus sempre (grifo nosso) atende[1]. Hummm, uma oração que Deus sempre atende, pensaria um leitor ganancioso, vou pedir uma ilha em Angra!

Seria tal oração uma fórmula mágica encontrada numa tumba esquecida no Egito? Um fragmento perdido do livro mágico do lendário Merlin? Não. A tal fórmula mágica sempre esteve diante dos nossos olhos no capítulo 4 do primeiro livro de Crônicas (1 Cr 4.9,10). Segundo o autor, após uma revelação surpreendente (coisa típica desses livros) Deus lhe mostrou significado oculto nas palavras de Jabez. Caso o leitor repita “palavra por palavra”[2] a oração do tal Jabez, afirma o autor, as portas dos céus se abrirão. E como ele garante isso? Ah, essa resposta também já está manjada: “afirmo isto devido a minha própria experiência e por causa do testemunho de centenas de outras pessoas ao redor do mundo...[3]. Como sempre a experiência pessoal serve de prova para alguma revelação inédita.

Continuei lendo o livro. Tinha coisa ainda pior. O autor começa a relatar como aprendeu o segredo de uma oração bem sucedida e para isso recorre a uma experiência ocorrida num retiro espiritual:

A caminho do banheiro no primeiro dia pela manhã, você passa diante do quarto de seu mentor. A porta está entreaberta e ele acabou de se ajoelhar para orar. Você não resiste e pensa: Como é que um gigante na fé começa suas orações?

Para por um instante e chega mais perto. Será que ele vai orar por um reavivamento espiritual? Pelos famintos ao redor do mundo? Será que ele vai orar por você?

Mas o que ouve é a seguinte oração: ‘Ó Senhor, a primeira coisa que te peço esta manhã é que abençoes... a mim’!

Chocado diante de uma oração egoísta como esta, você segue para o chuveiro. Porém, enquanto ajusta a temperatura da água, um pensamento lhe sobrevém. É tão óbvio que você se surpreende por não ter pensado nisto antes:

Os grandes homens de fé tem uma maneira de pensar diferente da nossa[4].

A conclusão que o autor chega é a seguinte: grandes homens na fé oram por si mesmos!!!!! Confesso que às vezes fico meio desanimado quando vejo esse tipo de abordagem. Meu consolo é olhar para o catolicismo medieval e pensar que o cristianismo sobreviveu em meio a tanta insanidade, como por exemplo a inquisição. É triste perceber que alguns segmentos do protestantismo atual não torturam com alicates ou cadeiras pontiagudas como fez a inquisição. Fazem pior. Aprisionam as mentes das pessoas com promessas esdrúxulas.

O que posso fazer é protestar. Efatá!


[1] WILKINSON, Bruce. A oração de Jabez. 2001, p. 7.

[2] Ibid, p. 11.

[3] Ibid, p. 12.

[4] Ibid, p. 19, 20.