segunda-feira, 15 de junho de 2009

BÊNÇÃO, MALDIÇÃO, DETERMINISMO E RESPONSABILIDADE.

Por Jones Mendonça

É muito comum encontrar pessoas evangélicas que buscam a todo o custo explicações para suas mazelas. Quando alguma pessoa sofre um acidente, diz-se, por exemplo, que Deus o permitiu para que a vítima se voltasse para Ele. Por esse modo de interpretar, o acidente seria um aviso Divino, ou melhor, um puxão de orelha vindo dos céus. Outros dariam uma explicação diferente. Lá no hospital para onde o acidentado ia ser levado estaria um incrédulo, esperando que algum bom cristão lhe levasse a Palavra. O acidente teria então um caráter evangelístico. A maldição de um representaria a bênção do outro.

Outros, mais pessimistas, diriam que o causador do infortúnio foi o “tentador”, o “pai da mentira”, o “capiroto” ou qualquer nome que lhe queiram dar. Satanás estaria querendo abalar a fé do fiel pondo em prática suas astutas e ardilosas armadilhas.

Dietrich Bonhoeffer, o teólogo alemão que se opôs ao regime nazista e acabou enforcado num campo de concentração, foge do dualismo maniqueísta e do determinismo ao reconhecer que alguns eventos na vida são inexplicáveis, mas não inexoráveis. Como Deus estaria permitindo que um de seus filhos padecesse numa fria prisão justamente por se opor à injustiça? Mas até mesmo nessa situação desoladora Bonhoeffer enxergava um acesso á Deus. Mesmo sabendo que ao acordar iria ter diante de seus olhos uma visão angustiante, onde corpos moribundos vagueavam sem esperança, Bonhoeffer percebia Deus no controle. Mesmo partindo para a forca tendo plena noção de que aqueles seriam seus últimos momentos o teólogo e pastor alemão não vacilou. Na sua consciência um só pensamento lhe sobrevinha: o que precisava ser feito foi feito. Amém!